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- Author, Daniel Gallas
- Role, Da BBC News Brasil em Londres
- Published 2 julho 2026, 14:09 -03Atualizado Há 32 minutos
- Tempo de leitura: 6 min
Lise Klaveness é presidente da Federação Norueguesa de Futebol (NFF)— a primeira mulher em 120 anos a comandar a entidade.
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Na Copa do Catar de 2022, Klaveness fez duras críticas ao tratamento dado a trabalhadores imigrantes antes do torneio e também às leis que restringem direitos LGBTQ+ no país. Ao longo das eliminatórias para a Copa deste ano, a NFF, sob seu comando, criticou Israel pelas operações militares que resultaram na morte de civis em Gaza.
Sob seu comando, o futebol norueguês vive uma boa fase. A seleção feminina chegou às quartas de final da Eurocopa de 2025. E a masculina— do astro Erling Haaland— disputa a sua primeira Copa do Mundo em 28 anos.
Críticas à Copa no Catar
Em março de 2022, poucos meses depois de ser eleita presidente da Federação, Klaveness provocou desconforto geral em um congresso da Fifa em Doha, no Catar. O país estava prestes a sediar a Copa do Mundo daquele ano. Leia também: O jogador argentino que perdeu a mulher e os filhos em terremotos na Venezuela
No Congresso, Klaveness fez um discurso com duras— e raras— críticas ao país-sede pelo tratamento duro dado a trabalhadores imigrantes que construíram os estádios da Copa e pela falta de garantia a homossexuais no país.
"A Copa do Mundo foi concedida pela Fifa de maneira inaceitável e com consequências inaceitáveis", disse ela em um discurso que ganhou as manchetes em todo o mundo.
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"Os trabalhadores migrantes feridos e os familiares daqueles que morreram durante os preparativos para a Copa do Mundo precisam receber assistência. A FIFA— e todos nós— deve adotar as medidas necessárias para realmente implementar mudanças." Mais de mundo
"Não há espaço para empregadores que não garantam a segurança dos trabalhadores da Copa do Mundo, nem para líderes incapazes de sediar o futebol feminino, nem para anfitriões que não possam assegurar legalmente o respeito e a segurança das pessoas LGBTQ+ que vêm a este 'teatro dos sonhos'."
Não foram apenas as declarações que ganharam destaque. Klaveness é casada com outra mulher— e sua mera presença no Catar poderia ser considerada um crime pelas leis locais, onde a homossexualidade é criminalizada.
No mesmo discurso, ela também fez críticas à decisão da Fifa de sediar a Copa de 2018 na Rússia— algo que, segundo ela, vai contra "os interesses centrais do futebol" ao não seguir princípios de direitos humanos, igualdade e democracia. Leia também: O voo da tragédia: os 146 deportados pelos EUA no dia dos terremotos
Na época, o secretário do comitê organizador da Fifa para a Copa de 2022, Hassan Al Thawadi, se disse decepcionado com as declarações públicas de Klaveness e por ela não ter levantado suas preocupações de forma privada com os dirigentes, antes de vir a público.
Um ano após a Copa no Catar, ela voltou ao país para verificar se houve melhorias na situação dos direitos humanos no país do Golfo. A Fifa havia prometido criar fundos educacionais e avaliar como lidar com acusações de abusos de direitos humanos— sobretudo contra trabalhadores imigrantes nas obras da Copa.

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No Catar, Klaveness se reuniu com trabalhadores, autoridades e representantes de ONGs. Na época, ela disse à BBC em Doha que a Copa do Mundo "realmente impulsionou algumas mudanças bastante progressistas" no tratamento de trabalhadores migrantes, mas também afirmou ter identificado "dificuldades na implementação" de algumas reformas prometidas.
Quanto à questão dos direitos de homossexuais no Catar, Klaveness disse que "as questões continuam tão sensíveis e controversas quanto antes, e não houve qualquer avanço".

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