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Ler matéria →A incrível travessia do jovem que saiu do Peru e cruzou sozinho o Pacífico a remo por 15 meses- Author, Mobeen Azhar- Role, Programa "Outlook", Serviço Mundial da BBC- Published- Tempo de leitura: 15 min Na madrugada de, Tom Robinson, então com 24 anos, estava sozinho no meio do oceano Pacífico, agarrado ao casco do seu barco virado de ponta-cabeça, tremendo de frio e totalmente nu. Naquele momento, ele não sabia se alguém tentaria resgatá-lo.
O jovem australiano havia partido meses antes do Peru, em um barco de madeira que ele próprio havia projetado e construído. Seu objetivo era tornar realidade o sonho que ele alimentava desde os 14 anos de idade: ser a pessoa mais jovem a cruzar o oceano Pacífico a remo.
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Durante a viagem, ele enfrentou não só o vasto oceano, mas suas próprias prioridades e sua capacidade de superar o medo e as incertezas. " Houve um breve momento em que pensei que tudo havia acabado e que aquela viagem custaria minha vida", contou Robinson à BBC.
" E este pensamento foi realmente angustiante. "
" Mas, muito pouco tempo depois, mudei de perspectiva e comecei a estabelecer pequenas metas para mim. " Leia também: Cristiano Ronaldo: de menino que esperava por sobras de hambúrgueres
Durante a travessia, o jovem também vivenciou dias de "paz total" e recebeu o carinho de comunidades das ilhas do Pacífico, que o receberam "de braços abertos". Tom Robinson refletiu sobre seu aprendizado durante a travessia, em entrevista ao programa de rádio Outlook, do Serviço Mundial da BBC. O jornalista Mobeen Azhar conduziu a entrevista.
Serviço Mundial da BBC- