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As várias mortes da vítima da ponte

Rio de Janeiro Quantas vezes a jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas , de 21 anos, será atirada da ponte do Esqueleto , em Limeira

As várias mortes da vítima da ponte
Rio de Janeiro

Quantas vezes a jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, será atirada da ponte do Esqueleto, em Limeira. Se depender da falta de empatia do público e da ganância de sites e páginas de entretenimento que mercantilizam o horror e transformam a tragédia em espetáculo, isso ainda vai durar muitos dias. A jovem foi morta várias vezes e de diversas formas.

Primeiro, foi vítima da negligência brutal de um país mambembe que se equilibra em puxadinhos, corrupção, obras inacabadas, leis que não funcionam e fiscalizações que não são feitas. No dia 13 de junho, instrutores a lançaram num abismo durante um salto de rope jump. Uma falha grosseira, letal, e totalmente evitável. Leia também: Lula, que critica Flávio, já disse que facções devem ser combatidas

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Duas pessoas estão em uma prancha de salto de madeira suspensa sobre uma estrutura metálica azul, cercada por vegetação e área de terra ao redor.
Turistas durante a atividade de salto com corda, o rope jump, em Limeira, no interior de São Paulo - Rodrigo Ratochinski

Mas a morte de Maria Eduarda não terminou no chão. Ela continua acontecendo nas redes, onde o luto deu lugar a crimes explícitos como atentar contra a honra da memória, apologia à violência sexual e uma nojenta incitação ao vilipêndio do seu cadáver. Bastou que a foto da garota, bonita e cheia de vida ganhasse a internet para que o esgoto digital projetasse nela fantasias abjetas, ignorando a tragédia. Esse sadismo não se restringe a grupos de red pill, nasce do homem comum, que enxerga no corpo feminino, mesmo sem vida, um objeto de abuso e de descarte.

É a definição mais pura da misoginia. Para quem ainda não entendeu do que se trata, basta um teste simples de gênero. Se a vítima fosse um homem, seria alvo de fantasias sexuais e de deboche? Claro que não. O corpo masculino é poupado dessa degradação. Já a tragédia da mulher vira entretenimento, fetiche, para gerar cliques e alimentar o voyeurismo de uma parte da sociedade que é capaz de consumir a morte como pornografia. Mais de politica

Por trás disso, plataformas como o X lavam as mãos e faturam alto. Hospedam, recomendam, monetizam a profanação sob o pretexto da "liberdade de expressão". Não há opinião no escárnio a quem morreu. Tolerar necrofilia digital por engajamento é cumplicidade comercial. A morte pede o avesso do espetáculo. Que a família de Maria Eduarda encontre silêncio, respeito e justiça para seu luto. Leia também: Apreensão de arma de Bolsonaro reduz chance de Moraes prorrogar prisão

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