O matemático 'guru das Copas' que previu confronto entre Brasil e Japão
Ler matéria →Big techs exploram e vendem nossas vulnerabilidades emocionais, diz pesquisadora britânica

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Antes mesmo de familiares e amigos, as plataformas digitais provavelmente sabem se você vai casar ou está grávida. Sabem quais tênis serão tendência entre adolescentes. E, segundo a pesquisadora britânica Kaitlyn Regehr, também conseguem identificar quando uma criança apresenta sinais de automutilação ou risco de suicídio.
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"É errado assumir que formas de proteção não poderiam ser implementadas. Elas poderiam, sim— se fossem obrigadas", afirmou à BBC News Brasil a autora de Nação Smartphone, lançado no Brasil em março pela editora Vestígio.
Nesta segunda-feira (15/6), o Reino Unido anunciou que vai proibir menores de 16 anos de usar as principais plataformas de redes sociais, incluindo TikTok, Facebook, Instagram e X, o antigo Twitter.
Crianças e parte dos adolescentes também não poderão mais fazer transmissões ao vivo nem conversar com estranhos em aplicativos de jogos. A regulamentação deve ser implementada até o Natal, com efeitos práticos previstos para o início de 2027, segundo o primeiro-ministro. Leia também: O matemático 'guru das Copas' que previu confronto entre Brasil e Japão
No Brasil, o debate sobre a regulamentação das big techs também ganhou novo impulso. No dia 20 de maio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou dois decretos que ampliam a fiscalização sobre redes sociais e regulamentam decisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o Marco Civil da Internet.
As medidas dão à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), ligada ao Ministério da Justiça, poder para monitorar se empresas estão cumprindo obrigações estabelecidas pela Corte, incluindo atuação proativa contra conteúdos relacionados a crimes graves, como indução ao suicídio, terrorismo e violência contra mulheres.
O movimento é visto pelo governo como uma tentativa de avançar sobre um tema que travou no Congresso com o chamado PL das Fake News. Em 2023, grandes empresas como o Google já haviam travaram uma batalha contra a PL 2630— um projeto que estipulava regulamentação e fiscalização de plataformas digitais.
Já a oposição afirma que os decretos abrem espaço para censura indireta e criam insegurança jurídica ao impor obrigações às plataformas sem aprovação do Legislativo.
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O debate ocorre em meio a uma pressão crescente, no exterior, para responsabilizar empresas de tecnologia não apenas pelo conteúdo publicado nas redes, mas também pelo funcionamento de algoritmos e sistemas de recomendação.
Em março, em uma decisão considerada histórica, um júri popular na Califórnia concluiu que Meta e Google contribuíram para uma crise de saúde mental entre jovens por meio do design do Instagram e do YouTube. Leia também: Imagens de antes e depois obtidas com satélites mostram devastação deixada
O processo foi movido por uma jovem que afirmou ter desenvolvido dependência das plataformas ainda na infância e sofrido de dismorfia corporal, depressão e pensamentos suicidas. As empresas foram condenadas a pagar US$ 6 milhões em indenização.
Para Regehr, o caso representa um marco porque desloca o foco do debate sobre liberdade de expressão para o funcionamento das próprias plataformas— especialmente seus sistemas algorítmicos de recomendação.
"Não se tratava do direito de alguém publicar sua jornada suicida, mas se a Meta tinha o direito de oferecer algoritmicamente esse conteúdo a uma criança", afirmou.
Regehr atua diretamente na formulação de políticas públicas e colaborou com o Online Safety Act (Lei de Segurança Online, na tradução para o português), legislação aprovada no Reino Unido em 2023 que obriga plataformas digitais a proteger usuários de conteúdos ilegais e nocivos, com foco especial em crianças e adolescentes.
Segundo ela, o modelo de negócios das redes sociais é estruturado justamente para maximizar atenção— ainda que isso signifique amplificar conteúdos nocivos, polarização e vulnerabilidades emocionais.




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