Casos Master e INSS: desconfiança entre Andrei e Mendonça marca investigações
Ler matéria →Profissionais com experiência e formação no setor da aviação e engenharia aeronáutica fazem parte dos 16 funcionários e executivos da Voepass indiciados pela Polícia Federal pelo desastre aéreo que matou 62 pessoas em agosto de 2024. Entre os responsabilizados pelas investigações estão o dono da companhia de Ribeirão Preto (SP), José Luis Felicio Filho, e o diretor de manutenção Eric Cônsoli, apontado por ex-funcionários como uma figura de grande influência dentro da empresa antes da crise provocada pela queda do avião e do encerramento das atividades. Ao término das investigações, a Polícia Federal concluiu que a tragédia com o voo 2283 em Vinhedo (SP) foi consequência de uma sucessão de fatores meteorológicos, falhas técnicas e uma conduta operacional insuficiente da equipe para lidar com os problemas, como o acúmulo de gelo severo na aeronave e a falha no sistema de degelo omitida dos registros de manutenção.
Segundo a investigação, os indiciados são apontados como responsáveis ou como pessoas que contribuíram para o acidente, por ação ou negligência. Eles respondem pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo e estão impedidos de deixar o Brasil. 🔎
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O atentado contra a segurança do transporte aéreo é previsto no artigo 261 do Código Penal. O crime ocorre quando alguém expõe a perigo uma aeronave ou dificulta, ou impede a navegação aérea. A pena prevista é de 2 a 5 anos de prisão.
Se do fato resulta a queda ou destruição da aeronave, a pena passa para 4 a 12 anos. Se houver morte, a pena pode ser aplicada em dobro. Nos tópicos a seguir, veja quem são os indiciados pela Polícia Federal após a queda do voo 2283 e por que práticas eles foram responsabilizados.
- Eric Cônsoli Arte mostra quem são os 16 indiciados pela Polícia Federal após queda do voo 2283 em Vinhedo (SP).— Foto: Arte/g1 Leia também: Rio de Janeiro suspende aulas de 90 km/h nesta sexta
José Luiz Felício Filho Comandante Felício, presidente da Voepass, em primeiro pronunciamento após acidente— a segurança de transporte aéreo e por atentado contra a segurança de transporte aéreo qualificado pela destruição/queda da aeronave com resultado morte. Empresário e piloto comercial há mais de 30 anos, é o proprietário e o principal gestor da companhia desde os anos 2000, quando o pai, fundador da empresa, antiga Passaredo Transportes Aéreos, deixou o comando. Ao assumir o controle acionário e a gestão executiva da Passaredo, liderou reestruturações importantes, como o processo de recuperação judicial entre 2012 e 2017 e a aquisição da MAP Linhas Aéreas em 2019, quando a marca foi reformulada para Voepass.
Após a tragédia em Vinhedo, voltou à liderança executiva direta da empresa, exonerando diretores. Depois do encerramento das atividades da Voepass, passou a atuar como gerente comercial da RP Aviation, empresa fundada pelo ex-diretor de manutenção da companhia aérea no mesmo lugar onde funcionava o galpão da Voepass no Aeroporto de Ribeirão Preto. Como diretor presidente e acionista majoritário, foi indiciado por ter ciência da cultura de omissão.
Em termos práticos, essa omissão dolosa, segundo a PF, permitiu que aeronaves inseguras operassem em rotas com previsão de gelo severo. Marcel Sarquis Moura Marcel Moura, diretor da de operações Voepass— Foto: Acervo/EP- responde por atentado contra a segurança de transporte aéreo e por atentado contra a segurança de transporte aéreo qualificado pela destruição/queda da aeronave com resultado morte. Com experiência como piloto comercial e como instrutor, era o diretor de operações da companhia aérea do interior de São Paulo.
Natural de Chapecó (SC), iniciou o curso de piloto em 1994 e ingressou na aviação comercial em 2000. Possui 30 anos de experiência, tendo atuado como copiloto, comandante, instrutor de voo e examinador. Trabalhou por 14 anos em uma fabricante de aviões brasileira, com experiência em voos internacionais em diversos países.
