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Brasileiros veem sonho da cidadania ser adiado após mudança na lei em Portugal

Brasileiros veem sonho da cidadania ser adiado após mudança na lei em Portugal Crédito, Arquivo Pessoal Legenda da foto, Mariza e o marido se mudaram para Portugal em

Brasileiros veem sonho da cidadania ser adiado após mudança na lei em Portugal
Brasileiros veem sonho da cidadania ser adiado após mudança na lei em Portugal
Um casal se olhando

Crédito, Arquivo Pessoal

Legenda da foto, Mariza e o marido se mudaram para Portugal em 2021 e estavam próximos de completar cinco anos de permanência em território português e ter o direito à cidadania
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    • Author, Priscila Carvalho
    • Role, De Bangkok (Tailândia) para a BBC News Brasil
  • Há 19 minutos
  • Tempo de leitura: 11 min

"Voltar não é uma opção". É dessa forma que a brasileira e corretora imobiliária Mariza Estima, de 59 anos, define sua permanência em Portugal. Ela e o marido imigraram para o país em agosto de 2021, depois de o companheiro receber uma proposta de trabalho. Atualmente, o casal mora em Mafamude, Vila Nova de Gaia, região norte.

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Mariza é uma das brasileiras que estava próximo de completar cinco anos de permanência em território português e ter o direito à cidadania, mas devido a nova Lei de Nacionalidade terá que esperar mais dois anos para conseguir o documento.

"Nós achamos completamente injusto, pois entramos com visto, pagamos impostos desde que entramos, temos vínculos com a comunidade portuguesa. Só não demos entrada antes porque achamos que pelo tempo era mais fácil esperar os cinco anos e, no fim, mudaram", lamenta.

No dia 3 de maio, o presidente de Portugal, António José Seguro, promulgou o decreto do Parlamento que altera a Lei da Nacionalidade. A promulgação confirma que a norma foi aprovada pela Assembleia da República e determina sua publicação para entrada em vigor. Leia também: Influenciadora em ética de IA tem redes sociais derrubadas

"É, em termos simples, o 'aval' institucional do Chefe de Estado. Não é exatamente o mesmo que a sanção prevista no ordenamento jurídico brasileiro, mas o efeito prático é semelhante: sem promulgação, a lei não pode seguir para as etapas seguinte", explica Marianna Guimarães, advogada e mestranda em Direito e Gestão pela Universidade Católica Portuguesa.

Isso também não significa que a lei passa a valer de imediato. Depois da promulgação, ainda é necessária a publicação no Diário da República, o jornal oficial onde são divulgados e publicados todos os atos legislativos e normativos como leis, decretos, portarias e despachos.

Neste caso, o próprio texto estabelece que a lei entra em vigor no dia seguinte à publicação. "Publicada hoje, amanhã já produz efeitos jurídicos plenos", complementa a advogada.

A mudança eleva o tempo mínimo de residência legal para pedido de nacionalidade de cinco para sete anos no caso de cidadãos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), como brasileiros, e de cinco para dez anos para as demais nacionalidades.

Também muda o critério para crianças nascidas em Portugal. Hoje, elas são consideradas portuguesas de origem quando pelo menos um dos pais vive no país há um ano, independentemente da situação migratória. Com a alteração, passa a ser exigido que um dos pais tenha residência legal em Portugal por, no mínimo, cinco anos. Mais de mundo

Segundo especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, a alteração indica uma mudança na política migratória adotada nas últimas décadas e se insere em um contexto de maior restrição na Europa, associado ao aumento do fluxo migratório para Portugal e a busca pela cidadania como via de acesso a outros países da União Europeia.

'Faltavam seis meses para dar entrada na cidadania'

A poucos meses de completar o prazo exigido pela regra anterior, a analista comercial Luiza Lima, de 30 anos, viu o planejamento mudar.

Morando no Porto há cinco anos, ela afirma que a possibilidade de alteração já vinha sendo discutida, mas o impacto se tornou concreto quando a nova exigência passou a ser discutida. Na prática, o pedido de cidadania, que estava próximo, foi adiado em cerca de dois anos.

Luiza conta que decidiu migrar para Portugal inicialmente para cursar um mestrado, com o objetivo de ampliar as perspectivas profissionais e viver uma experiência internacional. Ao longo desse período, estruturou a vida no país e passou a considerar a cidadania como um passo natural desse processo.

Com a mudança, diz que precisou reorganizar os planos e adotar uma postura mais pragmática diante do novo cenário.

"Essa possibilidade de mudança já vinha sendo comentada há algum tempo, então não foi exatamente uma surpresa. Ainda assim, quando a mudança se torna concreta, o impacto é diferente, porque mexe diretamente com os planos de quem já está aqui há anos construindo uma vida", diz.

Luiza posando para foto
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