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Ler matéria →Oposição busca Alcolumbre e Motta para tentar frear propostas de Lula Movimento mira pautas que Planalto quer transformar em vitórias antes da eleição, como 6x1, Segurança e fim da taxa das blusinhas A oposição tenta aumentar a pressão sobre os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para frear o avanço de propostas que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende explorar na campanha pela reeleição. No centro da disputa estão o fim da escala 6×1, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública e a medida provisória que permite zerar a chamada taxa das blusinhas, três pautas que o Planalto quer fazer avançar antes do primeiro turno.
O principal movimento público até agora parte de Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado e coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). Marinho se reuniu com Alcolumbre na semana passada para pedir que a PEC da 6×1 não seja votada durante a campanha e articula um novo encontro. A estratégia inclui apresentação de emendas, pedidos de vista e manutenção dos prazos regimentais para tentar empurrar a decisão para depois das eleições.
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de WhatsApp do MetrópolesO calendário ganhou importância também pela situação eleitoral. Pesquisas nacionais recentes mantêm Lula à frente de Flávio no primeiro turno, embora a disputa tenha se estreitado. O Datafolha divulgado em 21 de agosto mostrou o petista seis pontos à frente do senador, enquanto a Quaest de 14 de agosto apontou Lula com 38% e Flávio com 31%, em 1º turno.
Nos cenários de segundo turno, a distância é menor e há levantamentos que indicam empate técnico. Reaproximação com Alcolumbre destravou pautas A pressão ocorre justamente depois de Lula reconstruir a relação com Alcolumbre. Leia também: 'Dark Horse' ganha destaque após novo desdobramento em dark horse: perícia diz
Os dois passaram meses em tensão depois que o Senado rejeitou, em abril, a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente do Senado defendia Rodrigo Pacheco para a vaga, e o episódio abriu uma crise que se refletiu diretamente na pauta. As ropostas de interesse do Planalto ficaram paradas na Casa.
A trégua começou a ser construída em agosto e culminou em um almoço na quarta-feira (26/8), no Palácio da Alvorada, entre Lula, Alcolumbre e Motta. O presidente cobrou o avanço de prioridades do governo e, depois do encontro, Alcolumbre afirmou que as PECs da 6×1 e da Segurança devem ser analisadas pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na próxima semana. A MP das blusinhas também entrou no acordo porque perde a validade em 8 de setembro.
As três pautas no radar do Planalto:- Fim da escala 6×1: reduz a jornada máxima semanal e dá dois dias de descanso;- PEC da Segurança: amplia a integração entre forças de segurança e constitucionaliza o Sistema Único de Segurança Pública;- Taxa das blusinhas: MP permite ao governo zerar o Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50. 6×1 concentra reação da oposição
A PEC da 6×1 é hoje o principal foco da ofensiva. A Câmara aprovou o texto em dois turnos em 27 de maio, por 472 votos a 22 no primeiro e 461 a 19 no segundo. A proposta reduz gradualmente a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais e prevê dois dias de descanso, sem redução salarial.
Depois de chegar ao Senado, porém, ficou 85 dias parada à espera de despacho de Alcolumbre. Agora, o texto está mais perto de uma votação. O relator na Casa, Omar Aziz (PSD-AM), apresentou nesta quinta-feira (27/8) parecer favorável na CCJ e manteve integralmente a versão aprovada pela Câmara, estratégia que evita uma nova passagem pelos deputados caso a proposta seja aprovada pelo Senado. Mais de noticia
A oposição apresentou emendas e pretende usar instrumentos regimentais para retardar a análise. Mesmo que passe pela CCJ, a PEC ainda precisa de pelo menos 49 votos em dois turnos no plenário do Senado. Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles Frequência de envio: Diário Segurança e taxação das blusinhas também são prioridades
A PEC da Segurança percorreu caminho parecido. Enviada pelo governo ao Congresso em 2025, foi aprovada pela Câmara em 4 de março deste ano, com 461 votos favoráveis e 14 contrários no segundo turno, e chegou ao Senado em 10 de março. Ficou praticamente parada até 21 de agosto, quando Alcolumbre finalmente a enviou à CCJ. Leia também: Veja o que é #FATO e o que é #FAKE na entrevista de Lula à Globo
O relator, Rogério Carvalho (PT-SE), anunciou que pretende manter o texto da Câmara sem alterações para acelerar a tramitação. A proposta amplia a integração entre forças de segurança, constitucionaliza o Sistema Único de Segurança Pública (Susp) e reforça fundos destinados à área. No caso das blusinhas, o prazo é ainda mais apertado.
Em 2024, o Congresso instituiu uma alíquota de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, medida sancionada por Lula. Em maio deste ano, o presidente editou uma MP para permitir que a Fazenda reduzisse novamente a cobrança a zero. O texto precisa ser aprovado pela comissão mista e pelos plenários da Câmara e do Senado até 8 de setembro.
Se perder a validade, a autorização criada pelo governo deixa de valer. A resistência nesse caso é menos homogênea na oposição, já que parlamentares também avaliam o custo eleitoral de defender a retomada da cobrança. Disputa também é pelo calendário
A disputa, portanto, é também pelo relógio do Congresso. Lula tenta chegar à reta final da campanha com avanços em pautas de forte apelo social e na segurança pública, enquanto aliados de Flávio buscam evitar que essas votações se transformem em vitórias políticas do presidente às vésperas das urnas. Alcolumbre e Motta estão no centro desse embate porque controlam o ritmo das duas Casas, e porque ambos reconstruíram, nos últimos meses, uma relação mais próxima com o Planalto.
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