Aliado de Flávio desiste de falar em audiência nos EUA após fala machista
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João Pedro Pitombo
José Matheus Santos
Salvador e Recife
O deputado federal Pedro Cunha Lima (PSDB) é filho do ex-governador da Paraíba Cássio Cunha Lima e neto do também ex-governador Ronaldo Cunha Lima. Neste ano, ele vai tentar levar a terceira geração da família ao governo do estado.
Ele não é o único: ao menos 18 filhos, netos e sobrinhos de políticos tradicionais vão concorrer a governador. Destes, 15 estreiam em disputas estaduais majoritárias, marcando a ascensão de uma nova geração de clãs familiares da política brasileira.
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O fenômeno tem mais força em estados do Nordeste, onde filhos de políticos concorrem a governos em sete estados. Mas também há candidaturas também no Acre, Pará e Rio Grande do Sul.
Caso tenham sucesso nas urnas, devem protagonizar uma volta por cima de clãs que estiveram em baixa na eleição de 2018, marcada pelo ocaso de famílias como os Sarney e os Lobão, no Maranhão, os Maia e os Alves, no Rio Grande do Norte, e os Jucá em Roraima.
Na eleição de 2022, devem caminhar sobre uma linha que separa a memória de realizações de seus antepassados, o desafio de mostrar que têm luz própria e as acusações de adversários de representarem uma tradição clientelista. Leia também: Aliado de Flávio desiste de falar em audiência nos EUA após fala machista
"O clientelismo é alicerçado em tradições familiares e famílias políticas poderosas. Isso se exacerba com movimentos que podemos chamar, grosso modo, de patronato político brasileiro", afirma o cientista político Elton Gomes, doutor pela Universidade Federal de Pernambuco.
A eleição em Pernambuco será a mais notável pela influência dos clãs: os cinco principais pré-candidatos ao governo são filhos ou netos de líderes políticos.
Neta do ex-governador Miguel Arraes (1916-2005), Marília Arraes (Solidariedade) tem reforçado a ligação com o avô, enfatizando o sobrenome e marcas da gestão Arraes, como o chapéu de palha.
Em sabatina da Folha e UOL, ela disse que ninguém pode ser penalizado pelo sobrenome que tem. "Tenho muito orgulho não só de ser neta como de ter aprendido com Miguel Arraes."
Pré-candidata do PSDB a governadora, Raquel Lyra é filha do ex-governador João Lyra Neto e possui um sobrenome tradicional na política de Caruaru, a maior cidade do interior. Mais de politica
O bolsonarista Anderson Ferreira (PL) tem pai, irmão e cunhado na política. Manoel, André e Fred Ferreira são respectivamente deputado estadual, federal e vereador do Recife. Ainda assim, Anderson afirma ser diferente dos adversários.
"Meu pai entrou na política pelo segmento evangélico. Antes de ingressar na vida pública, eu fiz um trabalho evangelístico. Eu não tinha apoio de vários prefeitos, mas tinha ligação com as pessoas", disse Anderson em sabatina Folha/UOL.
Além de ser filiado ao PSB, partido sob forte influência da família Campos, Danilo Cabral é também filho do ex-deputado estadual Adalberto Cabral. Já Miguel Coelho (União Brasil) faz parte de um clã que já esteve no poder na Prefeitura de Petrolina mais de 13 vezes, entre mandatos consecutivos e alternados. Leia também: Deputada Sonia Guajajara propõe destinar 5% de emendas à saúde indígena
O cenário é semelhante em Alagoas, onde os quatro principais pré-candidatos ao governo vêm de famílias políticas.
Rui Palmeira (PSD) é filho do ex-governador Guilherme Palmeira (1938-2020) e neto do ex-senador Rui Palmeira (1910-1968). Ex-prefeito de Maceió, ele diz que o legado de seu pai tem ajudado na caminhada na disputa pelo governo.
"Há uma lembrança muito positiva, um carinho dos eleitores. Isso também cria uma responsabilidade e uma cobrança porque as pessoas sempre vão comparar", afirma o ex-prefeito de Maceió.
Ele tinha apenas 17 anos quando teve a mãe e o pai assassinados em 1998. Sua mãe, Ceci Cunha (PSDB), foi morta em 1998 no dia de sua diplomação como deputada federal.
O suposto mandante do crime, que vitimou seu pai e outros dois parentes, foi o próprio suplente de Ceci, o então deputado federal Talvane Albuquerque.
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