Quatro anos após anunciar a compra da antiga fábrica da Mercedes-Benz em Iracemápolis (interior de São Paulo), a montadora chinesa GWM inicia a montagem de seus carros no Brasil. A unidade tem capacidade para fazer 50 mil unidades, o que é pouco para os planos da empresa.
"Não vamos conseguir atender ao grande plano que temos com essa fábrica. A capacidade produtiva vai estar em aproximadamente 50 mil unidades por ano, temos o plano de atingir a um volume entre 250 mil e 300 mil unidades produzidas no Brasil", disse Parker Shi, presidente da GWM International, durante apresentação da linha de montagem.
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O executivo revelou o plano de construir uma segunda planta, que avançaria nas etapas de produção. Seria uma unidade com prensas, para fazer as carrocerias completas.
Hoje, 35% dos automóveis feitos pela montadora chinesa são montados fora da China. A ideia é chegar a 50%. Shi usa como exemplo o avanço da sul-coreana Hyundai, que se transformou em uma empresa global —inclusive com fábrica em Piracicaba, cidade próxima à Iracemápolis. Leia também: Mills Locação tem lucro líquido de R$ 197 milhões no 1º tri
O executivo afirmou que desde 2000 a montadora vem trabalhando e realizando estudos nos mercados da América Latina.
Durante a apresentação das instalações em Iracemápolis, os funcionários que conduziam os visitantes se esforçavam para mostrar que muitas etapas já são feitas no Brasil, como uma forma de se diferenciar do sistema atual adotado pela BYD.
Na primeira fase do trabalho de produção da BYD em Camaçari (BA), os automóveis virão praticamente prontos da China. As carrocerias chegam pintadas, e o veículo vem parcialmente montado, faltando encaixar alguns elementos.
Já Parker Shi não quis criar polêmica com a concorrente. "Cada uma das empresas chinesas tem suas estratégias. Não gostaria de criticar a estratégia de uma outra montadora, vou falar mais da nossa", disse o presidente da GWM Internacional.
"Se a estratégia é para ser global, nossos passos precisam ser firmes. Não temos medo de competição, somos uma empresa de capital privado. Queremos trazer melhores produtos e serviços para nossos clientes, é nossa estratégia para conquistar mercado." Mais de economia
A montagem tem início com o SUV médio híbrido Haval H6, seguido pela picape a diesel Poer, que começa a ser produzida em duas semanas. Na segunda quinzena de setembro virá o H9, um utilitário de grande porte também movido a diesel.
Parte da estrutura da Mercedes foi mantida, bem como algumas máquinas de solda e equipamentos da área de pintura. Já os robôs vieram da China. Segundo a GWM, a maior parte dos antigos equipamentos da montadora alemã virou sucata. Leia também: Corrupção, inflação e economia em queda desafiam Milei na Argentina
A GWM encenou a montagem de alguns dos modelos que serão nacionalizados. Houve um claro esforço em mostrar que há mais etapas realizadas no Brasil do que o previsto no sistema CKD, que prevê a importação dos carros desmontados.
Algumas peças serão produzidas no Brasil nos próximos meses. Há 110 fornecedores cadastrados, sendo que 18 já estão entregando seus itens, como a Petronas, que cuida dos lubrificantes. Pneus Pirelli estão em fase final de desenvolvimento.
A linha de pintura também trabalha com tintas nacionais, produzidas pela PPG e à base de água. Essa é outra parte robotizada da fábrica, e os resíduos passam por tratamento antes do descarte. Alguns equipamentos mantêm adesivos do grupo Daimler, que controla a marca Mercedes-Benz.
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