
Crédito, AFP via Getty Images
- Author, Julia Braun
- Role, Da BBC News Brasil em Londres
- Published Há 32 minutos
- Tempo de leitura: 8 min
Após o vazamento de mensagens e áudios pelo portal The Intercept Brasil, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) admitiu ter negociado com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, pagamentos para financiar um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
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Antes da publicação da reportagem, porém, Flávio Bolsonaro sustentava um discurso de associação entre o escândalo envolvendo o Master, o PT e a esquerda.
No último fim de semana, durante um evento da pré-campanha em Santa Catarina, o pré-candidato à Presidência usou uma camiseta com a inscrição "O Pix é do Bolsonaro; o Master é do Lula".
O senador também vinha defendendo a instauração de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) no Congresso para investigar o escândalo em torno de Vorcaro. Leia também: 'Flávio Bolsonaro acabou' e 'frenesi vai durar pouco': as reações de políticos
'Sim, tinha um contrato'
De acordo com a reportagem do The Intercept Brasil, Daniel Vorcaro teria repassado R$ 61 milhões para bancar a produção Dark Horse, que ainda não foi lançada. O repasse total acordado seria de US$ 24 milhões, o equivalente a cerca de R$ 134 milhões na época.
Diante dos atrasos para os pagamentos restantes, Flávio teria enviado mensagens para Vorcaro cobrando a liberação.
O banqueiro está preso, acusado de ter comandado fraudes bilionárias no Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central em novembro. No momento, ele negocia um acordo de delação premiada.
Após a revelação dos diálogos, Flávio admitiu que pediu dinheiro para Vorcaro e disse que se tratou de um "patrocínio privado para um filme privado".
Fim do Promoção Agregador de pesquisas
"É preciso separar os inocentes dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai", disse Flávio em uma nota divulgada na quarta-feira (13/05).
Em um vídeo, o senador afirmou ainda que conheceu Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando ainda não havia acusações contra o banqueiro, e quando o governo de Jair Bolsonaro já havia terminado. Leia também: Como as redes sociais reagiram à divulgação dos áudios entre Flávio Bolsonaro e
"Acontece que, com o passar do tempo, ele simplesmente parou de honrar com as parcelas do contrato. Sim, tinha um contrato", disse na mensagem.
Flávio afirmou ainda que não ofereceu nada em troca do financiamento. "Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro", disse.
O senador também voltou a cobrar a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito para investigar as suspeitas envolvendo Vorcaro: "CPI do Master Já."

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'Esse esquema é a cara da esquerda'
A declaração, contudo, contradiz falas recentes do próprio Flávio Bolsonaro sobre sua relação com Vorcaro.

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