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Brasil mantém a maior taxa de juros reais do mundo, aponta ranking

Apesar da Selic a 14%, o país registra 9,30% de juros reais, bem acima da média global. Cenário de inflação crescente em outras economias

Brasil mantém a maior taxa de juros reais do mundo, aponta ranking

Mesmo após o recente corte na taxa básica de juros, a Selic, o Brasil solidificou sua posição como líder incontestável no ranking global de juros reais. O país mantém a taxa mais alta do mundo, com 9,30% ao ano, evidenciando um custo de capital que desafia a recuperação econômica e impacta diretamente o bolso do consumidor.

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que reduziu a Selic de 14,25% para 14% ao ano, embora um passo na direção de aliviar a pressão, foi insuficiente para desbancar o Brasil do topo. Segundo levantamento do Portal MoneYou e da Lev Intelligence, a taxa real brasileira, que em junho era de 9,67%, recuou apenas marginalmente, mantendo uma distância considerável em relação aos demais países.

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Para se ter uma ideia, a taxa real média entre as 40 economias analisadas no ranking é de apenas 1,38% ao ano. O Brasil se destaca significativamente de nações como Rússia (9,09%), Colômbia (6,16%), Indonésia (4,61%) e Argentina (4,51%), que figuram nas posições seguintes, mas ainda assim muito abaixo do patamar brasileiro.

O que são os juros reais e por que importam?

Os juros reais são calculados descontando-se a inflação projetada do juro nominal. No caso brasileiro, a taxa de 9,30% reflete a Selic atual em comparação com uma inflação esperada em torno de 4,12% para os próximos 12 meses. Essa métrica é crucial porque indica o verdadeiro retorno de um investimento ou o custo efetivo de um empréstimo, já considerando a perda do poder de compra da moeda.

Na prática, juros reais elevados significam crédito mais caro para empresas e famílias. Isso se traduz em parcelas mais altas para financiamentos de imóveis, veículos e até para o uso do cartão de crédito. Para as empresas, o alto custo do capital desestimula investimentos em expansão e produção, podendo frear a geração de empregos e o crescimento econômico geral. Mais de economia

Cenário global e a posição brasileira

Em termos de juros nominais, o Brasil até divide a terceira posição com a Rússia, ficando atrás apenas de Turquia (37%) e Argentina (29%). Contudo, é no juro real que o país se isola, em um cenário global marcado por movimentos distintos das políticas monetárias. Uma amostra mais ampla de 156 países revela que, desde a reunião anterior do Copom em junho, 79,5% mantiveram suas taxas, enquanto apenas 12,8% realizaram cortes e 7,7% as elevaram. Leia também: BC preserva flexibilidade ao evitar sinalizar rumo dos juros, dizem analistas

A manutenção da liderança brasileira no ranking de juros reais é ainda mais notável diante do contexto internacional. Consultorias apontam que as perspectivas inflacionárias foram majoritariamente revisadas para cima em diversas economias mundiais, especialmente em meio ao cenário adverso e incerto do conflito no Oriente Médio. Essa pressão inflacionária tem levado a uma série de juros reais mais baixos e, em alguns casos, negativos, em outros países, o que, ironicamente, eleva a posição relativa do Brasil mesmo com seu próprio corte de Selic.

A permanência do Brasil no topo dos juros reais globais sinaliza um desafio persistente para a política econômica, que busca equilibrar a luta contra a inflação com o estímulo ao crescimento. O patamar atual continua a ser um fator de peso nas decisões de investimento e consumo, mantendo o custo de oportunidade alto e a seletividade de projetos por parte de empresas e investidores em patamares elevados.

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