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Atlético: Depois do 4X0 pro Flamengo o que fica de pé

Aquele silêncio longo, arrastado, com cara de decisão já tomada

Atlético: Depois do 4X0 pro Flamengo o que fica de pé
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Eduardo Domínguez, técnico do Estudiantes, durante jogo contra o Flamengo na Libertadores
Eduardo Domínguez, técnico do Estudiantes, durante jogo contra o Flamengo na Libertadores Imagem: Ruano Carneiro/Getty Images

Confesso que, pela demora na coletiva, achei que vinha bomba. Aquele silêncio longo, arrastado, com cara de decisão já tomada. Pensei: Paulo Bracks vai cair e vão fritar o treinador, pois alguém vai pagar a conta. Porque depois de um 4x0, todo mundo sofre. Não tem blindagem que resista inteira a um placar desses.

Mas aí veio o contrário. Veio o raro. O Atlético resolveu segurar a onda. Bancou o técnico, o projeto do argentino, foi na contramão dessa era meio apressada, quase industrial, de moer treinador a cada tropeço. E isso, por si só, já diz muito.

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Não é como se o clube não soubesse que continuidade funciona. Soube lá atrás, quando deu tempo e respaldo pro Cuca construir um time campeão. Não foi no susto, nem na troca constante foi no processo.

E aí inevitável lembrar do Palmeiras, quando a pressão bateu na porta, e a Leila Pereira escolheu não ceder ao barulho. Segurou o Abel Ferreira, ouviu cobrança, e deixou claro: não se ganha sempre. Na mesma linha, o Anderson Barros apareceu, assumiu falhas, mas reafirmou o caminho. Não era negação da realidade, era compromisso com o projeto.

Dentro das proporções, o Atlético fez algo parecido. O Bracks, mesmo balançado com a torcida, foi o primeiro a falar, tentou organizar a bagunça, explicou o caso do Hulk, trouxe um mínimo de lógica pra um ambiente que já estava emocionalmente comprometido. Depois veio o treinador, o Domínguez, visivelmente afetado, análise meio embaralhada mas também compreensível. Em noite assim, nem o discurso encaixa direito. Mais de esporte

E talvez seja aí que entre o ponto mais humano de tudo isso. O caso Hulk precisa de menos peso, menos dramaticidade. Atlético e Hulk precisam ser felizes mesmo que separados. Nem tudo precisa virar ruptura, mas também não adianta forçar permanência quando o desgaste já é evidente. Ele é ídolo, vencedor! E não merece sair com nenhuma rusga ou com a imagem desgastada. Merece respeito e identidade preservada. Futebol, às vezes, é como relacionamento longo: se não está bom pra nenhum dos lados, insistir só machuca mais. A história linda jamais será apagada, Leia também: Palmeiras vence Bragantino por 1 a 0 e mantém liderança no Brasileirão

No fim, ficou a sensação de que o 4x0 machucou e muito, ainda mais se tratando de um Flamengo. Entretanto, parece que não desorganizou tudo. E, no futebol de hoje, isso já é quase uma vitória silenciosa.

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