Parlamentares dizem que relator negociou proposta em versão física para evitar vazamento. Deputado Rodrigo Gambale (Pode-SP) diz que enviou texto a líderes três vezes e que ‘todos têm participação’.
A Câmara dos Deputados aprovou nesta semana um projeto que estabelece uma série de benefícios aos partidos políticos em uma votação que ficou marcada pelo silêncio da maior parte dos parlamentares e um plenário vazio.
Às terças-feiras, os deputados costumam participar presencialmente das sessões de votações, o que não ocorreu na última semana.
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O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), chegou a presidir parte da sessão, mas deixou a Mesa Diretora antes da votação do projeto.
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A proposta foi incluída pelo presidente na pauta na tarde de terça-feira (19), após a reunião de líderes. Leia também: Brasil propõe pacto contra feminicídio ao Mercosul para combater violência
Parlamentares disseram ao g1 que uma cópia física do texto circulava há algumas semanas na Casa e foi levada ao colégio de líderes em algumas oportunidades pelo relator, deputado Rodrigo Gambale (Podemos-SP).
Segundo os parlamentares, ele representava na discussão a deputada e presidente nacional do Podemos, Renata Abreu (Podemos-SP), a quem coube a negociação junto aos presidentes dos demais partidos.
Procurada, Abreu não negou que tenha conversado com os presidentes, mas disse que os dispositivos foram tratados na esfera técnica e jurídica (leia mais abaixo).
A versão final em formato digital só foi disponibilizada aos parlamentares horas antes da votação. Conforme os deputados, a veiculação de uma versão física do texto foi uma estratégia para dificultar vazamentos do conteúdo. Mais de politica
Gambale nega. O deputado afirmou que enviou o texto três vezes aos líderes e que a proposta vinha sendo negociada há meses.
“Faz mais de dois meses que coloquei as alterações do texto no grupo [de Whatsapp] dos líderes. Eu publiquei no grupo dos líderes por três vezes, eu publiquei no grupo. Está no meu nome. Todo mundo tem participação nisso”.
Plenário da Câmara dos Deputados — Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados Leia também: Maioria das votações no Congresso é feita de maneira simbólica e sem
Após aval dos presidentes partidários, o texto foi colocado em pauta por Motta. Para evitar maior desgaste, os deputados decidiram votar a urgência e o mérito no mesmo dia e a análise do projeto foi realizada de forma simbólica, sem o registro de votos no painel.
Silêncio no plenário
Além do relator, apenas quatro dos 502 deputados que registraram presença na sessão discursaram. Nenhum deles defendeu o texto abertamente, apenas o relator.
Adriana Ventura (Novo-SP), Kim Kataguiri (Missão-SP), Fernanda Melchionna (PSOL-RS) e Chico Alencar (PSOL-RJ) criticaram a proposta durante a votação.
Outros parlamentares que não estavam na sessão anexaram votos contrários ao projeto no sistema eletrônico da Câmara, mas não se apresentaram para discutir o projeto.
O que diz o texto
- Câmara dos Deputados
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