Como estamos muito mais dispersos com os dispositivos móveis, acho que é mesmo importante ir à sala de cinema ou em casa, mas sem distrações, e mergulharmos naquilo que o autor nos propõe.
Na Primeira Guerra Mundial, uma das guerras mais mortíferas do século XX, um grupo de quase 100 portuguesas participaram na guerra. De onde vieram? Que família deixaram para trás? Por que foram e que sonhos e desejos tinham? O filme "Damas", já em exibição, resgata a história pouco conhecida das damas enfermeiras da Cruz Vermelha Portuguesa. Mulheres da alta sociedade que, em plena Primeira Guerra, departiram para a França com a missão de construir um hospital para apoiar o corpo expedicionário português. A dona deste olhar sensível e contemporâneo sobre um episódio praticamente desconhecido da participação feminina portuguesa na Primeira Guerra, é a realizadora Cláudia Alves, que se formou em cinema em Cuba e que trabalhou como realizadora e diretora de fotografia em vários documentários em Portugal, em Cuba e na Índia. Olá, Cláudia, e bem-hajas por ter aceitado este meu convite. Bem-vinda à Rádio Observador. É um grande prazer estar a falar contigo.
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Obrigada. Estou muito contente de estar aqui.
Há uma coisa muito curiosa, porque tu és da zona de Carnide, de Benfica, onde tu nasceste. Agora moras em Paris. Já há cinco anos foste para lá.
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Vai ser melhor.
Eu mudei-me porque a minha cara-metade teve uma proposta de trabalho lá.
Ah, ok. Foi para longe.
E eu acabei por acompanhar e estou muito feliz de viver em Paris. Acabei por ter também mais tempo para escrever, para pensar nos meus filmes, porque aqui acabava por me dispersar com outras atividades.
Muito bem. É muito engraçado, eu tenho que falar nisto, tu quando eras mais nova, estiveste neste MCE, Movimento Católico de Estudantes, tiveste catequese na tua paróquia e tu dizes sempre: "Isso foi muito importante para a formação dos meus ideais". De facto, os valores cristãos são cada vez mais importantes na vida de hoje em dia. Achas que o mundo precisa muito destes valores cristãos? És uma cuidadora nata, que é engraçado, é uma coisa que tu dizes: "Eu gosto de cuidar das pessoas". E isso nota-se muito na tua maneira de ser e muito na tua maneira de fazer este filme. Por isso é que eu pergunto: os valores cristãos são, de facto, uma coluna dorsal na tua vida? Mais de esporte
Acho que sim. E eu digo assim, sem dizer com mais certeza, só porque não sou uma católica praticante neste momento, mas acho que vivo os valores cristãos de uma maneira prática no dia a dia. Tento não trair aquilo que foi tradição da minha família, não por isso, mas porque acredito e tenho fé.
Muito giro a tua parte de Arouca. A família do teu pai é de Arouca, não é?
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É uma terra linda de morrer. Eu gosto imenso de Arouca. Tem lá um amigo meus, o Vasco Pinto, que a gente ia lá passar muitos fins de semana e de facto tem um mosteiro lindo, um convento lindo, tudo aquilo é extraordinário.
O rio.
O rio é muito bonito e aquelas quedas d'água e aquilo tudo, aquela serra, tudo aquilo é muito bonito, as morcelas doces e aquelas coisas.
Os doces conventuais.
Doces conventuais, o anho assado. E eu lembro-me de ver festivais de doces conventuais, uma vez fui lá ver um festival de doces conventuais e estavam as cozinheiras mascaradas de freiras nas cozinhas a fazer os doces. Achei aquilo fantástico.

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