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Bonnie Tyler e Fábio Jr. divulgaram: o detalhe que mais repercutiu

Por que 'Total Eclipse of the Heart' é a canção pop mais dramática já feita?

Bonnie Tyler e Fábio Jr. divulgaram: o detalhe que mais repercutiu

Por que 'Total Eclipse of the Heart' é a canção pop mais dramática já feita?- Author, Fraser Morris- Role, Da BBC Culture- Published- Tempo de leitura: 10 min Certo dia, no verão de 1982, o vocalista canadense Rory Dodd foi chamado ao estúdio de gravação Power Station, em Nova York, para emprestar sua voz a uma música escrita e produzida por seu colega e amigo Jim Steinman para a cantora galesa Bonnie Tyler— que morreu esta semana aos 75 anos. "

Jesus! Tem de tudo nessa música", exclamou Dodd ao ouvir a impressionante mixagem final da faixa. A música era Total Eclipse of the Heart.

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Lançada em fevereiro de 1983, essa ária gótica tornou-se um sucesso internacional sem precedentes que ampliou os limites do melodrama na música pop. Ela chegou ao topo das paradas do Reino Unido, desbancando Billie Jean, de Michael Jackson; foi um sucesso ainda maior nos Estados Unidos; e alcançou o primeiro lugar em diversos países.

Tyler era uma candidata improvável a esse nível de domínio nas paradas, já que sua carreira havia perdido força desde seu sucesso de 1977, It's a Heartache. Impressionada com seu trabalho compondo e produzindo a obra-prima de Meat Loaf, Bat Out of Hell (1977), Tyler pediu à CBS Records que Steinman colaborasse com ela em seu álbum seguinte. "

A gravadora, na época, achava que eu estava louca", disse ela à BBC. " Eles jamais imaginaram que isso daria certo. Leia também: Ao anunciar morte, Aline Midlej diz que Bonnie Tyler cantava tecnobrega

" Mas Steinman concordou em trabalhar com Tyler, percebendo um potencial inexplorado em sua voz, que ele comparava, em seu poder rouco, à de Janis Joplin. Ele descreveu Total Eclipse of the Heart como uma "canção febril" sobre o lado mais sombrio e obsessivo do amor e como "um exorcismo ao qual se pode dançar".

A música é considerada uma das "power ballads" mais icônicas da história, frequentemente aparecendo em posições de destaque em listas retrospectivas ao lado de clássicos como Alone, do Heart; Faithfully, do Journey; e I Want to Know What Love Is, do Foreigner. É fácil entender por quê: a versão completa do álbum tem sete minutos de grandiosidade sem limites. Dodd, que interpreta as assombrosas partes vocais de "turn around", descreve a combinação de seu tenor melancólico com o uivo rouco de Tyler como "

A Bela e a Fera", mas ao contrário. " Eu não sei o que fazer / E estou sempre no escuro / Estamos vivendo sobre um barril de pólvora e soltando faíscas", lamenta Tyler, cantando sobre uma paixão romântica que a domina a ponto do colapso.

Após o primeiro refrão, um turbilhão de tambores e explosões leva a música a alturas apocalípticas. " Juntos podemos ir até o fim da linha / Seu amor é como uma sombra sobre mim o tempo todo", brada Tyler.

Na palavra "sombra", sua voz se rompe como um relâmpago. Quando a poeira baixa, Dodd acalma o ouvinte com repetições em falsete do refrão " Mais de entretenimento

turn around bright eyes". É inevitavelmente épica. Mas Total Eclipse of the Heart é uma "power ballad"?

O termo é normalmente utilizado para descrever um subgênero do rock e do hair metal popularizado nos anos 1980— músicas de andamento lento que alcançam grandes altitudes musicais, vocais e emocionais, impulsionadas por riffs de guitarra e baterias estrondosas. No entanto, o termo também foi atribuído a músicas que não são rock: a lista do jornal The Telegraph das 21 melhores power ballads inclui Nothing Compares 2 U, de Sinead O'Connor; a lista da Smooth Radio inclui I Have Nothing, de Whitney Houston; e, em um artigo para a BBC, Nick Levine descreveu a gravação de I Will Always Love You, de Houston, como "a power ballad definitiva".

Chamar baladas poderosas de "power ballads " ocasionalmente gerou irritação entre jornalistas de música e cultura, mas isso é um resultado inevitável de uma etimologia pouco clara. O especialista e acadêmico David Metzer observa que o termo já era usado em 1970 na revista Billboard— para descrever a música de Tom Jones e Engelbert Humperdinck— e nunca foi aplicado exclusivamente ao rock. Leia também: quem fez os gols da argentina: o detalhe que mais repercutiu

" Power ballad " é mais bem compreendido como um termo independente de gênero para descrever músicas que seguem uma fórmula específica.

O elemento central dessa fórmula é a "escalada contínua", escreve Metzer na revista Popular Music, apontando Barry Manilow como um de seus primeiros adeptos por meio de sua produção pop dos anos 1970. De fato, canções de Manilow como Weekend in New England e Looks Like We Made It são marcadas por inícios discretos que conduzem a crescendos orquestrais e mudanças de tom culminantes. Outros sucessos pop dos anos 1970, como All By Myself, de Eric Carmen, e When I Need You, de Leo Sayer, também recorrem a essas convenções.

Ao entrar nos anos 1980, essa fórmula passou a ser explorada com mais intensidade e reinterpretada sob a ótica do rock (especialmente o soft rock) e do hair metal (um subgênero do heavy metal influenciado pela música pop). Antes do lançamento de Total Eclipse of the Heart, essas power ballads de orientação roqueira já estavam presentes nas paradas britânicas, mas ainda não eram dominantes. Apenas algumas haviam chegado ao top 10 no início dos anos 1980, entre elas Babe, do Styx (1980, pico na sexta posição);

Keep On Loving You, do REO Speedwagon (1981, pico na sétima); In the Air Tonight, de Phil Collins (1981, pico na segunda); Hard to Say I'm Sorry, do Chicago (1982, pico na quarta); e Africa, do Toto (1983, pico na terceira posição). O sucesso de soft rock Woman in Love (1980), de Barbra Streisand, que chegou ao topo das paradas, tangencia o status de power ballad, mas lhe falta a escalada dramática necessária.

Isso faria de Total Eclipse of the Heart, que alcançou o primeiro lugar em, a primeira power ballad de rock a liderar as paradas britânicas nos anos 1980. No entanto, classificar a música como uma "power ballad" parece insuficiente. Em termos de execução, dramaticidade e ousadia, ela supera todas as canções mencionadas que circulavam pelas paradas antes e depois de seu lançamento.

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