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Ambev deve mostrar força no Brasil no 2T, mas mercado já precifica trimestre

Na avaliação do Itaú BBA, o trimestre deve refletir parte dos efeitos positivos da Copa do Mundo sobre o consumo , especialmente no segmento de cervejas, embora boa

Ambev deve mostrar força no Brasil no 2T, mas mercado já precifica trimestre
Ambev (Foto: Adobe Stock)
Ambev (Foto: Adobe Stock)

A Ambev (ABEV3) divulga em 30 de julho os resultados do segundo trimestre de 2026 (2T26), em um período considerado decisivo para calibrar as expectativas do mercado para o restante do ano. Na avaliação do Itaú BBA, o trimestre deve refletir parte dos efeitos positivos da Copa do Mundo sobre o consumo, especialmente no segmento de cervejas, embora boa parte desse otimismo já estivesse no preço das ações e tenha sofrido um baque com a eliminação do Brasil na competição.

O banco projeta lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) consolidado de R$ 6,5 bilhões, praticamente em linha com o consenso de mercado. Para a operação de cervejas no Brasil, a expectativa é de crescimento de 8% no volume de vendas na comparação anual, patamar que, na visão dos analistas, já está incorporado às expectativas dos investidores após os resultados acima do esperado do primeiro trimestre.

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Segundo o BBA, o mercado já precifica um trimestre forte, o que eleva o nível de exigência para a companhia. Apesar da recuperação dos volumes favorecida por uma base de comparação mais fraca, o banco vê espaço limitado para novas revisões positivas, diante da valorização recente das ações.

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O JPMorgan também espera um trimestre sólido, mas revisou ligeiramente suas projeções. O banco estima Ebitda de R$ 6,68 bilhões, 6,1% acima do consenso da Bloomberg e praticamente em linha com a média das projeções de investidores institucionais. A expectativa para o lucro líquido é de R$ 3,11 bilhões, também acima do consenso.

Segundo o JPMorgan, a revisão reflete uma postura mais cautelosa para os volumes de cerveja no Brasil, parcialmente compensada por preços ainda resilientes e uma boa gestão de custos. O banco avalia que as ações da Ambev negociam a 15,3 vezes o lucro estimado para 2026, próximo ao múltiplo considerado justo, de 16 vezes. Leia também: Messi perde pênalti contra o Egito e atinge recorde indesejável na Copa do Mundo

Cerveja no Brasil

A projeção do BBA é de crescimento de 8% nos volumes e avanço de 6% nos preços, resultando em expansão de aproximadamente 14% da receita líquida na comparação anual.

Os analistas avaliam que a Ambev vem executando bem sua estratégia de portfólio e precificação, mantendo liderança nas principais categorias e ganhando participação de mercado.

Do lado dos custos, a expectativa é de uma normalização gradual ao longo do ano, favorecida pelo câmbio e pelos contratos de hedge de commodities. Ainda assim, despesas comerciais e de marketing devem permanecer elevadas, refletindo os investimentos ligados à Copa do Mundo e uma atividade comercial mais intensa.

Com isso, o Itaú BBA estima margem Ebitda de 32,8% para a operação de cervejas no Brasil e Ebitda de R$ 3,38 bilhões para o segmento.

O JPMorgan reduziu sua projeção para o crescimento do volume de cerveja no Brasil de 10% para 7% na comparação anual, alinhando-se às estimativas de pares e à média da pesquisa com investidores. Mais de economia

O banco americano também ressalta que o poder de compra das famílias brasileiras segue pressionado pelo elevado nível de endividamento. Ainda assim, elevou a projeção de receita por hectolitro de 5,0% para 5,5%, refletindo um ambiente de preços mais favorável. Com isso, a estimativa de Ebitda da divisão de cervejas no Brasil foi reduzida em 5%, para R$ 3,23 bilhões.

Bebidas não alcoólicas

Para o segmento de bebidas não alcoólicas (NAB), o BBA continua vendo um cenário desafiador. Após três trimestres consecutivos de queda nos volumes, a expectativa é de recuo de 2% na comparação anual, pressionado por uma base de comparação forte e condições climáticas menos favoráveis.

Em compensação, o ambiente de custos deve ser mais benigno, com expectativa de queda de 2% no custo dos produtos vendidos (COGS). Leia também: Reajuste da ANS: como os dados mostram quem ganha e quem perde na B3?

No consolidado da divisão, o Itaú BBA projeta crescimento de 5% da receita líquida, com margem Ebitda de 29,6%, expansão de 330 pontos-base em relação ao mesmo período do ano anterior.

O JPMorgan revisou a expectativa de volume de estabilidade para queda de 2% na comparação anual. A projeção de Ebitda caiu de R$ 677 milhões para R$ 663 milhões, diante de uma base de comparação forte após o desempenho recorde do segundo trimestre de 2025.

Operações internacionais

Nas operações internacionais, o BBA continua vendo um ambiente desafiador. Na América Latina Sul (LAS), a inflação elevada na Argentina segue pressionando o consumo, enquanto os protestos na Bolívia podem ter afetado a distribuição durante o trimestre.

Na América Central e Caribe (CAC), os fundamentos operacionais permanecem positivos, mas a descontinuação das operações em Cuba deve prejudicar os números reportados.

Já no Canadá, apesar da expectativa de algum benefício com partidas da Copa do Mundo realizadas no país, o Itaú BBA continua projetando um desempenho fraco para os volumes.

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