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As propostas de De la Espriella para a Colômbia, e como elas se comparam

As propostas de De la Espriella para a Colômbia, e como elas se comparam com as da direita tradicional Crédito, Archivo Particular Legenda da foto, De la Espriella se

As propostas de De la Espriella para a Colômbia, e como elas se comparam com as
As propostas de De la Espriella para a Colômbia, e como elas se comparam com as da direita tradicional
De la Espriella e Uribe

Crédito, Archivo Particular

Legenda da foto, De la Espriella se diz "mais uribista que Uribe"
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    • Author, Daniel Pardo
    • Role, Da BBC News Mundo
  • Published Há 3 horas
  • Tempo de leitura: 5 min

Há coisas de Abelardo de la Espriella— candidato vencedor das eleições de domingo (21/06) na Colômbia segundo a contagem preliminar dos votos— que parecem novas, mas são antigas. E há outras que, até mesmo para um país historicamente governado pela direita, são inéditas.

Leia no AINotícia: Mundo em foco: panorama

Querer retirar a Colômbia do sistema internacional de organizações multilaterais ou buscar legalizar o porte de armas, por exemplo, são algumas das propostas que o distanciam da direita liberal que governou o país por décadas.

De la Espriella, um advogado criminalista de 47 anos, herda dessa direita tradicional elementos como a defesa ferrenha da propriedade privada, o ceticismo em relação ao envolvimento do Estado na economia e a base eleitoral— localizada sobretudo nas áreas abastadas e urbanas da Colômbia andina.

Mas tão relevante quanto isso é o que o também membro e doador do Partido Republicano, nos EUA, identifica na nova direita inspirada por Donald Trump: a busca por segurança a qualquer custo, a desconfiança em relação a fronteiras abertas e o desprezo pelo mundo globalizado e liberal, representado por direitos como inclusão, aborto e casamento homossexual. Leia também: Coiotes, barcos e rotas na mata por U$ 10 mil: o que está por trás do número

Ninguém, talvez nem mesmo De la Espriella, imagina como será seu governo, não apenas porque ele, pragmático e imprevisível, costuma mudar suas opiniões em função de suas necessidades, mas também porque terá na oposição uma esquerda organizada no Congresso e nas ruas.

A Colômbia parece já ter vivido episódios como este, mas a partir de 7 de agosto entrará em terreno desconhecido.

Afinal, o que representa Abelardo "o Tigre" De La Espriella— e como ele se compara às direitas que governaram o país até a chegada de Gustavo Petro, o primeiro presidente de esquerda?

Abelardo de la Espriella.

Crédito, Getty Images

Mais 'iliberal' do que direitista

De la Espriella é chamado com frequência de político de extrema direita, mas ele gosta de dizer que é independente e representa a "coerência extrema". Mais de mundo

Isso porque seu grande inimigo, segundo ele, é— como no caso de Javier Milei, presidente da Argentina— "a casta", o "establishment tradicional", apesar de ele próprio ter se destacado como advogado de personagens polêmicos e midiáticos.

O principal traço de seu perfil ideológico é a ênfase na Segurança: ele propõe construir megaprisões, fortalecer as Forças Armadas e acabar com as negociações de paz com grupos armados.

Nesse sentido, ele se assemelha a Álvaro Uribe, presidente entre 2002 e 2010, mas com o componente visual que as novas direitas— por exemplo, Nayib Bukele, em El Salvador— introduziram: De la Espriella se apresenta em seus comícios com colete à prova de balas e um vidro blindado ao seu redor. Leia também: Governo do Irã usa defesaça na Copa como metáfora da guerra contra os EUA: 'É

Multidão de eleitores batendo continência

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, De la Espriella é tão militarista quanto as velhas direitas, mas de maneira mais provocadora

Em termos econômicos, ele adota uma linha semelhante à da direita tradicional, ainda que mais radical— ou ao menos mais vocal: redução do Estado, impostos baixos e apoio ao empresariado.

Depois, há o aspecto cultural— aquele que as novas direitas fortaleceram em sua cruzada contra o wokismo, o feminismo e o liberalismo, e que as direitas tradicionais também compartilham, mas não consideravam prioritário, em parte por seu caráter mais liberal.

De la Espriella, criador de um produto alinhado aos tempos das redes sociais e da inteligência artificial, declara-se contrário ao aborto, à eutanásia e à adoção homoparental. Na campanha, chegou a se gabar de seu órgão reprodutor, atacar jornalistas mulheres e desqualificar um candidato homossexual.

Mais do que de direita, De la Espriella pode ser qualificado como iliberal. E isso é, de fato, o que mais o distancia das direitas tradicionais colombianas.

Um Tesla em fazendo campanha por Abelardo

Mais uribista que Uribe

De la Espriella
Legenda da foto, O caráter de "showman" em tempos de redes é o que separa De la Espirella da direita mais tradicional e recatada
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