Bolsa oferece cobertura da COP31 na Turquia para jornalistas de países
Ler matéria →
Rio de Janeiro
Quantas vezes a jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, será atirada da ponte do Esqueleto, em Limeira. Se depender da falta de empatia do público e da ganância de sites e páginas de entretenimento que mercantilizam o horror e transformam a tragédia em espetáculo, isso ainda vai durar muitos dias. A jovem foi morta várias vezes e de diversas formas.
Primeiro, foi vítima da negligência brutal de um país mambembe que se equilibra em puxadinhos, corrupção, obras inacabadas, leis que não funcionam e fiscalizações que não são feitas. No dia 13 de junho, instrutores a lançaram num abismo durante um salto de rope jump. Uma falha grosseira, letal, e totalmente evitável. Leia também: Pré-candidato do PL ao Senado em SP diz que Eduardo seguirá como suplente
Leia no AINotícia: Política: Panorama da Semana com Extradição de Zambelli, IA no TSE e Copa
Mas a morte de Maria Eduarda não terminou no chão. Ela continua acontecendo nas redes, onde o luto deu lugar a crimes explícitos como atentar contra a honra da memória, apologia à violência sexual e uma nojenta incitação ao vilipêndio do seu cadáver. Bastou que a foto da garota, bonita e cheia de vida ganhasse a internet para que o esgoto digital projetasse nela fantasias abjetas, ignorando a tragédia. Esse sadismo não se restringe a grupos de red pill, nasce do homem comum, que enxerga no corpo feminino, mesmo sem vida, um objeto de abuso e de descarte.
É a definição mais pura da misoginia. Para quem ainda não entendeu do que se trata, basta um teste simples de gênero. Se a vítima fosse um homem, seria alvo de fantasias sexuais e de deboche? Claro que não. O corpo masculino é poupado dessa degradação. Já a tragédia da mulher vira entretenimento, fetiche, para gerar cliques e alimentar o voyeurismo de uma parte da sociedade que é capaz de consumir a morte como pornografia. Mais de politica
Por trás disso, plataformas como o X lavam as mãos e faturam alto. Hospedam, recomendam, monetizam a profanação sob o pretexto da "liberdade de expressão". Não há opinião no escárnio a quem morreu. Tolerar necrofilia digital por engajamento é cumplicidade comercial. A morte pede o avesso do espetáculo. Que a família de Maria Eduarda encontre silêncio, respeito e justiça para seu luto. Leia também: Jornalista perseguido por Zambelli tem ordem de prisão em regime aberto
Tópicos relacionados
Leia tudo sobre o tema e siga:
- machismo
- mulher
- Leia outros artigos desta coluna
- Envie sua notícia
- Erramos?
- Ombudsman
Leia também no AINotícia
- Bolsa oferece cobertura da COP31 na Turquia para jornalistas de paísesPolitica · agora
- Jornalista perseguido por Zambelli tem ordem de prisão em regime abertoPolitica · 4h atrás
- Câmara de SP marca desinsetização para dia do jogo do Brasil, e maioriaPolitica · 11h atrás
- Lula discute veto à carne brasileira com líder da União Europeia e presidentePolitica · 3h atrás


