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- Author, Edison Veiga
- Role, De Bled (Eslovênia) para a BBC News Brasil
- Published Há 4 minutos
- Tempo de leitura: 10 min
Como uma boa história de impacto global, a do biquíni tem ingredientes de várias partes do mundo.
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Pensando apenas na sua criação e na sua consolidação inicial podemos citar a França, onde nasceu; as Ilhas Marshall, de onde pegou emprestado o nome; os Estados Unidos, cuja cultura pop o disseminou; o Brasil— país que acabou virando o habitat natural para a peça, principalmente graças às praias e à imagem do Rio de Janeiro e a Alemanha, onde nasceu a mulher pioneira na introdução da peça de vestuário no Brasil.
A sacada foi de um engenheiro mecânico francês de 50 anos que acabava de fazer uma inusitada mudança de carreira— deixava o ramo automobilístico para assumir a empresa de lingeries da mãe.
Trata-se de Louis Réard (1896-1984). Em julho de 1946, ele lançou um item que seria revolucionário para a moda mundial: uma roupa de praia feminina em duas peças, mais parecido com uma calcinha e um sutiã do que com os recatados maiôs que se usavam na época. Leia também: Controle, ameaças e cirurgia: minha vida na 'seita' de Jeffrey Epstein
"No lançamento, ele foi apresentado como o menor maiô do mundo", conta a designer de moda e historiadora Simone Ferreira de Albuquerque, professora na Universidade Federal do Piauí (UFPI).
Embora trajes de banho de duas peças já existissem, Réard reduziu ainda mais a quantidade de tecido, deixando o umbigo à mostra pela primeira vez.
Catorze anos antes do lançamento, o estilista francês Jacques Heim (1899-1967) havia tentado emplacar um maiô de duas peças semelhante, que ele chamou de átomo, em alusão às dimensões diminutas, mas não teve aderência nas clientes, resistentes a exibir as barriguinhas e os umbigos em público.
Autora do livro Marketing de Luxo Contemporâneo e professora de moda na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), a consultora Maya Mattiazzo também conta que existem registros semelhantes desde a Antiguidade, com mulheres "usando peças semelhantes a um top e uma calcinha", só que diferentes dos biquínis modernos.
Mas foi mesmo o modelo de Réard que conseguiu "romper com os padrões morais da época", explica a jornalista especializada em moda Andreia Meneguete, professora e coordenadora acadêmica do hub de moda da ESPM. Mais de mundo

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E, se as notícias da época eram sobre testes nucleares que os Estados Unidos faziam no Atol de Bikini, nas Ilhas Marshall— em pleno Oceano Pacífico —, Réard decidiu que a invenção, bombástica que era, assumiria o mesmo nome.
Nenhuma modelo profissional topou trajar a novidade e aparecer seminua em público. Réard contratou então a dançarina Micheline Bernardini, que fazia shows eróticos no Casino de Paris, na França, e tinha de 18 para 19 anos. Leia também: 'Nicarágua virou a Coreia do Norte da América Latina': a reação diante
Mas essa história não é simples assim nem termina aí.

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"O biquíni já nasceu carregando um discurso de ruptura", comenta a professora Meneguete, da ESPM.

A chegada ao Brasil

Liberdade ou sexualização do corpo feminino?


O biquíni na moda, década a década
- Da criação até a virada dos anos 1950

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