Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante assinatura do decreto de promulgação do Acordo Mercosul-UE — Foto: Ricardo Stuckert / PR O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou nesta terça-feira (28) o decreto que promulga o acordo de comércio entre o Mercosul e a União Europeia. A medida encerra a etapa interna brasileira de incorporação do tratado ao ordenamento jurídico.
No Brasil, o acordo deve começar a valer de forma provisória a partir de 1º de maio, permitindo o início da aplicação gradual de suas regras entre os blocos. A promulgação ocorre após a aprovação do texto pelo Congresso Nacional e a troca de notificações entre Brasil e União Europeia, que já haviam concluído os trâmites necessários para essa fase inicial de implementação. As negociações entre os dois blocos duraram 27 anos e resultaram em um tratado que abre caminho para a criação de uma das maiores áreas de livre comércio do mundo.
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Durante discurso, o presidente Lula ressaltou a demora para a conclusão do acordo. " Quando o acordo vem dos colonizadores para colonizados, vem com mais rapidez, mas quando colonizados resolvem levantar cabeça e dizer que eles têm direitos, as coisas criam mais dificuldades porque aí nós viramos competitivos com produtos que são produzidos em outros países", disse. Leia também: Mega-Sena: Prêmio de R$ 130 milhões acumula e sorteio anterior teve 92 ganhadores
Lula afirmou que o acordo "foi feito a ferro, suor e sangue". " Tem muita coisa que querem evitar, que o Brasil cresça, dispute, coloque seus produtos no mercado estrangeiro.
E ele veio no momento para reforçar a ideia consagrada do multilateralismo", disse. O presidente brasileiro citou a taxação imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no ano passado e disse que o Brasil, "ao invés de ficar chorando o leite derramado", procurou novos parceiros. "Está cheio de gente querendo vender, gente querendo comprar.
Brasil hoje não é uma republiqueta, o Brasil é um grande país. Se o Brasil aprender a se respeitar, a gente vai negociar em igualdade de condições em qualquer país do mundo", afirmou Lula. Com o decreto, o Brasil conclui sua parte no processo de ratificação interna de um acordo que envolve cerca de 720 milhões de pessoas e economias que somam mais de US$ 20 trilhões.
No país, a medida deve impactar o comércio exterior com redução gradual de tarifas de importação e exportação, maior acesso de produtos brasileiros ao mercado europeu e abertura ampliada para bens e serviços europeus. A expectativa é de aumento da concorrência e estímulo a investimentos em diferentes setores da economia. Apesar da resistência de alguns países e setores dentro da União Europeia, o acordo segue com previsão de entrada em vigor provisória e passa a valer a partir de 1º de maio no Brasil. Mais de noticia
Isso ocorre porque a aplicação inicial pode ser feita de forma parcial, após a conclusão dos trâmites executivos entre os blocos, permitindo o início das regras comerciais enquanto o processo de ratificação completa ainda segue em discussão nas instâncias europeias. Resistência europeia Apesar do avanço, o acordo ainda enfrenta resistência dentro da União Europeia, especialmente de países e setores ligados ao campo e a questões ambientais.
No entanto, essas divergências não impedem o início da aplicação provisória do tratado. Isso porque a entrada em vigor inicial pode ocorrer de forma parcial, após a conclusão dos trâmites executivos entre os blocos, enquanto a ratificação completa segue em análise no Parlamento Europeu. Após a aprovação entre os Estados-membros, a ministra da Agricultura da França, Annie Genevard, afirmou que o país pode adotar medidas unilaterais caso o setor agrícola e pecuário francês seja prejudicado pelo acordo. Leia também: PF investiga entrada de bagagens sem fiscalização em voo com Motta e Ciro Nogueira
Agricultores europeus comemoram em Estrasburgo, na França, a decisão do Parlamento Europeu de levar acordo comercial UE-Mercosul à Justiça, no dia — Foto: Yves Herman/Reuters Aprovação do acordo A presidência brasileira no Mercosul tinha como prioridade a conclusão do tratado.
Após intensas negociações entre os países do bloco e a União Europeia, o acordo foi assinado em janeiro deste ano, já durante a presidência paraguaia do Mercosul, marcando um avanço decisivo nas tratativas. Além da etapa no Brasil, o acordo ainda precisa ser aprovado internamente por cada país do Mercosul, conforme seus próprios processos legislativos. Somente após a ratificação de todos os membros o tratado entrará em vigor de forma plena.
Até lá, sua aplicação pode ocorrer de maneira gradual, conforme o avanço dos trâmites em cada país.
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