O ator Juliano Cazarré é um querido amigo. Porém, não escrevo estas linhas movida por amizade pessoal. Escrevo como mulher, mãe e cidadã que reconhece, com clareza e gratidão, a necessidade vital de homens como ele em nossa sociedade.
Homens integrais, responsáveis, enraizados em valores permanentes e corajosos o suficiente para nadar contra a corrente da histeria contemporânea. Escrevo como alguém que entende, com absoluta convicção, a necessidade de homens como ele em uma sociedade que parece cada vez mais desconfortável com a própria ideia de masculinidade. Esta semana, Cazarré anunciou o evento
O Farol e a Forja, um retiro de três dias voltado exclusivamente para homens que desejam recuperar propósito, disciplina, liderança familiar, fé e uma masculinidade madura. A resposta foi imediata e feroz: cancelamento em massa, especialmente vindo de setores da classe artística e dos mesmos ativistas de plantão que demonizam valores familiares e eternos. Acusações graves, machismo, misoginia, “evento que mata mulheres”, foram lançadas como se o simples ato de convidar homens a se tornarem melhores fosse, em si, um crime contra a humanidade.
O que aconteceu com Cazarré nesta semana não foi um episódio isolado. Foi um ritual. Um daqueles momentos em que a máquina de cancelamento se move com velocidade, previsível, quase automática, contra qualquer tentativa de resgatar princípios que, até pouco tempo atrás, eram considerados não apenas legítimos, mas necessários.
O episódio desta semana não é um fato isolado, nem um ruído circunstancial. É, ao contrário, mais um capítulo de um movimento mais profundo e persistente que tenta redefinir — ou, em muitos casos, simplesmente deslegitimar — o papel do homem no mundo contemporâneo. Há, nessa reação, algo que vai muito além da discordância.
Existe uma recusa sistemática em aceitar que a masculinidade possa existir fora dos rótulos que lhe foram impostos nos últimos anos. Ao longo de décadas, assistimos à construção de uma narrativa que funde, de maneira deliberada, masculinidade e violência, como se uma fosse consequência inevitável da outra. Trata-se de uma simplificação perigosa, que ignora nuances, apaga distinções fundamentais e, no limite, compromete a própria capacidade da sociedade de identificar e combater aquilo que realmente deve ser combatido. Leia também: Ex-ator mirim Fabiano Thomas Vannucci morre aos 53 anos, e famosos lamentam a perda: 'Dias bem tristes'
Mas o episódio da semana não diz respeito apenas a Juliano. Ele expõe algo muito mais profundo: o desconforto visceral que parte da cultura atual sente diante de qualquer proposta que afirme, sem culpa, o valor da masculinidade boa e necessária. Vivemos, de fato, um tempo de demonização sistemática do sexo masculino.
A masculinidade, essa força civilizatória que construiu nações, protegeu famílias, explorou continentes, enfrentou tiranias e ergueu o Ocidente como o lugar mais seguro e próspero para as mulheres na história da humanidade, foi reduzida a um conceito suspeito. Machismo e masculinidade foram jogados no mesmo balaio. Em vez de separar o abusador do protetor, o covarde do homem de caráter, optou-se pelo veredito coletivo: o problema é ser homem.
E um homem sem direção não se torna automaticamente melhor; torna-se apenas mais vulnerável ao caos. Uma sociedade que trata seus homens como um problema a ser contido, em vez de uma força a ser formada, inevitavelmente paga o preço dessa escolha.
Como mulher, confesso ter vergonha de muitas vozes femininas que, hoje, dirigem sua fúria mais violenta contra os homens que, exatamente por sua masculinidade orientada para a proteção e a responsabilidade, permitiram às mulheres as maiores liberdades já conhecidas. As mesmas que vociferam esta semana contra Cazarré relativizam opressões brutais em culturas onde mulheres não podem votar ou estudar e meninas são mutiladas genitalmente, casadas na infância, impedidas de estudar ou mortas por “honra”. Foram homens como Cazarré — pais, maridos, irmãos, soldados, legisladores — que lutaram, muitas vezes com a própria vida, para que hoje possamos votar, estudar, trabalhar, escolher não ter filhos ou realizar qualquer projeto pessoal.
Essa liberdade não foi um presente da natureza nem fruto exclusivo de movimentos feministas. Foi conquistada, defendida e sustentada, em grande parte, pela melhor versão da masculinidade. Ao longo da história, os momentos de maior estabilidade e prosperidade estiveram associados não à ausência de homens fortes, mas à presença de homens responsáveis. Mais de entretenimento
Homens que compreenderam seu papel não como instrumento de domínio, mas como dever de proteção. Homens que assumiram responsabilidades que iam além de si mesmos — pela família, pela comunidade, pela própria civilização. Quando o presidente Ronald Reagan, em 1984, homenageou os soldados que participaram do desembarque na Normandia na Segunda Guerra Mundial, ele não falou de poder, nem de superioridade.
Falou de fé, lealdade e amor. Valores simples, quase silenciosos, mas que sustentam atos extraordinários. Aqueles jovens não foram movidos pelo desejo de impor algo ao mundo, mas pela disposição de proteger aquilo que deixavam para trás. Leia também: A resposta de Samira sobre o fim da amizade com Juliano após o BBB 26
É nesse tipo de força — discreta, firme, orientada — que reside a essência da masculinidade que hoje tantos insistem em ignorar. Juliano Cazarré, pai dedicado de seis filhos, marido presente, homem convertido e convicto, encarna essa masculinidade. Ele não prega dominação nem submissão.
Defende responsabilidade, papéis complementares, paternidade ativa, disciplina e homens que não fogem do peso de serem provedores emocionais, espirituais e materiais da família. Exatamente o oposto do que a cultura atual celebra: homens hesitantes, envergonhados de sua natureza, que pedem desculpas por existirem e que abdicam da liderança natural no lar. Talvez o incômodo contemporâneo com essa ideia venha exatamente daí.
Homens que não se encaixam na caricatura esperada tornam-se desconfortáveis. Homens que não pedem desculpas por existir, que não performam culpa coletiva, que não se submetem à necessidade constante de validação pública passam a ser vistos como ameaça. Não porque sejam perigosos, mas porque são independentes.
E a independência, em um ambiente cada vez mais orientado pela aprovação coletiva, tornou-se um gesto de resistência. Numa sociedade onde o coletivo engoliu o indivíduo, onde responsabilidade pessoal virou “privilégio opressor”, os homens estão sendo cobrados por pecados que não cometeram, por dívidas históricas que não contraíram e por um futuro que ainda não existe. Exige-se que peçam perdão simplesmente por serem homens: não conversem, não se reúnam, não rezem, não protejam, não ajam, não cobrem, não existam!
Apenas encostem-se ali ao lado, finjam ser partes de uma sociedade doente e cada vez mais fraca e assistam de camarote à queda da civilização ocidental. Tenho poucas certezas absolutas na vida, mas uma delas permanece inabalável: existem milhões de mulheres que sabem exatamente o valor de homens bons. Que reconhecem, ainda que em silêncio, o papel desempenhado por pais, maridos, filhos e amigos que sustentam, muitas vezes sem reconhecimento, a estrutura invisível que permite à sociedade funcionar.
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