Tarcísio chega ao debate: Pior que Alckmin 2014, melhor que Covas 1998
Ler matéria →Não tenho experiência específica no futebol em si. Minha experiência reside em crises internacionais, diplomacia multilateral, *lobby* e política, acumulada ao longo de quase duas décadas em cargos de chefia na área de comunicação dentro do sistema das Nações Unidas. E é exatamente para esse campo que a história da FIFA parece estar caminhando cada vez mais.
Espero, portanto, que a reflexão a seguir seja de seu interesse.
Leia no AINotícia: Esporte: Panorama do Rúgbi, Tênis e Futebol Brasileiro
A carta conjunta de hoje, assinada pela AFC, pela Concacaf e pela UEFA, pode ter alterado o equilíbrio político interno da FIFA muito mais do que o seu teor sugere à primeira vista.
A FIFA continua sendo uma organização composta por 211 associações-membro, cada uma com direito a um voto. Esse princípio é de suma importância— e, até agora, foi uma das razões mais fortes para não se presumir que a oposição dos líderes das confederações se traduzisse automaticamente em oposição por parte de seus membros individuais.
Mas a política também conta. Leia também: Espanha bi mundial é a vítima da vez da homofobia que não larga o futebol
Uma vez que uma confederação declara publicamente uma "quebra fundamental de confiança" em relação à liderança da FIFA, torna-se consideravelmente mais difícil para as associações individuais— especialmente as menores— simplesmente adotarem a posição oposta.
Elas ainda mantêm seu voto. Mas o custo político desse voto mudou.
Passei grande parte da minha vida profissional observando organizações internacionais operarem exatamente em meio a essa tensão: membros formalmente iguais, blocos regionais, alianças, influência, pressão e, por fim, votos individuais.
A FIFA é diferente das Nações Unidas, é claro. Mas a dinâmica política está se tornando notavelmente familiar.
E isso nos leva a uma questão mais complexa. Mais de esporte
Em certo momento de uma crise institucional, a discussão sobre quem tinha razão ou estava errado inicialmente torna-se secundária. O que importa é se ainda resta confiança suficiente para que a instituição funcione de maneira eficaz e em prol do interesse público mais amplo.
Após a intervenção de hoje por parte de três confederações, tenho cada vez mais dificuldade em visualizar como a posição do presidente da FIFA poderá permanecer politicamente sustentável a longo prazo. Não se trata de um julgamento sobre o mérito de cada acusação ou divergência. É uma avaliação da realidade institucional.
Um presidente pode até conseguir reunir votos individuais suficientes para sobreviver. Mas sobreviver a uma votação e manter a autoridade política para liderar não são a mesma coisa. Leia também: Esporte: Panorama do Rúgbi, Tênis e Futebol Brasileiro
Se uma parte significativa da organização deixa de confiar em sua liderança, toda decisão importante corre o risco de se transformar em um novo confronto; cada votação, em um novo teste de lealdade; e cada iniciativa, em uma nova batalha entre blocos.
Isso não é sustentável— e, o que é mais importante, não atende aos interesses do futebol mundial.
Assim, a questão que se coloca para as 211 associações da FIFA pode, em breve, transcender o simples apoio ou oposição a Gianni Infantino.
Pode passar a ser a de saber se a manutenção do *status quo* ainda atende aos melhores interesses da instituição que elas, coletivamente, possuem.
*Hervé Verhoosel é um ex-alto funcionário e porta-voz das Nações Unidas, com quase duas décadas de experiência em comunicação internacional, diplomacia e gestão de crises.*
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