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Ler matéria →Gagliasso: 'Corrida dos Bichos' é reflexo de sociedade moralmente falida Resumo "Corrida dos Bichos" funciona como um retrato de uma sociedade que normaliza a opressão e transforma vidas em aposta. Esse é o pensamento de Bruno Gagliasso, que integra o elenco do novo filme do Prime Video, em entrevista ao Splash. O que você precisa saber
Num Rio futurista e distópico, uma catástrofe climática muda completamente a cidade. O mar desaparece, a desigualdade aumenta e os magnatas transformam pessoas pobres em competidores de uma corrida mortal. Em linhas gerais, o filme dirigido por Fernando Meirelles coloca humanos apostando em humanos.
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A regra é simples e cruel: para entrar no jogo, cada participante precisa deixar alguém que ama como garantia. Só os vencedores recuperam essa pessoa. É aí que entra Mano, personagem de Matheus Abreu.
Ele lidera um grupo que luta contra esse sistema, mas acaba sendo obrigado a disputar a corrida quando sua irmã vira a garantia de uma aposta. Ao comentar a distopia do longa, Gagliasso diz ver a história como um alerta sobre desigualdade, crise ambiental e o jeito como poder e dinheiro distorcem relações.
Ele resume o tom do filme assim: Eu acho que esse filme é um reflexo de uma sociedade moralmente falida. Eu acho que é pra onde a gente levou o mundo. Leia também: club atlético rosario central: o detalhe que mais repercutiu
Eu acho também que é caso o mundo, caso os que não acreditam em sustentabilidade, que não acreditam não, levariam o mundo se eles ganhassem. Bruno Gagliasso Isis Valverde também aponta que a trama usa referências brasileiras para falar de temas que atravessam qualquer país. Ela destaca a dinâmica de poder e a diferença de classes como motor do conflito, mas puxou a discussão para o lado afetivo.
Dinâmica de poder, diferença de classes sociais, acho que é uma cultura universal. A gente usou muito a cultura brasileira pra contar essa história, mas eu acho que são assuntos muito universais. Eu vejo muito trazendo uma questão que eu acho também universal, que é o amor.
Até onde você iria pra salvar quem você ama? Isis Valverde Segundo a atriz, a personagem Nadine ganha força justamente por transitar entre "dois mundos bem claros" dentro de uma "sociedade rachada"— entre a elite abastada e os mais pobres em um mundo tão desigual.
Para ela, o mistério do arco é parte do interesse: o público acompanha "pra qual time ela vai jogar". Eu adoro esse personagem que tem esse mistério de construção, que você não entende se ela. Todo mundo gosta de falar:
boazinha e má. E eu acho que o personagem transita nos dois universos. Eu vou te falar sobre essa sociedade quebrada, essa sociedade rachada, e em dois mundos bem claros ali. Mais de entretenimento
E ela faz parte dos dois. Isis Valverde Gagliasso completa que a relação entre os dois personagens passa por visões opostas de amor— e que isso ajuda a explicar o jeito como o marido de Nadine enxerga o jogo e as pessoas ao redor. "
O amor para o leão é diferente do amor para ela. O amor para ele é posse. Como para muita gente".
Futuro ou presente? João Guilherme leva a conversa para o que, na leitura dele, aproxima a distopia do presente. Ao falar do personagem, ele disse que o filme mostra uma miséria "saturada, num limite", em que a sobrevivência empurra escolhas extremas. Leia também: Cinemateca resgata o cinema de Andrzej Wajda, mestre por vezes esquecido
A gente vê pessoas que não têm outra opção a não ser, às vezes. A gente vê pessoas entrando para o crime para poder botar comida dentro de casa, para poder mudar de vida, e vai para além do lazer da pessoa, mas para a questão da própria sobrevivência. E esse é um futuro onde talvez a gente tenha todos esses problemas aqui que a gente já conhece, só que saturados, num limite.
João Guilherme Na entrevista, o elenco também cita a catástrofe ambiental como uma das críticas centrais da trama. Isis diz que o filme reforça a urgência do cuidado com o planeta e comentou o impacto de ver, na tela, a cidade transformada pela falta de recursos.
O filme é sobre uma catástrofe. Uma catástrofe ambiental, que eu acho muito importante. Também é uma outra crítica do filme.
Porque tá acabando, né? Isis Valverde Deixe seu comentário
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