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Antigo prédio da Manchete em São Paulo é leiloado por R$ 36 milhões

Fora do ar há 25 anos, Manchete deixou legado artístico e dívida bilionária Empresa faliu após revelar talentos, como Xuxa, e roubar público cativo da Globo com novelas

Antigo prédio da Manchete em São Paulo é leiloado por R$ 36 milhões

Fora do ar há 25 anos, Manchete deixou legado artístico e dívida bilionária Empresa faliu após revelar talentos, como Xuxa, e roubar público cativo da Globo com novelas Em um 10 de maio como hoje, há 25 anos, os brasileiros viam pela última vez na TV uma letra M dourada com bolinhas nas pontas: era a logomarca da Rede Manchete, a última grande emissora aberta que saiu do ar no Brasil, em 1999. Seu legado, para o bem e para o mal, é sentido até hoje.

A Manchete era o mais audacioso investimento do Grupo Bloch, empresa fundada em 1922 e que virou uma das maiores editoras de revistas do Brasil. Foi fundada por Adolpho Bloch (1908-1995), conhecido como Seu Adolpho. Em 1981, junto com Silvio Santos, ele ganhou concessões de canais que haviam sido extintos (Tupi, Excelsior e Continental).

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Dois anos depois, em, Bloch colocou sua TV no ar. Com o slogan "televisão de primeira classe", a Manchete tentava atrair um público mais qualificado. Deu espaço para grandes nomes começarem, como Xuxa Meneghel e Angélica ainda nos 1980, e investiu forte no jornalismo.

Em 1984, fez história ao produzir a primeira transmissão dos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, com exclusividade. Também faziam sucesso na época as coberturas de bailes carnavalescos, que reuniam celebridades e foliões anônimos em clubes como Metropolitan, Scala e Monte Líbano. Elogiada, mas com altos gastos e sem tanto retorno financeiro, a emissora deu uma virada popular a partir de 1988.

O período coincide com a chegada de um jovem diretor que tinha ideias bem arrojadas: Jayme Monjardim, que trabalhou por lá até 1993. AUGE PANTANEIRO " A Manchete foi um sonho na minha vida. Leia também: Trump usa crise na Espanha como mote de campanha nos EUA

Pela ousadia, por tudo que a gente viveu. Fui a convite de Nilton Travesso, que perguntou ao Boni se eu poderia sair da Globo para assumir a direção artística da Manchete. Eu fiz uma grande amizade com seu Adolpho, que me tratava como um filho", diz Monjardim em conversa com o F5.

Uma das prozas que Monjardim conseguiu foi viabilizar a produção de "Kananga do Japão" (1989), novela que contava a história do Rio de Janeiro nos anos 1930, um desejo antigo do seu Adolpho. " Ele tinha um sonho de colocar no ar a novela 'Kananga do Japão', que foi ao ar em 1989.

Eu viabilizei, convidei a Tizuka Yamazaki para dirigir, e foi um sucesso por ter ares de superprodução", relembra. De fato, a novela foi um êxito para os padrões da Manchete. Mas o grande sucesso viria a seguir.

Monjardim conversou com Benedito Ruy Barbosa, que estava insatisfeito na Globo pela falta de oportunidades no horário nobre. " O Benedito me lembrou de uma novela que estava engavetada pela Globo, e eu tive a sorte de lembrar também, que era 'Pantanal'.

Era sobre uma região que o Brasil ainda não conhecia. E eu adorei a ideia de produzir. Falei para ele: Mais de economia

'Você vem, Bene, eu faço a novela para você e coloco no ar às 9 da noite'. Até então, ele só ia ao ar às seis da tarde", relembra. Em, esteava "Pantanal", uma revolução nas novelas, escrita por Benedito e dirigida por Monjardim.

Um sucesso que foi líder de audiência e venceu a Globo nos números, algo muito raro naquela época. " Foi um processo mágico, não tinha carro, caminhão, era tudo avião ou barco.

Foi muito difícil, mas fizemos uma linda novela, ousada, e que eu tenho orgulho. A ousadia continuou depois, com 'Ana Raio e Zé Trovão' (1991), que foi uma novela toda feita em externas", relembra Monjardim. A QUEDA Leia também: Ao lado de Flávio, Tarcísio participa da convenção do Republicanos em São Paulo

E O LEGADO Mas o auge da Manchete durou pouco. Em 1992, muito endividada e com salários atrasados, a Manchete foi vendida para a IBF (Indústria Brasileira de Formulários), de Hamilton Lucas de Oliveira. Monjardim saiu, mas voltou logo em seguida, a convite do executivo.

O fim da história, desta vez, foi triste. Hamilton deixou a Manchete totalmente sem dinheiro e os funcionários entraram em greve. "

Os salários começaram a atrasar, passamos a ter problemas com o sindicato e eu fui obrigado a mudar a cabeça da rede do Rio para São Paulo para seguir no ar", conta. " Quando voltou para as mãos dos Bloch, em 1993, quem estava lá para entregar o comando de volta aos Bloch?

Eu. Fiquei triste por aquele momento da TV que fez as coisas mais lindas da minha vida." Na volta dos Bloch, alguns sucessos importantes.

Em 1º de setembro de 1994, estreava " Os Cavaleiros do Zodíaco", anime que mudou a forma como desenhos japoneses eram vistos no Brasil. Sucesso comercial e de audiência, a saga de Seiya abriu todo um mercado comercial no país.

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