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Braskem: lucro dobra no 1T, mas recuperação está por vir; ação fica volátil

Às 10h15 (horário de Brasília), os papéis subiam 2,54%, a R$ 12,52, mas às 10h29 já haviam virado para queda e entrado em leilão, com queda de 1,88% (R$ 11,98)

Braskem: lucro dobra no 1T, mas recuperação está por vir; ação fica volátil

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Braskem (Foto: Divulgação)
Braskem (Foto: Divulgação)

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A Braskem (BRKM5) vê suas ações registrarem alta após os resultados do primeiro trimestre de 2026 (1T26), com a visão de um trimestre de recuperação e visão de resultados positivos à frente. Às 10h15 (horário de Brasília), os papéis subiam 2,54%, a R$ 12,52, mas às 10h29 já haviam virado para queda e entrado em leilão, com queda de 1,88% (R$ 11,98). Cabe ressaltar que a ação passou por um forte rali nesta semana, com alta de 29% na segunda e avanço de mais de 2% nos outros dois pregões.

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O maior grupo petroquímico da América Latina, teve lucro líquido de R$ 1,45 bilhão no primeiro trimestre, mais do que duplicando (+107%) o resultado positivo de R$ 698 milhões obtido no mesmo período do ano passado.

A companhia, que atravessa uma mudança societária com a entrada do grupo de investimentos IG4 em seu grupo de controle, teve um resultado operacional medido pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) recorrente de R$ 1,01 bilhão de janeiro ao final de março, queda de 24% ano a ano. Já a receita líquida do grupo caiu 20%, alcançando R$15,49 bilhões. Por distribuição demográfica, 59% da receita foi proveniente do Brasil, seguida por 26% nos Estados Unidos e Europa.

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Analistas, em média, esperavam Ebitda de R$ 1,18 bilhão para a Braskem no primeiro trimestre, segundo dados da LSEG. Leia também: Honda tem 1º prejuízo em 68 anos

A Braskem ainda encerrou março com alavancagem financeira de 16,81 vezes quando medida em dólares, ante 7,98 vezes no fim do primeiro trimestre de 2025.

Na visão do Bradesco BBI, o 1º trimestre de 2026 foi um trimestre de recuperação, apesar de ainda ficar aquém das estimativas. O Ebitda recorrente da Braskem no 1º trimestre de 2026, de US$ 192 milhões, ficou abaixo tanto da sua estimativa de US$ 229 milhões quanto do consenso da Bloomberg de US$ 251 milhões, embora a recuperação sequencial de 76% em relação ao trimestre anterior tenha sido significativa, mesmo que o nível absoluto permaneça bem abaixo dos US$ 224 milhões do 1º trimestre de 2025.

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No Brasil, a recuperação do Ebitda para US$ 241 milhões (+69% em relação ao trimestre anterior) foi impulsionada principalmente por cerca de US$ 32 milhões em créditos PIS/COFINS sob o regime REIQ expandido e uma melhora sequencial de 16% nos spreads de resina, parcialmente compensada por maiores custos de inatividade e manutenção. Nos EUA e na Europa, o Ebitda tornou-se positivo em US$ 21 milhões (contra US$ 32 milhões negativos no 4T25), sustentado por uma melhora de 6% em relação ao trimestre anterior nos spreads de PP (Polipropileno) e maiores volumes.

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Enquanto isso, o México foi o elo fraco evidente, com a utilização caindo 30 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior, para 55%, devido à redução no fornecimento de etano da PEMEX e às restrições de liquidez da Braskem Idesa, levando o EBITDA do segmento a -US$ 15 milhões. Na linha de lucro líquido, o lucro reportado de US$ 275 milhões superou significativamente tanto a estimativa da BBI de -US$ 122 milhões quanto o consenso de -US$ 93 milhões, mas foi explicado quase inteiramente por um ganho cambial não monetário decorrente da valorização de aproximadamente 5% do real sobre a exposição líquida em dólares da empresa de US$ 10,1 bilhões — que por sua vez, aumentou após a descontinuação de aproximadamente US$ 8,4 bilhões em operações de hedge em dezembro de 2025.

Para o BBI, apesar de o resultado ter ficado abaixo das suas estimativas e das do mercado, a projeção é de uma forte melhora no Ebitda no segundo trimestre de 2026, à medida que a Braskem se beneficia do aumento significativo nos spreads provocado pela guerra com o Irã. Leia também: BB: em novo tri de decepções, pior notícia veio do guidance – mercado segue

A avaliação do banco é de que a profundidade da reestruturação da Braskem dependerá da duração dos impactos da guerra, com o Ebitda potencialmente ultrapassando US$ 2 bilhões este ano (caso a guerra se estenda até o segundo semestre de 2026).

“De qualquer forma, ainda vemos a necessidade de a empresa remodelar sua estrutura de capital considerando os fundamentos do pós-guerra, o que traz riscos de diluição para os acionistas. Diante disso, mantemos nossa recomendação de venda”, aponta.

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Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.

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