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O Banco Central do Brasil (BC) divulgou os dados do Sistema de Informações de Crédito (SCR) referentes a abril de 2026, que registrou uma ligeira desaceleração nas originações (processo de criação e estruturação de operações financeiras, segundo a StoneX) e um leve avanço nos índices de inadimplência.
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Analistas de bancos de investimentos mostram que o documento do BC possui dinâmicas opostas entre os grandes bancos tradicionais e os novos digitais.
De acordo com os documentos do Goldman Sachs e Itaú BBA, o avanço da inadimplência no balanço geral do país reflete, majoritariamente, a mudança estrutural do mercado bancário nos últimos cinco anos.
O BBA aponta que a expansão de fintechs e bancos digitais criou uma nova fatia de mercado voltada a clientes de maior risco e menor renda, gerando um impacto direto nas manchetes sobre o endividamento das famílias. Leia também: Azul anuncia que terá ações negociadas na Nyse American, em Nova York
“Descobrimos que os números do BCB são cada vez mais influenciados pela crescente relevância de players que operam (muitas vezes de forma muito lucrativa) com índices de NPL observados mais altos”, diz o relatório. NPL é a sigla para Non-Performing Loans, indicador que mede a taxa de inadimplência de créditos vencidos.
Fintechs sobem média do sistema
Ainda segundo a análise do Itaú BBA, as empresas que não fazem parte do grupo S1, ou seja, nível regulatório que inclui os grandes bancos tradicionais com proporção de ativos em relação ao PIB acima de 10%, respondem hoje por 55% de todo o estoque de inadimplência em cartões de crédito, apesar de deterem 45% da carteira nacional do produto. Nos empréstimos pessoais, o padrão é semelhante, com o segmento não-S1 concentrando 60% dos atrasos para uma fatia de 55% da carteira.
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“Quando isolamos o S1 (ou seja, os grandes incumbentes), a qualidade do crédito na verdade vem melhorando”, afirmam os analistas. O documento também aponta que as instituições tradicionais reduziram sua exposição a linhas de consumo sem garantia em relação ao PIB e migraram o crescimento para o crédito direcionado.
Essa leitura sobre a concentração do crescimento nos novos players é complementada pelo Goldman Sachs, que joga luz sobre o papel de liderança do Nubank (BDR: ROXO34, NYSE: NU) dentro dessa dinâmica. Mais de economia
Os analistas do Goldman apontam que a fintech “respondeu por menos do que a originação líquida total de crédito do S2 no quatro trimestre de 2025 (4T25, mas superou a originação líquida total do grupo no primeiro trimestre de 2026 (1T26), ressaltando a contribuição desproporcional do NU para o crescimento recente do S2”.
A tese do BBA, em essência, fala que o movimento pode ser considerado um “rebalanceamento de carteira”, que deve funcionar como um colchão de proteção contra eventuais deteriorações do ambiente macroeconômico brasileiro.
Essa força na linha de frente ajuda a explicar os movimentos regulatórios mapeados pelas casas de análise. Em abril, o índice que mede a taxa de inadimplência de créditos vencidos (NPL) para cartões de crédito no segmento S1 registrou queda de 10 pontos-base, recuando para 7,0%, evidenciando a blindagem das grandes carteiras. Leia também: Panorama Econômico: Inflação, Geopolítica e Mercados
Em contrapartida, o indicador para o grupo S2, que é a faixa regulatória que abriga instituições financeiras de médio porte com ativos entre 1% e 10% do PIB, subiu 30 pontos-base, atingindo 10,5%.
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Desaceleração nas concessões
Sobre a alta do NPL no grupo S2, os analistas do Goldman Sachs lembram que “as instituições mostram alguma desaceleração no crescimento do crédito em cartões de crédito e empréstimos pessoais, mas ainda crescendo em uma base sequencial”. O Nubank representa 78% do saldo de cartões e 66% dos empréstimos pessoais do S2.
Em relação ao volume de concessões, a originação líquida total de crédito do segmento S2 recuou para R$ 2,9 bilhões em abril, vinda de uma média mensal de R$ 4,1 bilhões no primeiro trimestre.
Os analistas do Goldman Sachs pontuam que a produção de cartões ficou estável em R$ 2,0 bilhões, mas os empréstimos pessoais caíram de R$ 2,0 bilhões por mês para R$ 0,9 bilhão. Eles também relembram que a forte originação da fintech no fim de 2025 e início de 2026 criou bases elevadas de comparação.
Radiografia da inadimplência por faixas de renda
Dados rurais e imobiliários
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