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Azimut, de iates de luxo, vê demanda crescente por barcos de R$ 90 milhões

Felipe Mendes A italiana Azimut Yachts , companhia náutica focada em iates de luxo , está comemorando as primeiras vendas do seu modelo Grande 30 Metri no Brasil

Azimut, de iates de luxo, vê demanda crescente por barcos de R$ 90 milhões no
Felipe Mendes

A italiana Azimut Yachts, companhia náutica focada em iates de luxo, está comemorando as primeiras vendas do seu modelo Grande 30 Metri no Brasil. O modelo, que pode ser encontrado por preço a partir de R$ 90 milhões e só será entregue no fim de 2028, já foi encomendado por dois moradores do estado de São Paulo.

A Azimut está investindo mais de R$ 120 milhões para ampliar seu estaleiro em Itajaí, Santa Catarina. O complexo da empresa possui atualmente uma área industrial de aproximadamente 40.000 m² e deverá atingir 68.000 m² após a expansão. O aporte está ligado à produção de barcos com maior custo agregado e ao potencial de exportação para países vizinhos, sobretudo a Argentina.

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Iate branco e preto com design contemporâneo navegando em águas calmas próximas a uma costa verdejante sob céu parcialmente nublado.
O modelo Grande 30 Metri, da italiana Azimut Yachts - Divulgação

"A faixa de pessoas com maior poder aquisitivo está crescendo no Brasil. Essa faixa de pessoas está pedindo barcos maiores, não somente melhores, por isso estamos trazendo o 30 Metri para o Brasil", disse à coluna o italiano Carlo Alberto Sisto, CEO da Azimut Yachts no Brasil. Leia também: Vender a empresa por US$ 400 milhões? Ele preferiu doá-la

Cada unidade do Metri 30 é customizada ao gosto do cliente. Apesar de dimensões semelhantes aos modelos italianos, os iates comercializados no Brasil têm suas particularidades. "O povo brasileiro gosta muito de socializar, de ficar juntos com amigos e famílias. Ele gosta de uma popa maior, com uma área para comida e outra para bebida. Na Europa, não há essa separação", diz Sisto.

O executivo aponta que não há um estereótipo de consumidor bem definido no país. Na seleta lista de clientes da companhia no país constam nomes como o do futebolista Thiago Silva, ídolo do Fluminense e ex-capitão da seleção brasileira, e do empresário do ramo da moda Jorge Bischoff. "Há de tudo: empresários, comerciantes, bancários, advogados, todo tipo de artistas e esportistas", afirma.

A Azimut Yachts pretende alcançar um faturamento de R$ 1 bilhão no país. Em 2025, a empresa obteve uma receita bruta de R$ 700 milhões. Parte desse crescimento das receitas deverá passar pela ampliação do volume de embarcações exportadas para outros países da região. Hoje, 40 barcos são produzidos anualmente a partir de Itajaí. Desse montante, cerca de 10% é destinado à exportação para países vizinhos, como Argentina, Uruguai, Colômbia e Venezuela.

"A expansão do estaleiro foi feita não somente pela 30 Metri, porque no novo galpão iremos fazer todos os barcos, mas justamente a partir de uma perspectiva de crescimento dos mercados de exportação, porque o Brasil, em dado momento, pode ter uma parada, que faz parte do ciclo econômico de todos os países, então a gente tem que ter certeza que tem outros países que vão comprar barcos se o Brasil estagnar", projeta. "A nossa ideia é que a participação da exportação na nossa receita chegue a 30%." Mais de economia

Para a exportação, o foco é a venda de iates menores. O Atlantis 51, modelo de ‘entrada’ da companhia, tem um valor estimado a partir de R$ 10,9 milhões. Na linha de grandes iates, o Azimut Grande 25 Metri não sai por menos de R$ 45 milhões, enquanto o 27 Metri demanda um investimento de R$ 45 milhões. Leia também: Economia em Panorama: IA, Crise Argentina e Dicas de Viagem

Antes isento da cobrança de impostos, os iates particulares agora podem ser alvo de cobranças de IPVA por parte dos estados. O governo de Santa Catarina, estado polo do turismo náutico, recuou da cobrança de um tributo estadual após anunciar uma reforma, em 2024.

Para o CEO da Azimut Yachts no Brasil, a tributação, se implementada, poderia prejudicar a geração de empregos no setor. "Se essas reformas tributárias assustarem quem vai comprar os barcos e, por isso, a demanda cair, serão milhares de pessoas que vão ser afetadas. É uma cadeia gigantesca de pessoas que trabalham todo dia para sustentar suas famílias", diz Sisto. "Dois barcos a menos de produção já seria o equivalente a 60 pessoas a menos para o que um estaleiro precisa."

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