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Bial e Uirá Machado debatem biografias de grandes esportistas na Feira do Livro

Ao lado do estádio do Pacaembu, os jornalistas Pedro Bial e Uirá Machado se reuniram na Feira do Livro, no fim da tarde desta segunda, para lembrar que esporte vai muito

Bial e Uirá Machado debatem biografias de grandes esportistas na Feira do Livro

Ao lado do estádio do Pacaembu, os jornalistas Pedro Bial e Uirá Machado se reuniram na Feira do Livro, no fim da tarde desta segunda, para lembrar que esporte vai muito além de futebol. Com Bial, autor de "Isabel do Vôlei da Vida", e Machado, que escreveu "Entre Bispos e Reis: A Trajetória de Mequinho, um Gênio Brasileiro do Xadrez", a mesa já começou provocativa quando a mediadora Anita Efraim levantou a questão: " Mas xadrez é esporte?

" O jornalista da Folha e biógrafo de Mequinho —considerado o maior enxadrista da história do Brasil— respondeu que sim. "

Leia no AINotícia: Panorama do Entretenimento: Copa, TV e Cultura

O xadrez é o esporte da mente, mas meu livro não é sobre xadrez nem esporte, é sobre seres humanos. " Machado disse saber reconhecer uma boa pauta e escreveu o livro mais intrigado pela história do que pelo esporte em si.

Bial, por outro lado, discordou da afirmação do colega. Segundo ele, todo esporte é mental. Como exemplo citou João Fonseca, o maior tenista brasileiro em atividade, que vem obtendo feitos inéditos ao mesmo tempo em que também tem derrotas.

O mesmo acontecia com sua biografada, Isabel. Sem grandes títulos ou medalha olímpica, como lembrou Bial, ela ensinou muito ao Brasil por meio das derrotas. A atleta, morta em 2022, ficou conhecida por seu senso de coletividade em quadra e, fora dela, se tornou uma das grandes figuras da redemocratização no país. Leia também: Ronin Café vai deixar a Barra Funda e inaugurar espaço maior na Santa Cecília

"Seria impossível mascarar meu amor por ela", respondeu o autor, que era amigo da jogadora e chegou a namorá-la –essa última parte não contada no livro. Já Machado disse ter "uma relação estranha" com seu biografado, que hoje tem 74 anos. Mequinho desistiu de dar uma entrevista para o livro depois de já ter aceitado e chegou a ligar para o autor pedindo que parasse de escrever.

" Ele disse não ter nenhum interesse nesse livro", afirmou o biógrafo. Acostumado a estar do outro lado da dinâmica de entrevistas, Bial propôs perguntas ao colega e a si próprio, levando o público aos risos.

" O entrevistador aqui é ele", brincou a mediadora. Mais tarde, os visitantes que resistiram ao frio se reuniram para ouvir um vencedor do Pulitzer, o americano Charles Duhigg, conversar com a jornalista Cris Naumovs.

O autor americano trouxe à feira suas duas obras mais famosas, "Supercomunidadores" e " O Poder do Hábito" —que já vendeu mais de 1 milhão de cópias só no Brasil. Respondendo a uma pergunta sobre ser possível mudar realmente de hábitos ou só contorná-los, Duhigg mostrou o mesmo otimismo que transparece em seus livros –podemos melhorar tudo. Mais de entretenimento

" Nós temos o controle sobre o que acontece dentro da nossa cabeça", disse o autor. Apesar da barreira de linguagem, Duhigg interagiu bastante com a plateia e pediu várias vezes que respondessem às suas perguntas levantando as mãos.

O autor perguntou sobre meditação, redes sociais e práticas esportivas. Mas, quando perguntou se os presentes costumam discutir seus sentimentos, poucos levantaram a mão. Duhigg apontou que os brasileiros são mais avessos a conflitos.

Seu conselho para isso é: " Quando estiver furioso, fique curioso". Leia também: 'Às vezes, a autocensura é boa', diz Fernanda Torres, que retoma peça ousada

Ou seja, ao sentir algo, antes de agir, melhor entender o que está por trás dessa emoção. Para melhorar a convivência com quem pensa diferente, em tempos de polarização política, sua solução é uma versão do famoso "fake it till you make it" (finja até dar certo). "

Se você fingir ter empatia por um tempo longo o suficiente, você se tornará empático. " Muitas vezes, segundo ele, as pessoas que cospem ódio só estão frustradas e não sabem o que fazer com esse sentimento.

" Mas você não precisa conversar com alguém se não quiser", lembrou ele. A segunda-feira na praça Charles Miller teve bem menos público que o fim de semana, quando a maior parte das mesas ficou cheia e algumas lotaram até o gramado em frente ao telão.

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