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Ansiedade pode vir do intestino? O que a neurociência já descobriu

O que a neurociência já descobriu Desequilíbrios na microbiota intestinal parecem estar relacionados ao desenvolvimento de transtornos psiquiátricos e até neurológicos

Ansiedade pode vir do intestino? O que a neurociência já descobriu

Ansiedade pode vir do intestino? O que a neurociência já descobriu Desequilíbrios na microbiota intestinal parecem estar relacionados ao desenvolvimento de transtornos psiquiátricos e até neurológicos Você já deve ter ouvido falar que o intestino é o “segundo cérebro” dos seres humanos.

Curiosa à primeira vista, a frase encontra embasamento científico: ali dentro estão milhões de neurônios que não apenas lidam com as funções propriamente intestinais, mas também permanecem em contato direto com o cérebro verdadeiro, lá em cima. Essa noção já não é tão nova assim, mas, desde que se tornou corrente na medicina, abriu um filão de pesquisas que têm se dedicado a demonstrar o impressionante papel do intestino (e da microbiota que reside nele) em inúmeros aspectos da nossa saúde geral.

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E não é diferente quando se pensa em saúde mental. Mas, afinal, o que a ciência sabe sobre a relação entre o intestino e transtornos psiquiátricos como a ansiedade? E como isso realmente funciona?

Entenda melhor o que já se sabe nesse sentido. O que é o eixo intestino-cérebro? Nosso trato gastrointestinal conta com uma complexa rede neural. Leia também: Conheça o sal que pode reduzir risco de infarto e AVC em até 15%

Conhecida como sistema nervoso entérico, ela conta com cerca de 500 milhões de neurônios – trata-se da maior concentração dessas células fora do próprio cérebro, com relativa autonomia em seu funcionamento. A comunicação entre o sistema nervoso entérico e o cérebro é feita pelo nervo vago, responsável por mandar sinais nos dois sentidos sobre o que está acontecendo.

Comeu alguma coisa? Teve alguma alteração química no sistema gastrointestinal? O nervo vago vai informar o cérebro sobre isso, gerando uma resposta (ou “reflexo”), que pode ou não ser perceptível do lado de fora.

Muito além dos impulsos relacionados à digestão, essa conversa também influencia outros aspectos do dia a dia e da saúde. Os estudos mais recentes demonstram como o eixo intestino-cérebro modula a imunidade, o risco de desenvolver uma série de doenças autoimunes e neurológicas, e até mesmo a propensão a transtornos psiquiátricos – é aí que entram em cena problemas como a depressão ou a ansiedade, e sua relação com tudo isso. Microbiota é essencial

A comunicação entre o intestino e o cérebro, porém, é só uma parte desse intrincado sistema. Afinal, quando falamos do trato gastrointestinal, não somos o único ser vivo envolvido nessa história: ali dentro também vivem trilhões de micróbios. Mais de saude

Eles compõem o que já foi chamado de flora intestinal, mas hoje é mais conhecido como microbiota. Com o tempo, a importância deles para esses processos ficou tão consolidada nas pesquisas que o nome foi estendido: agora, é mais comum ouvir falar em eixo intestino-microbiota-cérebro. Esses micro-organismos (majoritariamente bactérias) participam diretamente da formação de metabólitos e neurotransmissores com as funções mais diversas.

Calcula-se que até 90% da nossa serotonina, o “hormônio do bem-estar”, venha do trato gastrointestinal, que também está envolvido na produção de dopamina e GABA. Reduções em níveis desses neurotransmissores costumam aparecer com frequência quando o assunto é ansiedade, depressão, distúrbios de sono e humor, entre outras questões psiquiátricas. O risco de problemas neurológicos, como o Alzheimer e o Parkinson, também parece aumentar quando algo vai mal com os nossos habitantes internos. Leia também: Maíra Cardi pede orações para a filha internada: entenda o que é a bronquiolite

Embora o mecanismo exato siga sendo estudado, não há dúvidas: desequilíbrios na microbiota que podem ocorrer pela dieta ou correlacionados a condições como a doença de Crohn afetam também a produção dessas substâncias tão importantes para a mente e acabam repercutindo em uma maior chance de sofrer com ansiedade. Não é o único fator de risco, mas é parte do que precisa ser considerado na equação. Como melhorar as coisas

A alimentação é chave para manter a microbiota intestinal em dia e melhorar os desfechos de saúde impactados por ela. Mas não para nisso: evitar o uso excessivo e desnecessário de antibióticos também é importante, pois eles não eliminam somente bactérias patogênicas, mas também aquelas que são aliadas da nossa saúde. O alcoolismo é outro fator que desequilibra as coisas e, portanto, a ingestão de bebidas deve ser moderada (ou zerada).

Uma dieta rica em fibras é ótima para o bom funcionamento do intestino. Alimentos naturalmente probióticos, como aqueles com lactobacilos, também fornecem micro-organismos interessantes para a flora. Sob orientação médica, algumas situações também podem se beneficiar de suplementos de prebióticos e probióticos específicos, mas o indicado é não fazer isso por conta própria – já que uma população excessiva de micróbios no intestino também gera consequências indesejadas.

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