Usiminas (USIM5) entrega 2T em linha, mas sinaliza perda de fôlego no 2º
Ler matéria →A repentina aversão de Wall Street aos gastos com inteligência artificial transformou a Apple na grande estrela entre as ações de tecnologia neste ano. Mas os resultados da fabricante do iPhone, que serão divulgados após o fechamento do mercado nesta quinta-feira, podem lembrar os investidores dos desafios que a empresa ainda enfrenta.
As ações da Apple vivem um forte rali, acumulando alta de 17% em julho e caminhando para registrar seu melhor mês em quatro anos. Em 2026, os papéis avançam 24%, de longe o melhor desempenho entre as gigantes de tecnologia conhecidas como Magnificent Seven.
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A empresa também retomou o posto de companhia mais valiosa do mundo, com valor de mercado acima de US$ 5 trilhões em diversos momentos nos últimos dois dias, juntando-se à Nvidia como as únicas empresas a superar esse patamar.
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Grande parte dessa valorização decorre do papel da Apple como porto seguro em períodos de volatilidade no setor de tecnologia. Enquanto investidores se mostram cada vez mais céticos em relação às empresas que gastam centenas de bilhões de dólares em IA e aos grupos que se beneficiam desse ciclo de investimentos, ações das chamadas hyperscalers, que constroem enormes centros de dados para computação em nuvem, além de fabricantes de chips e memórias, vêm sofrendo pressão.
A Apple, por outro lado, ficou praticamente à margem da corrida armamentista da IA. Há um ano, a empresa era criticada justamente por isso, e suas ações tiveram desempenho inferior em 2025, enquanto companhias com forte exposição ao tema, como Alphabet, Micron Technology e Sandisk, avançavam rapidamente. Agora, porém, essa mesma característica se tornou uma inesperada fonte de força para o papel. Leia também: Economia: Panorama das Notícias do Dia
“O desempenho superior durante essa rotação surpreendeu mais do que qualquer um imaginava, especialmente porque memória é o principal tema na mente dos investidores”, afirmou Dan Morgan, gestor sênior de portfólio da Synovus Trust. “O fato de a ação estar indo tão bem apesar disso é algo difícil de explicar.”
O desempenho da Apple se destaca ainda mais quando comparado ao restante do setor. O índice Nasdaq 100 acumula queda de 10% em julho e caminha para registrar o pior mês desde setembro de 2022. A divergência entre a performance da Apple e a do índice neste mês é a maior em mais de 20 anos.
“Todo mundo está falando da operação Apple, que muitos chamam de aposta anti-capex em IA”, disse Gerald Sparrow, diretor de investimentos do Sparrow Growth Fund, fundo que detém ações da companhia.
Essa dinâmica ficou evidente na quarta-feira. O Nasdaq 100 recuou 2,1%, ampliando para 11% a queda desde a máxima registrada em 2 de junho e entrando tecnicamente em correção. Já o índice de semicondutores SOX tombou 5,3%, aprofundando para 27% as perdas em julho, o pior desempenho mensal desde setembro de 2001. Enquanto isso, a Apple caiu menos de 1%, após ter avançado quase 6% nas três sessões anteriores.
O movimento também reflete a reação aos resultados das gigantes da IA. Microsoft e Meta divulgaram balanços após o fechamento do mercado na quarta-feira, e as ações da Meta caíram no after-market após a companhia elevar o piso de sua projeção de investimentos de capital para 2026. Isso ocorreu após os resultados da Alphabet na semana passada, que foram fortes em diversos indicadores, mas acabaram penalizados porque a empresa aumentou sua estimativa de gastos de capital. Mais de economia
A Amazon, outra grande apostadora em IA, divulga seus resultados junto com a Apple nesta quinta-feira. As ações da companhia acumulam sete sessões consecutivas de queda e recuam 1,8% no ano.
“Parece que os investidores estão sendo empurrados para a Apple porque estão decepcionados com as alternativas dentro do setor de tecnologia”, afirmou Peter Andersen, diretor de investimentos da Andersen Capital Management. “Certamente não é porque os fundamentos da empresa melhoraram significativamente.”
A expectativa é que a Apple registre crescimento de 18% no lucro líquido e de 16% na receita no terceiro trimestre fiscal encerrado em 30 de junho. No entanto, as projeções indicam que o ritmo de expansão deve desacelerar para um dígito nos próximos trimestres. Além disso, a margem operacional da companhia vem diminuindo e pode entrar em território negativo até o final de 2026. Leia também: “Brutalmente difícil”: a brincadeira de infância que ensinou Jamie Dimon
Uma das principais preocupações é justamente o impacto dos gastos globais com IA sobre os custos. A corrida por infraestrutura de IA elevou fortemente a demanda por componentes como chips de memória. Um índice de preços à vista de memórias DRAM já acumula alta superior a 840% desde o fim de agosto. Segundo a consultoria IDC, a memória representa entre 10% e 20% do custo de fabricação de um smartphone.
Recentemente, a Apple elevou os preços de diversos produtos, mas manteve os valores dos iPhones inalterados. Por isso, os custos de memória devem ser um dos temas centrais da divulgação de resultados, que será a última sob o comando de Tim Cook antes do aguardado lançamento do iPhone dobrável, previsto para setembro.
A questão das margens se torna ainda mais relevante porque o rali recente deixou a ação mais cara. Atualmente, os papéis são negociados a cerca de 35 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, o maior múltiplo desde janeiro de 2008, bem acima da média histórica e com prêmio significativo em relação ao Nasdaq 100.
“Tudo precisaria dar absolutamente certo para a Apple sustentar essa avaliação, e qualquer tropeço na teleconferência de resultados poderia derrubar a ação”, afirmou Andersen.
Além da avaliação elevada, o fato de a empresa ter superado os US$ 5 trilhões em valor de mercado pode, paradoxalmente, representar um sinal de alerta. Segundo o analista William Power, da Baird, toda vez que a Apple alcançou um novo marco de US$ 1 trilhão em valor de mercado, suas ações tiveram desempenho inferior ao do S&P 500 nos períodos subsequentes de seis e 12 meses.
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