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Apreensão de arma de Bolsonaro reduz chance de Moraes prorrogar prisão

Brasília e São Paulo Uma arma de Jair Bolsonaro (PL) foi apreendida nesta segunda-feira (15) durante uma blitz da Polícia Militar do Distrito Federal, levando o ministro

Apreensão de arma de Bolsonaro reduz chance de Moraes prorrogar prisão
Brasília e São Paulo

Uma arma de Jair Bolsonaro (PL) foi apreendida nesta segunda-feira (15) durante uma blitz da Polícia Militar do Distrito Federal, levando o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), a cobrar explicações do ex-presidente, que está em prisão domiciliar.

A pistola Glock, calibre de 9 milímetros, e um carregador estavam com um militar identificado como Estácio Leite da Silva Filho, que teria se apresentado como integrante do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) da Presidência da República, o que o órgão nega.

Leia no AINotícia: Justiça da Itália aponta falha de imparcialidade de Moraes em caso Zambelli

Estácio faz parte da equipe de segurança de Bolsonaro, conforme registro feito junto ao STF, foi encaminhado para uma delegacia e afirmou que levava a arma para reparos, devido a uma pane, e que pretendia devolvê-la nesta terça-feira (16).

A informação foi divulgada inicialmente pelo site Metrópoles e confirmada pela Folha. Procurada, a defesa de Bolsonaro não se manifestou. Estácio foi procurado pela reportagem por mensagem, mas ainda não respondeu.

O GSI afirma que o militar nunca trabalhou no órgão durante o governo Lula (PT). Diz que não é responsável pela segurança de ex-presidentes da República, o que inclui Bolsonaro, e que os servidores à disposição dos ex-mandatários são escolhidos e indicados por eles. Leia também: Apreensão de arma de Bolsonaro reduz chance de Moraes prorrogar prisão

O encerramento do período da prisão domiciliar de Bolsonaro, concedida por razões de saúde, está previsto para o dia 25 e, até lá, Moraes deve decidir se ela será prorrogada ou se ele precisará voltar ao regime fechado.

Moraes deu 24 horas para que a defesa de Bolsonaro explique por que ele mantinha uma arma em casa, com carregador sobressalente, e a razão do pedido de reparo no equipamento. Ele afirma na decisão que a propriedade de Bolsonaro foi confirmada após consulta a sistema do Exército Brasileiro.

O ministro do STF ordenou que o batalhão da PM responsável pelas medidas de segurança da domiciliar de Bolsonaro esclarecesse se estão sendo cumpridos os procedimentos de revista nos carros que saem do condomínio do ex-presidente.

A PM respondeu a Moraes que está cumprindo suas atribuições ao fazer a varredura em habitáculos e porta-malas dos veículos que deixam a residência de Bolsonaro, mas que os carros usados pelo GSI ficam estacionados em via pública e não adentram a garagem, "razão pela qual não são submetidos a vistorias".

Condenado por tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro está em prisão domiciliar desde o dia 27 de março, após ficar internado por duas semanas em um hospital de Brasília, com broncopneumonia bacteriana em ambos os pulmões. Mais de politica

Ao narrar a abordagem na blitz, o policial militar Davi Evangelista Alves afirmou que a pistola estava no assoalho do carro —um veículo oficial da Presidência da República— e que "o motorista, de forma repentina, fechou o vidro".

Estácio também teria dito inicialmente que a arma "constava em sua funcional", mas o policial afirmou que na documentação dele não havia esse registro.

"Indaguei novamente, e ele declarou que a pistola pertencia ao ex-presidente Jair Bolsonaro e que a arma ficava dentro do veículo. Que não estava com o registro da arma. Posteriormente, localizei também um carregador sobressalente da arma de fogo", disse o PM. Leia também: Política: Panorama da Semana no STF, AGU e Debates Estaduais

No depoimento anexado ao processo que trata do cumprimento da pena do ex-presidente, o militar afirma que "informou imediatamente" que a arma pertencia a Bolsonaro e que a pistola lhe foi entregue "em razão da constatação de uma pane, a qual, segundo informa, aparentava ser de fácil solução."

Em nota, a PM-DF disse que, em uma abordagem feita em Taguatinga (região administrativa do DF), "um militar do Exército Brasileiro que conduzia veículo oficial foi encaminhado à 21ª Delegacia de Polícia após ser encontrada, além da arma institucional regularmente portada, uma segunda arma de fogo no interior do veículo".

"Durante a ocorrência, o abordado informou não possuir a documentação da segunda arma e declarou que o armamento pertenceria a terceiro. Diante dos fatos, a arma e o condutor foram conduzidos à 21ª DP."

Interpretações jurídicas

A advogada Pamela Villar, especialista em direito penal e criminologia pelo Instituto de Criminologia e Política Criminal, afirma que não há previsão legal que impeça automaticamente um condenado de manter uma arma com registro em sua residência durante o cumprimento de prisão domiciliar.

Segundo ela, eventual proibição precisa ser determinada expressamente pelo magistrado ao decretar a medida.

José Marques , Luísa Martins , Thaísa Oliveira e Carolina Faria

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