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Ler matéria →Brasileiros fazem cirurgia inédita de doença rara por trás de fortes dores de cabeça Cirurgiões introduzem técnica endoscópica para tratar Doença de Arnold-Chiari tipo I, proporcionando uma recuperação mais acelerada aos pacientes Imagine levar uma vida normal e, de repente, começar a conviver com dores de cabeça sempre que fizer algum tipo de esforço (por mais simples que seja), ter tonturas frequentes, zumbidos, fraqueza muscular e dormência nos membros. Esses são alguns sinais da doença de Arnold-Chiari tipo I, uma malformação cerebral congênita e rara, que afeta de 0,1 a 0,5 pessoa a cada 100 mil no mundo todo— mas que, no Brasil, especialmente no Nordeste, tem o dobro da incidência, ocorrendo em um a cada 100 mil indivíduos.
E é no nosso país que cirurgiões estão introduzindo uma nova técnica para corrigir o problema, trazendo menos riscos e recuperação mais rápida aos pacientes. “Trata-se de uma abordagem endoscópica, que diminui a região atingida para corrigir a malformação e minimiza o risco de complicações pelo procedimento”, resume Rafael Sugino, cirurgião ortopedista e professor da pós-graduação em endoscopia da coluna do Einstein Hospital Israelita, que esteve à frenta da primeira cirurgia do tipo realizada no Brasil. O que é a Doença de Chiari
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A doença de Chiari é uma malformação caracterizada pela “queda” do cerebelo, estrutura responsável pelo nosso equilíbrio e movimento, na coluna cervical. A proximidade entre o órgão e o topo da coluna pode interromper o fluxo de líquor e comprimir nervos— o que explica a série de sintomas neurológicos que a condição causa. Apesar de ser uma doença congênita, nem todo portador a manifesta ao nascer ou na infância. Leia também: Doença de Bryan Johnson: entenda gastrite autoimune do milionário da longevidade
“Há diferentes graus da malformação, e algumas pessoas podem viver suas vidas sem nunca apresentar sintomas ou saber que possuem o defeito”, explica o neurocirurgião Telmo Belsuzarri, também professor de pós-graduação em endoscopia de coluna do Einstein Hospital Israelita. “No caso da Doença de Arnold-Chiari do tipo 1, os sintomas, em geral, aparecem na fase adulta, mais frequentemente a partir dos 30 anos. É o grau mais brando da doença, ainda que comprometa bastante a qualidade de vida do paciente”, explica Sugino.
Cirurgia à brasileira Atualmente, o tratamento da doença de Chiari consiste no uso de medicamentos para amenizar os sintomas e de cirurgia para corrigir o problema. A cirurgia tradicional chama-se descompressão da fossa posterior, e visa remover um pequeno fragmento da parte de trás do crânio e/ou da cervical para dar mais espaço ao cerebelo e, assim, descomprimir os nervos e o líquor.
Nesse processo, a dura-máter, membrana que reveste o cérebro e a medula espinhal, é lacerada e o paciente pode precisar de um enxerto. “É feita uma incisão bem grande, de cerca de 7 centímetros, e a musculatura da nuca é descolada da parte óssea, o que prejudica a funcionalidade dela e dificulta a recuperação do indivíduo”, explica Belsuzarri. Estima-se que 30% dos operados fiquem com alguma sequela e necessitem de uma segunda cirurgia para corrigir o problema. Mais de saude
Para evitar complicações, o cirurgião ortopedista Rafael Sugino trouxe para o Brasil uma técnica que tem sido estudada na Alemanha e na Turquia e que substitui o método aberto pelo endoscópico. “ A incisão, neste caso, é de apenas cerca de um centímetro”, explica o especialista.
A primeira cirurgia do tipo foi realizada no país em uma mulher adulta, cuja identidade foi preservada, com doença de Chiari tipo 1, no Hospital dos Servidores do Estado do Maranhão. “ A paciente passou menos de 24 horas no CTI [Centro de Terapia Intensiva], movimentando bem o pescoço e quase sem dores— enquanto que, após a cirurgia aberta, as pessoas costumam ficar hospitalizadas por uma semana”, compara Sugino Agora, os médicos estão desenhando um estudo clínico para abranger mais pacientes e instituições de saúde e, assim, atestar a segurança, a eficácia e a superioridade da cirurgia endoscópica sobre o método tradicional. Leia também: Aneurisma de aorta abdominal: a “bomba-relógio” silenciosa que pode ser
O estudo se faz ainda mais importante diante da maior incidência da doença no Nordeste do Brasil. “ A principal hipótese que explica isso é a influência da herança genética holandesa na região, que foi ocupada no século 17 pela Companhia Holandesa das Índias Ocidentais.
Os genes dessa região da Europa podem estar mais associados à malformação”, explica Sugino.
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