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Apple processa OpenAI por roubo de segredos comerciais

Michael Acton San Francisco | Financial Times A Apple está acusando a OpenAI e dois de seus funcionários de roubar informações ultrassecretas em uma ação judicial

Apple processa OpenAI por roubo de segredos comerciais
Michael Acton
San Francisco | Financial Times

A Apple está acusando a OpenAI e dois de seus funcionários de roubar informações ultrassecretas em uma ação judicial apresentada em um tribunal federal da Califórnia nesta sexta-feira (10).

A Apple alegou que a criadora do ChatGPT usou ex-funcionários e funcionários atuais da Apple para roubar projetos de hardware em meio a investida da startup de lançar seus próprios dispositivos focados em inteligência artificial. A empresa alegou que isso faz parte de um padrão de má conduta normalizado pela alta liderança da OpenAI.

Leia no AINotícia: Economia: panorama da semana

"Surgiram evidências significativas sugerindo que indivíduos empregados pela OpenAI se apropriaram indevidamente de informações confidenciais da Apple sobre nossas tecnologias, processos e produtos ainda não lançados", disse a Apple. "Sempre defenderemos o trabalho árduo e as inovações de nossas equipes, e estamos tomando todas as medidas apropriadas para isso."

O processo marca uma ruptura na relação entre Apple e OpenAI, à medida que cada uma invade o território da outra: a Apple, com o lançamento de sua nova Siri semelhante ao ChatGPT em junho, e a OpenAI com seu plano de competir com o iPhone.

A OpenAI sinalizou seu plano de competir com a Apple no espaço de dispositivos para consumidores quando adquiriu o estúdio liderado pelo ex-chefe de design da Apple, Jony Ive, por US$ 6,4 bilhões em maio do ano passado. Leia também: Economia: Panorama de Mercado e Notícias Relevantes

Desde então, a OpenAI tem recrutado agressivamente funcionários da Apple, parte de uma tendência mais ampla de talentos de IA deixando a empresa.

A OpenAI foi a primeira grande parceira da Apple em IA com a integração do ChatGPT à Siri em 2024. No entanto, desde então a Apple firmou parceria com o Google para seus recursos mais recentes.

O processo desta sexta resulta de uma investigação interna conduzida pela Apple desde o início deste ano. A empresa afirmou também que alertou a OpenAI sobre a investigação, mas disse não ter obtido resposta.

A Apple alegou que as evidências detalhadas na queixa eram apenas a "ponta do iceberg" na OpenAI, "onde tal má conduta é normalizada e exemplificada pela liderança".

"Como resultado natural, o nascente negócio de hardware da OpenAI agora repousa sobre as bases mais frágeis, podre até o núcleo por sua dependência ilegal de segredos comerciais apropriados indevidamente", disse o processo. Mais de economia

Tang Tan, diretor de hardware da OpenAI, deixou a Apple no início de 2024 para se juntar à empresa de Ive antes de ela ser adquirida pela OpenAI. Tan trabalhou 24 anos na Apple, e chegou a ser vice-presidente de design de produto para iPhone e Apple Watch.

O processo alegou que Tan se reuniu com a OpenAI nos meses que antecederam sua saída da Apple, compartilhando informações confidenciais sobre os fornecedores da empresa. Agora, "[a]o entrevistar funcionários da Apple para vagas na OpenAI, o Sr. Tan usa informações confidenciais da Apple para obter acesso a ainda mais conhecimento interno", disse o documento.

A Apple alegou que Tan e a OpenAI instruíram funcionários da Apple a levar projetos digitais e protótipos da empresa para entrevistas na startup de IA para "sessões de apresentação" e análises técnicas aprofundadas. Leia também: O conselho de Steve Jobs que Larry Page não seguiu ao criar a Alphabet

Chang Liu, ex-engenheiro eletricista da Apple, trabalhou em alguns dos "programas de desenvolvimento de produtos mais sensíveis" da empresa antes de ingressar na OpenAI em janeiro deste ano, segundo o processo.

A Apple alegou que Liu não devolveu pelo menos um dispositivo de trabalho e não respondeu a perguntas sobre se havia cumprido outros "procedimentos de desligamento".

O processo também alegou que Liu usou o computador de uma amiga que ainda trabalhava na Apple para acessar segredos comerciais e a orientou sobre como copiar arquivos antes de ela partir para a OpenAI em abril.

Liu ainda explorou uma "vulnerabilidade" no armazenamento de rede da Apple para roubar dezenas de arquivos confidenciais após deixar a empresa, disse o processo. A Apple disse que Liu enviou uma mensagem de texto para sua amiga dizendo "LOL, descobri que consigo acessar o [armazenamento de rede], muito engraçado".

Outros ex-funcionários da Apple também levaram informações confidenciais consigo "na saída", conforme o processo.

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