Governo aumenta participões da União no FGI e no FGO, segundo o DOU
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Leandro Prazeres
Brasília | BBC News Brasil
Durante a Copa do Mundo, houve aumento no número de pessoas pedindo para se autoexcluírem de plataformas de apostas
O Brasil registrou uma "explosão" no número de pessoas que pediram sua autoexclusão de plataformas de apostas online, conhecidas como bets, durante o período da Copa do Mundo, revelam dados da SPA (Secretaria de Prêmios e Apostas) do Ministério da Fazenda, obtidos com exclusividade pela BBC News Brasil.
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O levantamento aponta que, nas primeiras duas semanas da competição, houve um crescimento de 588% no número médio diário de pedidos de autoexclusão na comparação com um período equivalente do mês de maio, antes da Copa.
Depois de processados, os pedidos impedem que essas pessoas utilizem seus CPFs para apostar em bets legalmente autorizadas a funcionar.
A Copa do Mundo começou em 11 de junho, mas os dados fornecidos pela SPA abrangem somente o período entre os dias 15 e 28 daquele mês. Leia também: Adoecimento por bets afeta empresas com faltas, funcionários endividados
Os dados completos do torneio ainda serão contabilizados. Também estão sendo contabilizados os números de novos usuários que se cadastraram para apostar durante o torneio.
Entidades consultadas pela BBC News Brasil atribuem parte do aumento nos pedidos de autoexclusão ao receio de apostadores de agravarem problemas relacionados ao jogo compulsivo durante um evento que, neste ano, foi marcado pela intensa de bets por conta da regulamentação da atividade, ocorrida em 2023.
Esta foi, portanto, a primeira Copa do Mundo com o mercado de bets regulamentado no Brasil.
Segundo esses grupos, parte dos pedidos também pode ter sido feita por pessoas que ainda não apresentavam um quadro de compulsão, mas que decidiram se proteger para evitar ingressar ou se aprofundar nesse universo.
Para a SPA, o aumento é resultado de uma combinação entre a maior exposição do público às apostas durante o torneio, a divulgação da plataforma de autoexclusão entre usuários e o crescimento da conscientização sobre os riscos financeiros e emocionais associados ao jogo. Mais de economia
Representantes do setor de apostas legalizadas dizem que o crescimento dos pedidos de autoexclusão deve ser analisado com cautela e que ele não necessariamente indicaria um aumento dos casos de jogo compulsivo.
Em notas enviadas à BBC News Brasil, a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) avaliam que o avanço também refletiria a maior divulgação da ferramenta, seu uso preventivo por parte dos usuários e a ampliação dos mecanismos de proteção disponíveis no mercado regulado.
QUASE 18 MIL PEDIDOS POR DIA
Em números absolutos, foram registrados 211.222 pedidos a mais de autoexclusão durante o período da Copa analisado pela SPA em relação ao mês anterior. Leia também: Demitir trabalhador por vício em bets traz custos a empresa e pode render ação
A diferença ocorreu mesmo com o recorte de junho tendo um dia a menos: foram 14 dias, entre 15 e 28 de junho, contra 15 dias no período de 11 a 25 de maio.
Os dados também apontam uma mudança nos motivos que teriam levado os usuários a solicitar o bloqueio.
Antes da Copa, o principal motivo para a autoexclusão era a perda de controle sobre o jogo, como mostra o ranking abaixo:
- Perda de controle sobre o jogo (43,56%)
- Motivo não informado (16,1%)
- Dificuldades financeiras (14,07%)
- Decisão voluntária (12,68%)
- Prevenção contra uso de dados (12,08%)
- Recomendação médica (1,52%)
- Prevenção contra uso de dados (29,5%)
- Perda de controle sobre o jogo (24,13%)
- Decisão voluntária (18,93%)
- Motivo não informado (15,31%)
- Dificuldades financeiras (10,91%)
- Recomendação médica (1,22%)
Para entidades que acompanham os impactos das apostas, essa mudança de perfil sugere que o crescimento da autoexclusão não ocorreu apenas entre pessoas que já enfrentavam problemas relacionados ao jogo compulsivo.
Parte dos novos pedidos, segundo essas organizações, pode ter partido de usuários que decidiram se bloquear preventivamente diante da maior exposição às apostas durante a Copa do Mundo e do temor de que seus dados sejam utilizados de forma indevida por essas empresas.
'MEDO DE PERDER O CONTROLE'
IMPACTO DEPOIS DA COPA
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