Alzheimer pode começar mais cedo do que se imagina, revela estudo Nova pesquisa reforça evidências de que marcadores no cérebro e no sangue podem ser detectados anos antes dos primeiros sintomas Anos ou até décadas antes dos primeiros sintomas aparecerem, a doença de Alzheimer já começa a dar os primeiros sinais no cérebro.
Eles podem ser observados em exames específicos mas, muitas vezes, acabam não sendo monitorados até que o quadro já tenha começado a gerar impactos no dia a dia do paciente. Agora, cientistas tentam mapear a idade em que esse tipo de demência se torne detectável no estágio pré-clínico, o que pode melhorar a triagem e o tratamento muito antes do desenvolvimento dos sintomas mais incapacitantes. Um novo estudo, publicado em abril por pesquisadores da prestigiada Mayo Clinic, nos Estados Unidos, apontou a idade em que essas alterações se tornam mais perceptíveis.
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Em média, as primeiras mudanças em biomarcadores (moléculas do corpo que podem ser medidas em exames) associados ao Alzheimer já começam a aparecer de forma sutil entre os 50 e os 60 anos, mesmo que os sinais preocupantes só venham a ocorrer, muitas vezes, por volta dos 70. Entenda melhor como os pesquisadores chegaram a essa conclusão e o que ela pode significar para o tratamento do Alzheimer. O que os pesquisadores descobriram No trabalho veiculado na revista científica
Alzheimer’s & Dementia: The Journal of the Alzheimer’s Association, os pesquisadores acompanharam 2.082 participantes em um estudo de longa duração para avaliar quando as alterações relacionadas à doença neurodegenerativa começam a se acelerar. Para chegar lá, eles submeteram as pessoas a testes de desempenho cognitivo, acompanhados de exames de imagem do cérebro e exames de sangue em busca de biomarcadores associados ao Alzheimer.
O estudo indicou que boa parte dessas mudanças já começam a ser percebidas na parte final dos 50 anos de vida, mesmo que ainda não haja muitos sintomas. Por volta dos 60 anos, bem antes dos sinais mais característicos do Alzheimer, já foi possível observar uma aceleração no acúmulo da proteína beta-amiloide, um importante marcador para a doença. Também é quando alguns declínios cognitivos começam a se acentuar, embora de forma mais sutil do que ocorrerá alguns anos mais tarde.
Esse é o primeiro grande ponto de inflexão (ou “breakpoint”) identificado no estudo: em média, no grupo observado, foi aos 62,3 anos que o PET de amiloide indicou uma taxa de acúmulo mais acelerada da proteína, demarcando a transição para a fase pré-clínica do Alzheimer. O PET de amiloide é um exame de tomografia que avalia a localização e quantidade das placas dessa proteína no cérebro, o que ajuda a compreender melhor o estágio da doença. Mais de saude
Já perto dos 70 anos, outros biomarcadores passam por aumentos ainda mais perceptíveis. Os pesquisadores mapearam a faixa dos 68 aos 72 anos como um segundo ponto de inflexão: nessa etapa, a maioria dos marcadores sanguíneos (como os níveis plasmáticos da proteína tau, outro nome que se tornou famoso no rastreio da doença) passam pelas mudanças mais significativas, acompanhados de uma relevante atrofia cerebral, com destaque para as áreas relacionadas à memória. Achados podem definir abordagens mais precisas para a demência Leia também: Deficiência invisível ganha destaque após novo desdobramento em deficiência
O estudo reforça as evidências sobre a importância de fazer a triagem e adotar medidas preventivas para conter o avanço do Alzheimer ainda mais cedo na vida. De forma decisiva, mapear os pontos de inflexão ajuda a determinar em que idade esses testes podem começar a ser feitos para obter informações mais relevantes sobre o avanço da demência. Não é pouca coisa: exames como o PET de amiloide muitas vezes são postergados, em função do alto custo, até que já seja tarde demais para atrasar o avanço dos sintomas.
O trabalho ainda deu mais subsídios para encorajar o uso de biomarcadores no sangue no suporte ao diagnóstico e monitoramento da progressão do Alzheimer. Com mais precisão sobre a idade em que a doença pode ser diagnosticada precocemente, é possível descobrir pacientes de risco mais elevado antes que os sintomas afetem a qualidade de vida, iniciando tratamentos antes do que seria habitual até mpouco tempo atrás. Embora o Alzheimer ainda seja uma doença sem cura, cada vez mais terapias vêm sendo desenvolvidas para retardar a progressão do quadro e o desenvolvimento dos sintomas mais incapacitantes, e a ideia é que elas sejam utilizadas o mais cedo possível.
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