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- Author, Paula Rosas
- Role, BBC News Mundo
- Published Há 1 hora
- Tempo de leitura: 5 min
O escândalo em torno da morte por esfaqueamento de um jovem de 18 anos — que havia sido algemado pela polícia enquanto pedia ajuda por não conseguir respirar — desencadeou uma onda de protestos e indignação no Reino Unido.
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Imagens de vídeo mostram os policiais não respondendo aos apelos do jovem Henry Nowak, enquanto seu agressor afirmava falsamente ter sido vítima de um ataque racista.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, disse que as imagens levantam "sérias dúvidas sobre a atuação policial", em particular sobre como as acusações de racismo por parte do agressor "influenciaram a tomada de decisões".
Uma manifestação na terça-feira (03/06) em Southampton, perto de onde Nowak morreu — da qual participaram figuras da extrema direita britânica como o ativista Tommy Robinson — terminou com confronto violento com a polícia. Onze agentes ficaram feridos e pelo menos duas pessoas foram detidas. Leia também: O que prevê o acordo de cessar-fogo entre Israel e Líbano — e o que esperar a
O líder do partido de direita radical Reform UK, Nigel Farage, disse que as pessoas deveriam responder a esse incidente com "raiva pura e fria". Ele também disse que as pessoas já estão "cansadas dos preconceitos contra os brancos" e que "as vidas dos brancos importam tanto quanto as dos negros".
Como Nowak morreu
Digwa utilizou uma adaga de 21 centímetros conhecida como kirpan, que as leis britânicas lhe permitem portar de forma excepcional (embora sempre embainhada) devido ao simbolismo que tem para a sua religião sikh.

Crédito, PA Media
Quando a polícia chegou ao local, Digwa mentiu aos agentes e disse que havia sido vítima de uma agressão racista por parte de Nowak. Ele afirmou que Nowak havia arrancado o turbante que usava e puxado seu cabelo, e que apenas se defendeu. Mas provas apresentadas ao longo do julgamento desmentiram essas afirmações.
Enquanto Digwa fazia essas alegações, Nowak — que estava caído no chão e ferido — disse aos policiais que havia sido esfaqueado. Em até sete ocasiões, ele repetiu que não conseguia respirar. Mais de mundo
"Você foi esfaqueado? Onde? Não acredito, amigo", respondeu um dos policiais, conforme pode ser ouvido na gravação da câmera que portava, e que foi tornada pública com autorização da família.
Nowak voltou a dizer que havia sido esfaqueado, mas os agentes apenas levantaram um pouco a roupa sem examinar em mais detalhes. Na gravação é possível ouvir alguém dizer que não acredita que o jovem tenha recebido qualquer facada.
Somente quando o estudante já estava inconsciente, quase três minutos depois do início da gravação, a polícia chamou uma ambulância. Leia também: Morre Marjane Satrapi, a voz iraniana no exílio que transformou 'Persépolis' em

Crédito, Divulgação
Digwa foi condenado na segunda-feira (01/06) à prisão perpétua pelo assassinato — com um mínimo de cumprimento de 21 anos.
No julgamento, o juiz William Mousley afirmou que tem certeza que Nowak não havia feito qualquer comentário racista contra o homem sikh que o matou.
Diante de um tribunal lotado, o juiz afirmou a Digwa que ele havia trazido "vergonha" à sua família e à sua religião, e assegurou que suas ações haviam "alimentado a tensão racial em Southampton e em todo o país, o que fez com que muitos sikhs se preocupem com sua segurança".
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