Trump anuncia tarifa de 12,5% contra o Brasil por trabalho forçado
Ler matéria →Os pilotos da Voepass responsáveis pelo avião que caiu em Vinhedo (SP), em acidente que matou 62 pessoas em agosto de 2024, conversavam sobre assuntos pessoais durante o voo e esqueceram de ligar o sistema de degelo, mesmo após alertas emitidos pela aeronave. A situação foi revelada pelo tenente-coronel do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) Paulo Mendes Fróes durante a coletiva desta quinta-feira (23) para divulgação do relatório final sobre a tragédia.- VÍDEO: simulação mostra voo da Voepass da decolagem à queda- Cenipa cita conversas pessoais de pilotos e 'esquecimento' do sistema de degelo- Relembre queda de avião que matou 62 pessoas em 2024- Anac diz que vai analisar recomendações em até 4 meses- Veja como foi divulgação do relatório em tempo real
O avião por diversas vezes acionou o alerta electronic ice detector, que indica situação favorável para acúmulo de gelo na aeronave e deveria levar ao acionamento de protocolos, como mudança de velocidade e acionamento do sistema de degelo. No entanto, segundo Fróes, durante toda a gravação da caixa-preta o piloto Danilo Romano e o copiloto Humberto de Campos Alencar e Silva conversavam sobre assuntos pessoais. "
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Há uma grande parte das gravações que os dois pilotos estão conversando sobre assuntos pessoais", relatou o tenente-coronel. Às 13h11, quando o avião emite o alerta pela quarta vez sobre o acúmulo de gelo, o copiloto comenta com o piloto que tinha esquecido o sistema de degelo. "
Então, o comandante comentou que ele poderia ligar todos os sistemas de-icing [sistema de degelo]. O copiloto, então, questiona o que o comandante teria dito. E o comandante respondeu que já tinha ligado todos os sistemas de-icing.
Porém, o sistema permaneceu desligado", disse Fróes. Na quinta detecção de gelo na aeronave, às 13h12, os pilotos conversavam sobre assuntos pessoais. Durante a coletiva, Fróes afirmou que, "embora os tripulantes tivessem sido submetidos aos treinamentos exigidos" para operar um avião em situação de formação de gelo severo, "as ações observadas durante o voo do acidente não se mostraram condizentes com o nível mínimo de proficiência desejado" e não houve resposta adequada aos alertas. Leia também: Tarifaço de Trump ganha destaque após novo desdobramento em os estados unidos
Isso pode ter influenciado a postura do profissional durante o voo e desviado o foco aos alertas, o que pode ter contribuído para o acidente. No entanto, a conduta da tripulação durante o voo e os problemas pessoais do comandante foram apontados pelo órgão da Força Aérea Brasileira (FAB) como "indeterminados" para explicar a queda do acidente. Isso significa que não é possível cravar se contribuíram para a tragédia.
O relatório final reúne as conclusões da investigação técnica conduzida pelo Cenipa para identificar os fatores que contribuíram para o acidente. Em nota, a Voepass afirmou que o acidente foi o episódio mais grave de sua história e destacou que prestou apoio às famílias das vítimas desde o primeiro momento. A companhia também informou que segue colaborando de forma transparente com as investigações— clique aqui e veja a nota na íntegra.
Viúva defende copiloto A viúva de Humberto, Rosana Maria Ferreira, defendeu o copiloto sobre a alegação de um possível "erro humano" por conta de conversas pessoais. Segundo ela, a parte humana de Humberto "falou bem mais alto" para "acolher" Danilo.
" O que eles relataram é que eles estavam conversando sobre assuntos particulares exatamente quando estava pilotando, o que é extremamente normal os pilotos conversarem, eles não falam só de aviação, só da parte técnica do voo", ponderou. Rosana ainda ressaltou que 19 fatores contribuíram para a queda do avião e que representantes do Cenipa, entre eles Fróes, teriam dito a ela que "os pilotos fizeram de tudo".
" Recebi com muito carinho a fala de que o meu marido fez o que tinha de ter feito. Tudo o que poderia ter feito, ele fez. Mais de noticia
Só isso já ameniza, já bate o veredito final. Não, ele não teve culpa", afirmou. Como foi o processo do relatório final
Ao longo da investigação, o órgão fez dezenas de perícias para reconstruir o voo e entender a sequência de eventos que levou à queda da aeronave. ➡️ Entre os principais trabalhos realizados estão:- análise das duas caixas-pretas (gravador de voz da cabine e gravador de dados de voo);- reconstrução completa do voo, incluindo comandos feitos pelos pilotos e alertas emitidos pela aeronave;- exames nos motores e nos sistemas de degelo e de proteção contra estol;- análise das condições meteorológicas registradas no dia do acidente;- entrevistas com pilotos, mecânicos, despachantes e familiares dos tripulantes;- estudo de mais de 15 mil voos realizados por aeronaves da mesma frota da companhia;- testes em simuladores e um voo experimental com outro ATR 72-500;- análise de registros de manutenção, certificados médicos dos pilotos e outros documentos técnicos.
Segundo o Cenipa, também foram analisados equipamentos responsáveis pelo controle de diferentes sistemas da aeronave e até as lâmpadas dos painéis do avião para verificar quais estavam acesas no momento da queda. Escombros de avião em Vinhedo (SP) neste sábado, dia— Foto: Nelson Almeida/AFP Revisão internacional Leia também: Bastidores ganha destaque após novo desdobramento em pl vê desgaste de flávio
Antes da divulgação, o relatório passou pelas etapas previstas no protocolo internacional para investigações de acidentes aeronáuticos. O documento foi analisado:- pelo Bureau d'Enquêtes et d'Analyses pour la Sécurité de l'Aviation Civile (BEA), da França, país responsável pelo projeto e fabricação do ATR 72-500;- e pelo Transportation Safety Board (TSB), do Canadá, responsável pelo projeto dos motores da aeronave. O relatório aponta culpados?
Não. A investigação do Cenipa tem caráter preventivo e busca identificar os fatores que contribuíram para o acidente, além de emitir recomendações para aumentar a segurança da aviação. O relatório não define responsabilidades civis nem criminais.
Investigação criminal também está na reta final Paralelamente ao trabalho do Cenipa, a Polícia Federal conduz um inquérito para apurar se houve crimes e eventuais responsáveis pela tragédia.
No fim de junho, representantes das famílias tiveram acesso pela primeira vez à transcrição das conversas registradas na cabine da aeronave. O documento integra o laudo produzido pelo Instituto Nacional de Criminalística (INC), que embasa o inquérito da PF. As conversas eram aguardadas porque poderiam ajudar a esclarecer os momentos finais do voo, incluindo se os pilotos comentaram ou acionaram o sistema de degelo— uma das hipóteses investigadas desde o acidente.
Segundo os advogados que representam os familiares, a expectativa é que a Polícia Federal conclua o inquérito em breve e encaminhe o caso ao Ministério Público Federal (MPF). O relatório poderá embasar eventuais indiciamentos. Ação judicial
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