← Mundo
Mundo

A solução de Oxford para reduzir polarização entre lulistas e bolsonaristas

A solução de Oxford para reduzir polarização entre lulistas e bolsonaristas Crédito, Reuters Legenda da foto, Lula (PT) lidera as estimativas de intenção de voto sobre

A solução de Oxford para reduzir polarização entre lulistas e bolsonaristas
A solução de Oxford para reduzir polarização entre lulistas e bolsonaristas
Foto dos rostos de Lula e Flávio Bolsonaro lado a lado.

Crédito, Reuters

Legenda da foto, Lula (PT) lidera as estimativas de intenção de voto sobre Flávio Bolsonaro (PL) para 2026, em uma disputa que deve reeditar a polarização de quatro anos atrás.
Article Information
    • Author, Stephanie Rodrigues
    • Role, Da BBC News Brasil em Londres
  • Published Há 6 horas
  • Tempo de leitura: 7 min

Seja você lulista ou bolsonarista, há uma boa chance de que você tenha imaginado o grupo do lado oposto do espectro político mais radical do que ele realmente é.

Leia no AINotícia: Mundo: Destaques da Semana com Detenção de CEO e Curiosidades Animais

Pesquisadores observaram essa distorção ao perguntar a milhares de brasileiros, no auge da eleição de 2022, o que eles imaginavam que seus adversários políticos pensavam.

Naquele momento, os bolsonaristas estimavam que mais de oito em cada dez lulistas (81%) eram a favor de legalizar o aborto no primeiro trimestre de gestação. O número real era bem menor: 46%.

Os lulistas cometiam o mesmo equívoco em relação aos bolsonaristas. Imaginavam que só 27% deles apoiavam cotas para alunos de baixa renda nas universidades, quando o apoio real beirava 80%. Leia também: A vacina inédita desenvolvida por inteligência artificial

Os números vêm de um estudo sobre polarização política no Brasil publicado nesta sexta-feira (5/6) na revista Nature Communications.

O levantamento ouviu de 2 mil a 3 mil brasileiros em cinco rodadas, entre abril de 2022 e janeiro de 2023, antes, durante e depois das eleições.

Nas quatro últimas, acompanhou sempre as mesmas pessoas, o que permitiu medir como o sentimento de cada uma mudava ao longo do tempo.

"As pessoas são muito mais precisas ao estimar as opiniões do próprio grupo do que as do outro grupo. E isso faz sentido, porque você provavelmente convive mais com elas, conversa mais com elas", diz Petherick, em entrevista à BBC News Brasil.

"Mas o interessante é que a forma como elas entendem mal o outro grupo é exagerando aquilo de que não gostam, muitas vezes em torno de questões morais." Mais de mundo

A polarização afetiva

Esse abismo entre o que um grupo imagina do outro e o que o opositor de fato pensa alimenta o que os pesquisadores chamam de polarização afetiva. Ela mede a antipatia entre quem pensa diferente. O estudo sugere que essa polarização pode ser amenizada com algo simples: a informação. Leia também: Preços dos ingressos da Copa estão em queda — a Fifa está tentando se livrar

"A polarização ideológica é sobre o quanto você discorda do que o outro pensa. A afetiva é o abismo no sentimento, no gostar ou não gostar", diz Petherick.

"Se você discorda fortemente de alguém, provavelmente não vai querer jantar uma pizza com essa pessoa, né?"

Desde os anos 1990, na maior parte do mundo, a polarização ideológica ficou mais ou menos no mesmo patamar, segundo os pesquisadores. Ou seja, as pessoas não passaram a discordar muito mais sobre questões-chave. O que cresceu foi a antipatia pelo lado oposto, tendência que preocupa os autores do estudo.

"A antipatia está ligada à intolerância. Fica mais difícil ter um debate fundamentado, chegar a um meio-termo, unir-se para resolver problemas que dependem de toda a sociedade", afirma Petherick.

No cenário mais extremo, o fenômeno aparece associado à violência política, segundo a pesquisadora.

Qual é a solução para a polarização?

O que mais o estudo mostrou

As eleições de 2026

A vacina inédita desenvolvida por inteligência artificial
Mundo

A vacina inédita desenvolvida por inteligência artificial

Ler matéria →

Leia também