← Política
Política

'A pátria dos Bolsonaro não é a brasileira, é a pátria estrangeira', diz Simone

Nos últimos meses, Simone Tebet deu um cavalo de pau em sua vida

'A pátria dos Bolsonaro não é a brasileira, é a pátria estrangeira', diz Simone

Nos últimos meses, Simone Tebet deu um cavalo de pau em sua vida. Ela deixou o Ministério do Planejamento e Orçamento, que comandava desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mudou-se de Brasília para São Paulo e trocou o MDB, partido ao qual foi filiada por três décadas, pelo PSB. Os movimentos foram todos "acertados" previamente, como ela afirma nesta entrevista à BBC News Brasil, para disputar uma vaga no Senado por São Paulo como representante da centro-esquerda –termo que ela evita, preferindo "frente ampla" ou "campo democrático".

É uma arena nova para Tebet, que deixou o direito e a academia para fazer carreira política no Mato Grosso do Sul, onde foi deputada estadual, prefeita, vice-governadora e senadora. Mas também é a continuidade de outra guinada em sua trajetória a partir da eleição de 2022, quando ficou em terceiro lugar no primeiro turno com uma candidatura à direita de Lula, e o apoio que deu ao petista no segundo turno, considerado importante para a vitória bastante apertada contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Com discurso moderado, liberal e em defesa do agronegócio, Tebet vai compor agora a chapa pela reeleição de Lula à presidência e da candidatura de Fernando Haddad (PT) para o governo paulista.

Leia no AINotícia: Flávio Bolsonaro usa decisão dos EUA sobre facções como arma eleitoral

Segundo levantamento da Quaest no fim de abril, Tebet liderava as intenções de voto para o Senado em todos os cenários testados. Talvez por isso, ela diz não estar tão preocupada com quem será o segundo candidato desta "frente ampla": Márcio França (PSB), seu novo companheiro de sigla, ou Marina Silva (Rede), ambos também ex-ministros de Lula. Também afirma que não a preocupa quem serão os adversários de Lula na disputa pela presidência.

Para ela, a eleição será definida pela capacidade que o governo do qual ela fez parte terá de comunicar suas realizações. " A gente fez muito e comunicou mal", disse.

Para ela, não fará diferença se Lula disputará um eventual segundo turno com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ou com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF), cujo nome chegou a ser ventilado após as revelações sobre a ligação de Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso acusado de comandar uma fraude financeira bilionária. " A família Bolsonaro é uma coisa só. Leia também: Partidos chegam às eleições sem filtros para barrar candidato de facção

Pensam igual e pensaram o país da mesma forma", diz Tebet. " O Deus deles, 'Deus, pátria e família', não é o mesmo Deus nosso.

A pátria não é a pátria brasileira, é a pátria estrangeira", afirma, evocando o lema de Jair Bolsonaro. Dois dias após a entrevista, concedida em 26 de maio, o presidente americano Donald Trump anunciou a classificação do CV (Comando Vermelho) e do PCC (Primeiro Comando da Capital) como organizações terroristas. O anúncio ocorreu após a visita à Casa Branca por Flávio Bolsonaro, que comemorou a decisão de Trump.

O episódio levantou um debate sobre a intervenção americana na política brasileira. Na mesma esteira, na terça-feira (2), o governo Trump ameaçou taxar, novamente, produtos brasileiros, desta vez em 25%, devido a práticas "não razoáveis" que "oneram ou restringem o comércio dos EUA". Depois disso, o presidente americano publicou duas fotos com Flávio no Salão Oval.

Uma delas foi a mesma que Flávio havia publicado na semana passada após ida aos EUA. Na outra, também aparece seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). "Foi muito bom ter Flávio Bolsonaro no Salão Oval da Casa Branca - um jovem inteligente que ama muito o seu país, o Brasil!

", escreveu Trump na sua rede Truth Social. Confira os principais trechos da entrevista. Três nomes da centro-esquerda estão na disputa pela candidatura ao Senado em São Paulo: a senhora, Marina Silva e Márcio França. Mais de politica

A senhora abriria mão de concorrer por algum dos dois? Se isso fosse conversado lá atrás, sem dúvida nenhuma. Só que tem uma diferença entre a minha candidatura e as dos demais.

Tive que fazer dois movimentos muito radicais: mudar o domicílio eleitoral e mudar de partido. Lembrando que sempre tive um único partido na minha vida, foram 30 anos de MDB.

E fiz esse movimento claramente para fazer parte de uma frente ampla e por um pedido muito especial do presidente Lula e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). " Precisamos ganhar São Paulo. Leia também: Custo de processos na Justiça 'gratuita' ultrapassa R$ 7.000, diz estudo

São Paulo é estratégico para a eleição de 2026", me disseram eles, aliado ao fato de que precisamos mostrar que este é um governo de centro e um governo que tem não só o PT na sua base nos ministérios, mas tem MDB, PSB, PSD, entre outros partidos. Então, vir para São Paulo foi uma decisão absolutamente acertada. "

Você vem para ser pré-candidata ao Senado. " Não tem como eu fazer outro movimento.

Não tenho como ir para um outro posto, a não ser o que foi determinado não só por mim, mas também porque entendo que o presidente Lula precisa dessa frente ampla. E, dentre os três, sou aquela pessoa que é vista ou como de centro ou de centro-direita. Ter três pré-candidaturas não divide os votos da centro-esquerda?

Não há possibilidade de essa frente ampla ou desse campo democrático lançar mais do que dois candidatos ao Senado em São Paulo. E isso não é só voz corrente, é uma determinação dos partidos aliados de que a estratégia é lançar, na maioria dos Estados, no máximo, dois pré-candidatos. Em alguns Estados, isso não vai ser possível por uma questão de acomodação, mas onde pudermos, vamos lançar apenas dois.

Isso é uma estratégia político-eleitoral visando fazer maioria no Senado, porque, hoje, a situação é adversa. Talvez este seja, de todas as eleições pós-democracia, o momento em que a eleição para o Senado vai ser tão importante quanto para presidente da República. Porque ali é que está a mudança ou não da regra do jogo.

Partidos chegam às eleições sem filtros para barrar candidato de facção
Politica

Partidos chegam às eleições sem filtros para barrar candidato de facção

Ler matéria →

Leia também