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A religião por trás da Korin, pioneira na produção de frango orgânico no Brasil

Crédito, Vitor Serrano/BBC Legenda da foto, As aves da Korin são criadas com alimentação livre de transgênicos e antibióticos Article Information Author, Marina Rossi

A religião por trás da Korin, pioneira na produção de frango orgânico no Brasil
Galinhas de penas castanhas em um galinheiro.

Crédito, Vitor Serrano/BBC

Legenda da foto, As aves da Korin são criadas com alimentação livre de transgênicos e antibióticos
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    • Author, Marina Rossi
    • Role, Da BBC News Brasil em Ipeúna (SP)
  • Published Há 34 minutos
  • Tempo de leitura: 10 min

O sol nem bem nasceu, e o "expediente" delas já se encerrou. Depois que a caminhonete partiu carregada de ovos, as galinhas de penas castanhas avermelhadas foram liberadas para saírem do galinheiro e ciscarem pelos arredores.

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Os ovos seguiram para o centro de produção do Grupo Korin (lê-se kôrin, que significa "círculos de luz"), em Ipeúna, a 200 km de São Paulo. A marca é mais conhecida nas gôndolas dos maiores supermercados por suas linhas de frango natural e orgânico, mas também produz ovos, hortaliças, carne vermelha, peixes, mel, cereais, fertilizantes e desinfetantes naturais obtidos pela fermentação de materiais orgânicos.

Nesta granja, assim como em todas as parceiras da Korin, os animais são tratados de forma incomum. Não recebem antibióticos, são alimentados com ração livre de transgênicos e vivem com mais espaço. No plano espiritual, as galinhas castanhas e os frangos de penas brancas são recordados anualmente em uma cerimônia.

Em um gramado cercado de flores, funcionários, do chão da fábrica à presidência, realizam, todo mês de agosto, um sufrágio pelo espírito dos animais abatidos, agradecendo-lhes pela função de alimentar e nutrir os seres humanos e fazendo orações de despedida desses espíritos. Leia também: Inteligência artificial da dona do ChatGPT se rebela e faz ataque hacker

Por décadas, a Korin cultivou quase tanto discrição quanto galinhas. Sua fundação está calcada na disseminação dos ideais de Mokiti Okada (1882–1955), filósofo japonês e fundador da Igreja Messiânica Mundial, em 1935 no Japão.

Diz a história que Okada, também conhecido pelo nome religioso de Meishu-Shama ("senhor da luz"), contraiu tuberculose na juventude e estava desenganado. Mas, miraculosamente, ele melhorou, depois que passou a se alimentar somente de vegetais, cultivados de maneira natural. Isto é, sem agrotóxicos ou qualquer outro componente químico.

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Produzir alimentos desta forma tornou-se um dos três pilares da religião criada por ele anos mais tarde, além de cultivar o belo, representado pelos ikebanas, arranjos florais minimalistas, que valorizam a simetria e a harmonia entre as flores e as linhas. Forma a tríade o Johrei, que consiste na canalização e transmissão de energia espiritual por meio da imposição das mãos.

Para os messiânicos, ser saudável e livre de doenças é um dos critérios para atingir o nirvana, que eles chamam de Paraíso Terrestre. Mais de mundo

A terra é, portanto, elemento fundamental. Por isso, os messiânicos criaram na década de 1970 um polo de agricultura natural. Em um pequeno sítio em Atibaia, no interior de São Paulo, eles plantavam hortaliças e criavam alguns animais para consumo próprio.

À medida que o número de fiéis aumentou, o sítio ficou pequeno. Para expandir a produção e também partir para um modelo comercial, o polo de agricultura natural mudou-se para Ipeúna, transformou-se em empresa e ganhou o nome de Korin.

Era o início da década de 1990, a alimentação orgânica não estava na moda e bebida fermentada era sinônimo de Yakult, que— coincidência ou não— também surgiu no Japão. Leia também: São Tiago: por que 1º mártir do cristianismo se tornou símbolo de peregrinação

Uma mulher seleciona os ovos na granja.

Crédito, Vitor Serrano/BBC

"Éramos vistos como malucos ou irresponsáveis", diz Edson Matsui, presidente do grupo. "Diziam que íamos disseminar doenças."

Passadas mais de três décadas, a Korin distribui nacionalmente os cerca de 300 produtos do seu portfólio e virou sinônimo de carne de frango natural. Responsável por 70% do faturamento da empresa, o frango da Korin aparece como chamariz em cardápios de restaurantes, rótulos de papinhas infantis e até na fórmula de ração para cães e gatos.

'Um ano sem frango'

Foto de uma granja de frangos.
Legenda da foto, Ao deixar de produzir frango para a Korin, um fornecedor também deixou de comer a sua própria produção, devido à quantidade de antibióticos que os animais recebiam
Foto de frangos tomando água no bebedouro.
Legenda da foto, A Korin abate 17,5 mil aves diariamente, frente ao volume da avicultura nacional de 18 bilhões de abatimentos diários
Edson Matsui é um senhor vestindo uma camisa branca e óculos de grau.
Legenda da foto, 'A Korin não tem condições de produzir alimentos dentro desse modelo para o mundo inteiro', afirma Edson Matsui, presidente do grupo

Frango mais caro

Imagem de um vaso fino verde de vidro com um arranjo minimalista de flores vermelhas e uma folhagem sobre uma mesa redonda pequena.

Depois das galinhas, tomates

Foto de um quadro com ideogramas japoneses e uma mesa de madeira.
Legenda da foto, A Korin segue os preceitos da Igreja Messiânica do Brasil

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