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Brasil em crise com EUA e Argentina: os ônus e bônus eleitorais para Flávio

Crédito, ANDREW CABALLERO-REYNOLDS/AFP via Getty Images Legenda da foto, Trump e Milei acirraram crise com Brasil Article Information Author, Vitor Tavares Role, Da BBC

Brasil em crise com EUA e Argentina: os ônus e bônus eleitorais para Flávio
Trump e Milei durante encontro na Casa Branca

Crédito, ANDREW CABALLERO-REYNOLDS/AFP via Getty Images

Legenda da foto, Trump e Milei acirraram crise com Brasil
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    • Author, Vitor Tavares
    • Role, Da BBC News Brasil em São Paulo
  • Published Há 53 minutos
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A dois meses da eleição de outubro, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta duas frentes de crise diplomática que podem atrapalhar o petista no objetivo de avançar sobre eleitores indecisos, segundo analistas ouvidos pela BBC News Brasil.

Leia no AINotícia: Mundo: Panorama da semana destaca crise em Ceuta

De um lado, está mais um capítulo da crise com os Estados Unidos de Donald Trump, que revogou o visto da embaixadora do Brasil no país; do outro, menos influente, está a piora na relação com a Argentina de Javier Milei, que tem feito críticas ao presidente brasileiro, levando o Itamaraty a rebaixar o nível das relações diplomáticas com Buenos Aires.

Para o cientista político Hilton Fernandes, do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), ao criar uma série de situações negativas na relação Brasil-EUA, seja com as tarifas, a classificação de organizações criminosas como terroristas e, agora, com a retirada do visto da embaixadora, Trump provoca um peso sobre o governo Lula.

"O governo terá de se defender e, como consequência, pode alimentar o discurso da oposição de ser um governo radical, antiamericano, comunista", avalia. Leia também: Ciclone-bomba deve atingir o Sul e provocar ventos de até 100 km/h nesta

A também cientista política Mayra Goulart, coordenadora do Laboratório de Partidos, Eleições e Política Comparada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ressalta, porém, que a proximidade das novas crises ao período de campanha, que tem início em 16 de agosto, oferece menos possibilidades de se conquistar o pequeno grupo de eleitores que flutuam entre os dois candidatos.

"A proximidade de qualquer crise que ocorra perto das eleições não aumenta a magnitude do seu efeito sobre os votos, na medida em que a maioria já está decidida. Mas ela aumenta sua decisividade, pois sobra menos tempo para reversão do pequeno grupo de eleitores voláteis", avalia Goulart.

Segundo a última pesquisa Nexus/BTG, divulgada nesta semana, entre os eleitores de Lula, 83% dizem ter o voto definido; entre os de Flávio Bolsonaro, 80%.

A pesquisadora ressalta que as rusgas internacionais "não convertem ninguém" nesse grupo, já decidido com Lula ou Flávio. Mas elas podem aparecer com força na propaganda eleitoral a partir de 16 de agosto, tendo algum papel nos poucos votos em disputa.

'Soberania' ainda cola?

Maria Luiza Ribeiro Viotti

Crédito, Jefferson Rudy/Agência Senado Mais de mundo

Legenda da foto, Viotti foi a primeira mulher embaixadora do Brasil nos Estados Unidos

Segundo os analistas, o momento dessa crise é diferente de outras envolvendo especialmente os EUA. Em 2025, no primeiro tarifaço de Trump, a esquerda e Lula tentaram uma união em torno da bandeira da "soberania nacional". Nas pesquisas que se seguiram, o governo melhorou sua avaliação. Leia também: As desculpas de Infantino — e como ele segue no comando da Fifa após admitir

Mas Goulart explica que o discurso de "soberania" não mudou o fato de que o país seguiu polarizado sobre tema tarifaço, que voltou à tona em junho com uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.

De acordo com a última pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, de agosto, 49,2% dos eleitores não veem ameaça à soberania na tarifas, 47,7% veem.

Também segundo a última pesquisa da Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (5/8), diminuiu o número de brasileiros que consideram a resposta de Lula à guerra comercial de Trump positiva.

Em maio, 39% avaliavam bem a resposta do governo petista à ação de Trump; agora, em agosto, foi para 38%, dentro da margem de erro. Entre os que avaliam mal a resposta do presidente, o índice saiu de 36% em maio para 43% agora. Ou seja, o saldo era positivo de +3 para o governo, mas passou para o negativo de -5 pontos percentuais.

A professora avalia que o discurso de soberania acabou, como tantos outros, polarizado, com pouco efeito sobre eleitores que não se enxergam fiéis a um dos lados. Porém, diz Goulart, há alguma chance de o governo surfar no conflito envolvendo a retirada do visto embaixadora brasileira nos EUA, Maria Luiza Ribeiro Viotti, na terça-feira (4/8)

Os aliados não populares de Flávio

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