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Abri uma pizzaria 100% livre de glúten porque meu filho tem doença celíaca

Abri uma pizzaria 100% livre de glúten porque meu filho tem doença celíaca No dia da conscientização sobre a doença celíaca, pai e empresário conta como criou

Abri uma pizzaria 100% livre de glúten porque meu filho tem doença celíaca

Abri uma pizzaria 100% livre de glúten porque meu filho tem doença celíaca No dia da conscientização sobre a doença celíaca, pai e empresário conta como criou empreendimento focado em receitas sem glúten O diagnóstico de uma doença autoimune é sempre um choque.

Em 2019, vivemos isso com a descoberta da doença celíaca do meu filho, Arthur, então com 6 anos. Ao recebermos a notícia, não tínhamos nenhum conhecimento sobre essa condição. Sabíamos apenas que ele teria que seguir uma dieta rígida sem glúten.

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Por isso, minha primeira reação foi tentar entender o que isso significava de verdade não só clinicamente, mas no dia a dia da família. O que ele poderia comer? Quais locais poderia frequentar? Leia também: O DNA pode influenciar o seu dia a dia: e isso é bom!

O que teria que abrir mão? E como protegê-lo sem fazê-lo sentir que era diferente dos outros? Como um apaixonado por cozinha que sempre dizia que nunca abriria um restaurante, aprendi da forma mais bonita que a vida raramente pede permissão para nos surpreender.

O diagnóstico que parecia ser o fim de muita coisa virou o começo de uma jornada muito gratificante. O diagnóstico se transformou em propósito. Juntos nos dedicamos a aprender.

Entendemos a fundo o que é a contaminação cruzada, o gerenciamento de riscos fora de casa, como ler rótulos e como transformar a cozinha em um espaço seguro. Descobrimos que era possível viver bem, comer bem, viajar e que não seria preciso viver numa espécie de prisão. Porém, havia uma lacuna que nos incomodava profundamente: a pizza.

Esse alimento que no Brasil é quase um ritual, uma oportunidade para juntar a família, reunir os amigos, celebrar muitas coisas. Ela estava fora do alcance do Arthur de diversas formas: com sabor real, no encontro social, na experiência do momento. O que encontrávamos eram opções de delivery que chegavam murchas ou ressecadas, ou estabelecimentos que simplesmente não inspiravam confiança do ponto de vista do controle de glúten. Mais de saude

Arthur podia comer uma pizza. Mas não podia vivê-la como os outros. E esse foi o ponto de partida da nossa pizzaria, a Óstia.

Através de conexões e pessoas que impulsionaram essa jornada, buscamos a receita perfeita, não apenas aquela que fosse “boa por ser sem glúten”, mas simplesmente “boa“. Surgiu um espaço diferente, acolhedor e intimista, pensado para reunir todos que apreciam uma boa pizza. Celíacos, intolerantes à lactose, veganos ou quaisquer outras pessoas podem se sentar à mesa e pedir com liberdade, sem ter que explicar sua condição para o garçom ou torcer para que nada dê errado. Leia também: Panorama da Saúde: Vírus, Calor e Decisões da Anvisa em Destaque

E, o principal, sem ter de encarar a diferença para uma tradicional pizza napolitana. Porque sabemos o impacto psicossocial que essas situações de exclusão alimentar podem gerar por aí. Começamos com um estabelecimento no Ipiranga, em São Paulo, mas em breve lançaremos uma linha de congelados, num plano de expansão a fim de atender não apenas outras áreas da cidade como também outras capitais pelo Brasil.

Criamos uma pizzaria 100% livre de glúten. Não por escolha, mas pela convicção de que é possível fazer um produto bom, que agrade a todos, celíacos ou não. Ela nasceu pelo Arthur, mas é feita para todo mundo que, como ele, merece comer uma pizza de verdade, cercado de quem ama.

*Gustavo Michelazo Tambasco é empresário e dono da Óstia

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