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Ana Claudia Quintana Arantes, autora de best-seller sobre a morte, terá curso na CasaFolha

Juliana Nogueira São Paulo Embora a morte seja a única certeza que as pessoas têm na vida, continua um assunto indigesto para a maioria delas

Ana Claudia Quintana Arantes, autora de best-seller sobre a morte, terá curso na CasaFolha
Juliana Nogueira
São Paulo

Embora a morte seja a única certeza que as pessoas têm na vida, continua um assunto indigesto para a maioria delas. Não para médica, escritora e ativista dos cuidados paliativos Ana Claudia Quintana Arantes, que tem dedicado a carreira a esse tema com livros como o novo "Cuidar Até o Fim".

Autora do best-seller "A Morte é um Dia que Vale a Pena Viver", livro abrangente sobre o período final da vida que já vendeu mais de 700 mil cópias, Arantes escreve desta vez uma espécie de manual, com orientações práticas sobre cuidados físicos e emocionais diante da iminência da morte.

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Ana Claudia Quintana Arantes, autora de 'A Morte é um Dia que Vale a Pena Viver' e 'Cuidar Até o Fim' - Bob Wolfenson/Divulgação

"É um livro para qualquer pessoa viva, pois em algum momento todo mundo passa por um processo de adoecimento próprio ou de um ente querido", diz ela. Até o projeto gráfico, com cores mais escuras e ilustrações de traços mais definidos, remete ao chão que pretende dar ao leitor nessa missão.

O foco do trabalho é o que ela chama de processo ativo da morte, ou seja, quando o paciente tem uma doença grave e as possibilidades de tratamentos disponíveis estão esgotadas. "Precisei passar por 30 anos de carreira para chegar a esse livro, é o fruto da minha experiência", diz.

Quando novas tentativas de tratamento trazem mais sofrimento do que esperança para o doente, entra a medicina paliativa, voltada não mais para a cura, mas para o conforto e o cuidado a fim de aliviar os sintomas da doença. Leia também: Podcast analisa rejeição de Messias no Senado e os recados para Lula e o STF

Arantes faz uso de metáforas para tornar conceitos abstratos mais acessíveis e ressalta a importância da verdade e a necessidade de quebrar mitos. "As pessoas tinham a ideia de que cuidados paliativos eram restritos às pessoas em estado terminal. Até hoje tentamos explicar esse conceito, saindo do ‘nada mais pode ser feito’ para ‘bem-estar até o último momento de vida’."

Diante do inevitável, que pode levar dias, semanas, meses ou mesmo anos, a pessoa tem a chance de escolher como pretende levar o resto da vida. Essa consciência pode ser transformadora e dá a chance de fazer escolhas para uma morte mais digna, segundo a autora. "Morte bonita é aquela que faz sentido para cada história de vida", diz a médica.

Ela própria estabeleceu para si o que considera uma morte em paz, caso não tenha condições de tomar decisões. Como a audição é o último dos sentidos a se esvair, escreveu uma carta em que pede para ter a chance de ouvir a voz de seus filhos antes de sua partida.

A etapa final também é uma oportunidade de o luto. "Muita gente diz que gostaria de morrer dormindo, para evitar sofrimento. Mas se acontece, o luto é vivido apenas por quem fica, que muitas vezes não se recupera jamais da dor de perder alguém de um dia para o outro", diz Arantes.

O manejo cuidadoso dos últimos dias faz do processo, se não menos doloroso, um pouco mais sereno para quem perde um ente querido. A atenção à vontade do paciente não significa, no entanto, um apoio à eutanásia. Segundo ela, o tema ainda é muito distante da realidade brasileira. Mais de politica

"É como se a turma do maternal estivesse discutindo a grade curricular da graduação. Respeito quem faz essa escolha, mas enquanto o cuidado paliativo não estiver disponível a todas as pessoas no Brasil, minha luta será para mostrar que há caminhos mais pacíficos para o fim", diz.

A paulistana Ana Claudia Quintana Arantes já vendeu mais de 1 milhão de livros falando sobre a morte de maneira direta.

O primeiro foi "Linhas Pares", publicado em 2012, escrito com base em sua pesquisa sobre o impacto da poesia em pessoas que sofriam de doenças graves. Depois veio o mais conhecido, "A Morte É um Dia que Vale a Pena Viver", que segue entre os mais vendidos desde sua primeira edição, em 2016. Leia também: Senado usou Messias para mandar recados ao STF, dizem opositores

Em 2020, veio "Histórias Lindas de Morrer", com relatos sobre o fim —por exemplo, a morte de um homem que tinha uma amante, de quem não teria a chance de se despedir. Esse livro está em negociações para se tornar filme.

Na sequência vieram "Para a Vida Toda Valer a Pena", sobre envelhecimento, e "Mundo Dentro", de poemas, lançados em 2021 e 2022. Exceto o primeiro de todos, que saiu pela Scortecci, os demais foram lançados pela editora Sextante.

Arantes é médica geriatra formada pela USP (Universidade de São Paulo) e sua pós-graduação em psicologia foi sobre intervenções em luto. Depois, fez especialização em cuidados paliativos no Instituto Pallium e na Universidade de Oxford no Reino Unido.

É também fundadora da Casa do Cuidar, instituição de ensino dos cuidados paliativos fundada em 2020. A busca pelos cursos tem sido crescente. Desde a inauguração, quase 900 mil pessoas sem formação na área participaram de workshops e quase 16 mil se formaram em cursos longos, de 400 horas.

"Eu lembro quando ministrava curso em sala de aula com sete pessoas, porque não tinha coragem de cancelar a turma", diz. Hoje as salas têm cerca de cem alunos.

Cuidar Até o Fim: Como Trazer Paz para a Morte

  • Preço R$ 49,90 (224 págs.); R$ 29,99 (ebook)
  • Autoria Ana Claudia Quintana Arantes
  • Editora Sextante

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