← Saúde
1 pessoa lendo agora Saúde

A reposição hormonal na menopausa protege o coração da mulher?

A reposição hormonal na menopausa protege ganha peso no noticiário por causa dos desdobramentos mais recentes.

A reposição hormonal na menopausa protege o coração da mulher?

A reposição hormonal na menopausa protege o coração da mulher? No Dia Nacional de Conscientização das Doenças Cardiovasculares na Mulher, entenda o que pode ser feito para resguardar o peito depois do climatério Durante décadas, a saúde cardiovascular feminina foi analisada sob parâmetros predominantemente masculinos. Hoje sabemos que essa abordagem é insuficiente, especialmente quando falamos do climatério e da menopausa, fases que marcam uma profunda transição metabólica e hormonal na vida da mulher.

O Posicionamento sobre a Saúde Cardiometabólica ao Longo do Ciclo de Vida da Mulher reforça essa mudança de paradigma ao reconhecer que a menopausa representa um ponto de inflexão no risco cardiovascular feminino. O alerta é relevante: as doenças cardiovasculares seguem como a principal causa de morte entre mulheres no Brasil e no mundo, respondendo por cerca de um terço dos óbitos femininos. Além disso, dados citados no documento mostram que fatores como hipertensão, obesidade abdominal, resistência à insulina e dislipidemia tornam-se mais frequentes após a transição menopausal.

Leia no AINotícia: Panorama da Saúde: Cuidados, Dicas e Pesquisas da Semana

A queda dos níveis de estrogênio não impacta apenas sintomas conhecidos, como fogachos ou alterações do sono. Ela também influencia diretamente o funcionamento dos vasos sanguíneos, o metabolismo da glicose e a distribuição da gordura corporal, favorecendo o acúmulo visceral e acelerando processos relacionados à aterosclerose. Diante desse cenário, uma pergunta se tornou comum nos consultórios: a reposição hormonal protege o coração? Leia também: Médicos alertam para risco de calor extremo na Copa do Mundo

+ Terapia hormonal: eficaz para sintomas, não para prevenção O Posicionamento, assim como artigos de relevância publicados recentemente na revista científica Journal of The American Medical Association (JAMA), trazem uma resposta equilibrada e baseada em evidências.

A terapia hormonal da menopausa continua sendo considerada o tratamento mais eficaz para sintomas vasomotores moderados a intensos e para o impacto da menopausa na qualidade de vida. No entanto, o documento e os artigos são claros: ela não deve ser indicada com o objetivo de prevenir doenças cardiovasculares. Isso não significa que os hormônios sejam prejudiciais ao coração quando corretamente prescritos.

Estudos analisados mostram que, em mulheres selecionadas, a terapia pode apresentar efeitos metabólicos favoráveis, como melhora do perfil lipídico e da sensibilidade à insulina. O ponto central está no contexto clínico. Os melhores resultados de segurança ocorrem quando a terapia é iniciada em mulheres com menos de 60 anos ou até cerca de dez anos após o início da menopausa, sempre após avaliação individualizada do risco cardiovascular.

É a chamada “janela de oportunidade”, quando a reposição hormonal deve ser encarada como tratamento sintomático e personalizado, nunca como estratégia preventiva universal. É essencial reconhecer que a menopausa é uma fase crítica para a saúde cardiovascular da mulher e, nesse período, observa-se aumento da rigidez arterial, piora da função endotelial (camada que reveste os vasos em sua parte interior), maior prevalência de síndrome metabólica e crescimento progressivo do risco cardiovascular ao longo dos anos seguintes. Essa mudança ajuda a explicar por que a incidência de infarto e acidente vascular cerebral nas mulheres aumenta significativamente após os 50 anos. Mais de saude

Assim, mais do que discutir apenas hormônios, é importante enfatizar a relevância de estratégias amplas de prevenção: controle da pressão arterial, atividade física regular, alimentação equilibrada, sono adequado e acompanhamento médico contínuo. Testosterona feminina: cautela baseada em evidências Outro ponto de destaque do Posicionamento e de inúmeros trabalhos científicos internacionais, como a Declaração de Consenso Global sobre o Uso da Terapia com Testosterona em Mulheres, é a abordagem do uso de testosterona em mulheres, tema que ganhou popularidade recente, muitas vezes associado a promessas de rejuvenescimento, melhora metabólica ou aumento de energia.

Não há evidências científicas suficientes para recomendar testosterona com finalidade cardiometabólica. A terapia não deve ser utilizada para prevenção cardiovascular, melhora do metabolismo, tratamento de sintomas da menopausa, ganho de massa muscular ou bem-estar geral. Isso vale também para o uso de implantes hormonais, popularmente conhecidos como “chips da beleza”, destacando a ausência de dados robustos sobre segurança cardiovascular e possíveis riscos ainda não completamente esclarecidos. Leia também: Prescrições do editor ganha destaque após novo desdobramento em prescrições do

+ A saúde cardiovascular feminina exige abordagem individualizada e baseada em ciência, não soluções simplificadas, uma mensagem importante para esse Dia Nacional de Conscientização das Doenças Cardiovasculares na Mulher, celebrado em 14 de maio.

A menopausa não deve ser vista como uma doença, mas como uma fase natural que exige maior atenção preventiva. Em vez de buscar respostas únicas em terapias hormonais, o cuidado cardiovascular da mulher passa pela avaliação global de riscos e pela adoção precoce de hábitos saudáveis. Porque cuidar do coração feminino começa, acima de tudo, por compreender suas diferenças em relação ao coração do homem.

*Ieda Jatene e Salete Nacif são cardiologistas e coordenadoras do Socesp Mulher da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo.

Médicos alertam para risco de calor extremo na Copa do Mundo
Saude

Médicos alertam para risco de calor extremo na Copa do Mundo

Ler matéria →

Leia também