← Mundo
Mundo

Brasil eliminado: o que o maior jejum em Copas desde 1958 diz

Crédito, Getty Images Article Information Author, Edison Veiga Role, De Bled (Eslovênia) para a BBC News Brasil Published Há 12 minutos Tempo de leitura: 13 min A

Brasil eliminado: o que o maior jejum em Copas desde 1958 diz sobre nosso
Seleção brasileira durante jogo contra a Escócia na fase de grupos

Crédito, Getty Images

Article Information
    • Author, Edison Veiga
    • Role, De Bled (Eslovênia) para a BBC News Brasil
  • Published Há 12 minutos
  • Tempo de leitura: 13 min

A percepção é de que a amarelinha encolheu, como aquela roupa que foi para a lavanderia e voltou apertada. Com a eliminação na Copa do Mundo de 2026, depois da amarga derrota para a Noruega, a seleção brasileira enfileira o maior jejum de títulos desde que Pelé e companhia espantaram o "complexo de vira-latas" e mostraram ao mundo que a taça do mundo, enfim, era nossa.

Leia no AINotícia: EUA sancionam brasileiros e empresas e lavagem de dinheiro

De lá para cá, o maior hiato sem campeonato para o escrete nacional havia sido os 24 anos que separaram o tricampeonato, em 1970— que consagraria o Brasil como o primeiro tricampeão, o detentor definitivo da Jules Rimet— e o memorável tetra de 1994, com aquele time montado pelo técnico Carlos Alberto Parreira que tinha no ataque o estrelismo de Romário e Bebeto.

Esses 24 anos sem taça se repetiram neste ano, já que o último capitão brasileiro a celebrar o cobiçado título erguendo o troféu foi Cafu, em 2002.

Não deu de novo. Leia também: Haaland ou Vini Jr? No interior de Goiás, norueguesa adotou o Brasil

Em 2030, quando a bola rolar em uma nova Copa do Mundo, já serão 28 anos sem que o selecionado nacional mande bordar uma nova estrela na camisa.

Afinal, o que explica esse cenário? É uma longa má-fase ou o Brasil perdeu a hegemonia no esporte bretão? O manto amarelo não bota mais medo? Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil elencam alguns motivos que ajudam a compreender a questão.

Sem espaço para improviso

Dentre as inúmeras anedotas sem comprovação atribuídas ao craque Garrincha (1933-1983), está uma história supostamente ocorrida na Copa de 1958 em que, após a detalhada e preocupada preleção do técnico Vicente Feola (1909-1975) antes do jogo contra a União Soviética, o jogador teria debochado dizendo: "Já combinaram com os russos?".

Lenda ou não, a verdade é que essa narrativa revela um pouco do espírito que acabaria se tornando inerente ao sucesso do futebol brasileiro: o improviso. A marca mais brilhante do time nacional, afinal, sempre esteve na criatividade, no talento individual— muito mais do que nos esquemas táticos complexos, na disciplina, nas teorias comuns ao futebol europeu.

É como se o jeitinho brasileiro também tivesse cavado seu espaço no futebol.

Só que o planeta também é uma bola que gira. E esse jogo virou. Leia também: A economista que tenta entender a insatisfação dos brasileiros sob Lula: 'Redes

"Mudou o mundo, o futebol passou a ser o grande negócio de entretenimento do século 21 e é natural que o jeito de praticá-lo também tenha mudado", avalia o jornalista e pesquisador Celso Unzelte, comentarista da ESPN, consultor do Museu do Futebol, membro da Academia Brasileira de Letras do Futebol e professor na Faculdade Cásper Líbero.

"Essa questão de ver o futebol brasileiro como potência hegemônica e única no mundo precisa ser revista. Tem um pouco de aura, de romantização nisso", argumenta o jornalista Anderson Gurgel, professor de jornalismo esportivo na Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Para Unzelte, com o futebol mais globalizado, acabou o espaço para o acaso. "Está mais tático, mais físico. E menos no improviso, que era o forte do Brasil", afirma. "O improviso com o qual o Brasil surpreendia o mundo tem menos espaço e o Brasil perdeu a hegemonia."

Nesse sentido, não é à toa que, desde a última conquista brasileira, quatro dos cinco títulos tenham sido obtidos por potências europeias— onde estão os clubes com orçamentos quase ilimitados não só para contratar os melhores jogadores e estafes técnicos como também para investir em tecnologia, capacitação teórica e medicina esportiva.

"O futebol internacional evoluiu muito. Hoje, apenas o talento individual não resolve. As seleções estão mais organizadas, mais físicas e mais preparadas", afirma o especialista em marketing esportivo Marcelo Paganini de Toledo, professor na Escola Superior de Propaganda e Marketing de São Paulo (ESPM-SP).

O jogador de futebol brasileiro Pelé jogando pela seleção brasileira, por volta de 1958.

Não tem mais bobo no futebol

Torcedores dos Estados Unidos  no Estádio de Los Angeles
Legenda da foto, Torcedores dos Estados Unidos no Estádio de Los Angeles

Falta de identificação

Vini Jr.
Legenda da foto, Vini Jr. não tinha nem completado 17 anos quando o Flamengo o negociou com o Real Madrid

O jogo virou

Torcedores brasileiros após a derrota por 7 a 1 para a Alemanha durante a semifinal da Copa do Mundo de 2014
Legenda da foto, Torcedores brasileiros após a derrota por 7 a 1 para a Alemanha durante a semifinal da Copa do Mundo de 2014

Mais entretenimento, menos esporte

Haaland ou Vini Jr? No interior de Goiás, norueguesa adotou o Brasil
Mundo

Haaland ou Vini Jr? No interior de Goiás, norueguesa adotou o Brasil

Ler matéria →

Leia também