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Art Basel terá clássicos de Cildo Meireles e Antonio Dias sobre o regime militar

O cardápio de quase verão na Suíça, onde colecionadores e a plebe nesta época do ano se juntam para mergulhar nas águas do Reno, o rio que corta Basileia, sempre traz no

Art Basel terá clássicos de Cildo Meireles e Antonio Dias sobre o regime militar

Não é o melhor dos mundos. O cardápio de quase verão na Suíça, onde colecionadores e a plebe nesta época do ano se juntam para mergulhar nas águas do Reno, o rio que corta Basileia, sempre traz no alto ostras e champanhe, mas o frescor pode vir de uma Coca-Cola com mensagens subliminares. No meio de trabalhos de milhões de dólares, uma das edições da série de garrafas subversivas do refrigerante americano, obra-prima de Cildo Meireles feita no auge da ditadura brasileira, estará à venda no maior rendez-vous do mercado de arte do planeta, que abre as portas nesta semana no país europeu.

Seus cascos da série "Inserções em Circuitos Ideológicos", hoje um ícone da contracultura e da resistência ao autoritarismo à brasileira, vão à feira Art Basel com a tal mensagem na garrafa, um libelo mercadológico, é claro, contra um mundo dilacerado. O artista ensina, passo a passo, em letras brancas contra o fundo escuro da Coca-Cola, como fazer um coquetel molotov, ou como explodir a ordem imposta do alto, o velho tudo isso que está aí, ou não.

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O kit de três garrafinhas, hoje com um apelo turbinado pelo mundo em chamas de Donald Trump, pode ser seu por US$ 80 mil, ou cerca de R$ 405 mil, na paulistana Gomide&Co. Essa mesma galeria, ao lado da também paulistana Nara Roesler, da milanesa Gió Marconi e da londrina Sprovieri, leva ao evento o trabalho mais caro de um brasileiro nesta edição, a série "The Illustration of Art", peça da cobiçada fase negra de Antonio Dias, por US$ 2,725 milhões, ou quase R$ 14 milhões. São duas séries de quadros mostradas frente a frente, uma delas com seis peças, retângulos pretos em que um quadrado aparece subtraído, deixando um vazio no canto direito superior, e outra quase igual, em que uma sétima tela aparece inteira, toda preta, o retrato do abismo que era nosso atoleiro de então e o que é ainda hoje, no auge de guerras fresquinhas e de uma polarização incandescente.

Dias, que teve uma mostra de peso em São Paulo no início do ano, na Gomide&Co, tem ainda uma obra da mesma fase à venda na feira por € 450 mil, ou cerca de R$ 2,6 milhões. Meireles, na paulistana Luisa Strina, tem outras peças em oferta a partir de US$ 50 mil, ou R$ 253 mil. FAROL ACESO

Artistas em alta na Bienal de Veneza, recém-aberta na Itália, também marcam presença na Art Basel. O chileno Alfredo Jaar, um dos nomes mais fortes na mostra principal do evento italiano, tem uma peça à venda por cerca de US$ 90 mil, ou R$ 455 mil, na Luisa Strina. A Mendes Wood DM, com sedes em São Paulo, Nova York, Paris e Bruxelas, tem à venda desenhos de Rosana Paulino, artista que representa o Brasil nesta Bienal de Veneza, ao lado de Adriana Varejão.

LANTERNA Nomes importantes da última Bienal de São Paulo também dão as caras na feira suíça. A Luisa Strina põe à venda pinturas de Juliana dos Santos, enquanto a paulistana Fortes D’Aloia & Mais de entretenimento

Gabriel tem trabalhos de Antonio Társis, por US$ 32 mil, ou R$ 162 mil, Márcia Falcão, por US$ 35 mil, ou R$ 177 mil, e da senegalesa Pélagie Gbaguidi, por € 48 mil, ou R$ 282 mil. O francês Pol Taburet também aparece na Mendes Wood DM. EM ALTA Artistas com mostras relevantes nos últimos tempos também tem obras à venda. Leia também: Homem morre em acidente durante gravações de série da Disney no Rio de Janeiro

O camaronês Pascale Marthine Tayou, que teve uma retrospectiva na Pinacoteca do Estado de São Paulo, aparece na seleção da galeria A Gentil Carioca, do Rio de Janeiro. Clarissa Tossin, com um trabalho na escalação da Luisa Strina, também teve mostra recente no Museu de Arte de São Paulo, o Masp.

A mesma galeria tem uma obra do espanhol Antoni Muntadas, que esteve no Sesc Pompeia. Comentários

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