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A crise entre Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pode ter revelado algo maior do que um desentendimento familiar. Para analistas ouvidos no Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, o episódio colocou em dúvida a capacidade do ex-presidente Jair Bolsonaro de manter a unidade e arbitrar disputas dentro do campo político que construiu ao longo dos últimos anos.
A avaliação é que a divulgação pública do vídeo em que Michelle critica Flávio dificilmente teria ocorrido se houvesse um comando central exercido pelo ex-presidente sobre os principais nomes do bolsonarismo.
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“O fato de a Michelle ter autonomia para fazer esse processo significa que Bolsonaro talvez não esteja no total controle do seu entorno. Sempre houve uma percepção de que era ele quem arbitrava os conflitos familiares e políticos. Quando um movimento como esse acontece publicamente, a impressão que fica é que essa capacidade de arbitragem pode ter diminuído”, afirmou o cientista político Leonardo Barreto durante o programa.
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Na avaliação dele, o episódio representa uma mudança importante na dinâmica interna do grupo político. Durante anos, divergências entre integrantes da família Bolsonaro raramente extrapolavam os bastidores ou, quando surgiam, eram rapidamente contidas pela liderança do ex-presidente. Leia também: “O ‘turismo de massa’ é uma oportunidade”, diz CEO de maior agência corporativa
Agora, a exposição pública do conflito sugere um ambiente mais fragmentado.
Disputa vai além da relação familiar
Para o cientista, a crise também não deve ser interpretada apenas como um conflito pessoal entre Michelle e Flávio. Segundo Leonardo Barreto, a ex-primeira-dama percebeu que vinha perdendo protagonismo político e decidiu marcar posição em um momento em que a sucessão dentro do bolsonarismo começou a ganhar contornos mais claros.
“Ela talvez tenha percebido que precisava de uma medida mais contundente para delimitar o próprio espaço político dentro da família Bolsonaro. Não parece apenas uma reação ao episódio do Ceará, mas um movimento para mostrar que continua sendo uma liderança relevante”, afirmou.
Na prática, o gesto reforça a percepção de que diferentes grupos passaram a disputar influência sobre o futuro do campo conservador. Mais de economia
Efeito sobre a campanha
Embora a candidatura de Flávio continue sendo considerada a principal aposta da direita para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o especialista avalia que disputas públicas dentro da família podem produzir um efeito político mais amplo.
Isso porque o bolsonarismo sempre construiu parte de sua força na ideia de unidade em torno da liderança de Jair Bolsonaro. Quando essa imagem é colocada em dúvida, aumentam as incertezas entre aliados, parlamentares e lideranças regionais sobre quem efetivamente conduz o projeto político. Leia também: Ciro diz que ‘não viu e não vai ver’ vídeo de Michelle sobre Flávio Bolsonaro
Na avaliação do cientista, o episódio não significa que Jair Bolsonaro tenha perdido influência sobre seu eleitorado, mas indica que sua capacidade de controlar os diferentes interesses dentro do próprio grupo político pode já não ser a mesma dos últimos anos.
Em um momento em que a direita busca transmitir estabilidade para enfrentar uma eleição polarizada, a crise entre Michelle e Flávio acabou produzindo um debate inesperado sobre quem, afinal, lidera o bolsonarismo.
O Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 6h da manhã, no YouTube e no seu tocador de podcast preferido.
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Marina Verenicz
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