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Alta de 10% no petróleo coloca até 0,7 p.p. a mais na inflação, diz Itaú

Mas, qual o tamanho deste rombo no orçamento do brasileiro?

Alta de 10% no petróleo coloca até 0,7 p.p. a mais na inflação, diz Itaú
Posto de gasolina do Rio de Janeiro (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)
Posto de gasolina do Rio de Janeiro (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

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O aumento do preço do barril de petróleo nos mercados internacionais já está impactando a inflação e o custo de vida no Brasil, pressionando preços de combustíveis e alimentos. Mas, qual o tamanho deste rombo no orçamento do brasileiro? Um estudo do departamento de pesquisa macroeconômica do Itaú estimou este peso. Segundo o banco, um avanço de 10% na commodity resulta em um impacto total de 0,5 a 0,7 ponto percentual (50 a 70 pontos-base) no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

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Assim, a inflação, que estava estimada em algo abaixo de 4% no início do ano, iria facilmente a algo entre 4,5% e 4,7%. O repasse já é visível na economia real. O Boletim Focus revisou a expectativa de inflação de 2026 para 4,92%, furando o teto das projeções iniciais do ano.

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Impacto dos combustíveis ao supermercado

A análise do Itaú, assinada pelas economistas Julia Gottlieb e Luciana Rabelo, aponta que a alta para a inflação ocorre por duas vias principais. O canal direto é sentido pelos consumidores nos preços dos combustíveis e da energia, o que reflete rapidamente nos índices de preços. De acordo com o documento, cada incremento de 10% no petróleo gera um impacto direto fixo de 20 pontos-base na inflação.

O segundo caminho é o canal indireto, calculado sobre os custos intermediários de produção e de transporte. A análise avalia que este repasse é mais difuso ao longo das cadeias produtivas, e tem defasagens temporais, o que torna o cálculo mais complexo. Leia também: Estreia da NFL no Maracanã terá pré-venda exclusiva para clientes XP; veja datas

Os economistas, então, usaram duas metodologias combinadas de análise. O primeiro método, um modelo econométrico, avalia o repasse histórico efetivo e indica que o choque de 10% no petróleo eleva o IPCA em cerca de 30 pontos-base de forma indireta.

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O segundo método utiliza a Tabela de Recursos e Usos (TRU) do IBGE (que mapeia como os insumos circulam entre os setores da economia]) para calcular o impacto sob a hipótese de um repasse integral dos custos. Por essa ótica, o efeito indireto atinge um potencial máximo maior, de 50 pontos-base no índice cheio.

Somando o canal direto e as estimativas do canal indireto, o banco consolida a faixa de impacto total entre 50 e 70 pontos-base.

A decomposição do estudo revela que aproximadamente um terço do efeito indireto total deriva do óleo diesel, refletindo os custos com fretes e transportes. Mais de economia

Os demais derivados de petróleo respondem pela maior parcela da pressão inflacionária, evidenciando a difusão por múltiplos insumos industriais e embalagens. Dados recentes dos Índices Gerais de Preços (IGPs) confirmam que o repasse para o IPCA tem ocorrido com defasagens curtas e transmissão veloz, atingindo os bens de consumo final.

Inflação acima de 5%

O cenário-base traçado pela instituição projeta uma inflação de 5,2% ao final de 2026.

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“Na prática, os dados mais recentes sugerem que o núcleo reponderado (sem distorções temporárias) já vem incorporando o choque de petróleo na margem, indicando uma transmissão mais visível para o conjunto de itens com maior exposição aos derivados de petróleo”, dizem os analistas. Isso significa que o impacto já não está mais restrito à gasolina, se espalhou para os demais setores e tornou a inflação persistente.

Os analistas ressaltam que o impacto potencial pode ser ainda mais elevado, configurando um balanço de riscos com viés de alta para a inflação.

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Segundo a análise, o quadro atual exige maior cautela do Banco Central na condução do ciclo de cortes da taxa básica de juros.

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Élida Oliveira

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