Ingressou na Voepass em 2022, a convite do presidente da empresa, na diretoria de operações, departamento que tinha a função de assegurar que todos os procedimentos estivessem em conformidade com as legislações e protocolos nacionais e internacionais.- PF indicia 16 funcionários e ex-funcionários pela queda que matou 62- O que diz a Voepass após Polícia Federal indiciar funcionários por queda de voo que matou 62 pessoas em SP- EXCLUSIVO: avião teve falha omitida em diário de bordo horas antes de decolar, diz testemunha- 'Não encerra nossa busca por Justiça', dizem famílias das vítimas após PF indiciar 16 pessoas por queda de avião da Voepass- Acidente Voepass: 16 indiciados por queda do avião estão impedidos de deixar o Brasil, diz PF Foi indiciado por não garantir que as operações seguissem as normas de segurança. Mais de noticia
Como gestor, era o responsável por setores que ignoraram restrições técnicas graves da aeronave acidentada, tendo inclusive respondido pessoalmente à Anac sobre falhas anteriores no mesmo avião, segundo a PF. Raphael Limongi de Figueiredo Raphael Limongi de Figueiredo, indiciado no inquérito da PF sobre a queda do voo 2283 da Voepass— nça de transporte aéreo e por atentado contra a segurança de transporte aéreo qualificado pela destruição/queda da aeronave com resultado morte. Com mais de 15 anos de experiência na aviação civil nacional e internacional, foi chefe dos pilotos da Voepass até o fim de julho de 2024, quando foi substituído por Rafael Gimenez Rodrigues.
Antes, também atuou como gestor da divisão de Garantia de Qualidade Operacional de Voo. Com a exoneração de Marcel Moura em setembro de 2024, Limongi foi alçado ao posto de diretor de Operações da Voepass. Segundo a Polícia Federal, é suspeito de usar a autoridade que tinha para forçar a operação de aeronaves inoperantes.
Rafael Gimenez Rodrigues, indiciado no inquérito da PF sobre a queda do voo 2283 da Voepass— nça de transporte aéreo e por atentado contra a segurança de transporte aéreo qualificado pela destruição/queda da aeronave com resultado morte. Nomeado chefe dos pilotos no fim de julho de 2024, era encarregado de acompanhar os padrões de padronização operacional e escalas dos profissionais da companhia. Formado em 2021 em ciências aeronáuticas em Santa Catarina, escreveu na conclusão de curso uma monografia analisando fatores de risco associados à jornada de trabalho de tripulantes técnicos e a prevenção de acidentes aeronáuticos. Leia também: Acidente Voepass: Polícia Federal indicia 16 62 mortos em Vinhedo
Foi indiciado por participar da omissão sistêmica de reportes de panes e pela promoção irregular de comandantes sem experiência mínima exigida. Eric Cônsoli Eric Cônsoli, indiciado pela PF no inquérito da queda do voo 2283 da Voepass— a segurança de transporte aéreo e por atentado contra a segurança de transporte aéreo qualificado pela destruição/queda da aeronave com resultado morte. Engenheiro aeronáutico formado em 2002, ingressou em 2010 na Passaredo (antigo nome da Voepass), onde ocupou os cargos de diretor de Frota, Logística e compras, além de diretor de manutenção da companhia, posição que deixou em setembro de 2024, após 15 anos à frente da área, quando foi um dos demitidos por Felício após o desastre aéreo.
Segundo ex-funcionários da companhia, Eric era uma figura de grande influência dentro da companhia. Ele foi um dos executivos da companhia a prestar depoimento em uma comissão aberta na Câmara dos Deputados, em 2024, para investigar o acidente. Na oportunidade, ele afirmou que sempre trabalhou para garantir que todas as aeronaves voassem com 100% de condição de navegabilidade, seguindo rigorosamente os manuais dos fabricantes e as regras dos órgãos reguladores.
Polícia Federal divulga conclusão da investigação sobre queda do avião da Voepass em Vinhedo— Foto: Gabriella Ramos/g1 Na época, ele também garantiu que a empresa passava por inspeções periódicas da Anac e por auditorias externas voluntárias da IATA.
Segundo registros fiscais, Eric Cônsoli é dono da RP Aviation, criada em julho de 2025 e com funcionamento no mesmo hangar que antes era da Voepass. Segundo dados da Receita Federal, a empresa é de atividades auxiliares dos transportes aéreos, exceto operação dos aeroportos e campos de aterrissagem. No entendimento da PF, ele foi identificado como um dos diretores que ligavam para as equipes de pista para pressionar pela liberação de aviões inoperantes.
David da Costa Faria Neto David da Costa Faria Neto, indiciado no inquérito da PF sobre a queda do voo 2283 da Voepass— nça de transporte aéreo e por atentado contra a segurança de transporte aéreo qualificado pela destruição/queda da aeronave com resultado morte. Com mais de 50 anos de aviação, iniciou a carreira na Força Aérea Brasileira (FAB) aos 15 anos, onde permaneceu por 30 anos. Além disso, trabalhou na Agência Nacional de Aviação Civil por quatro anos.
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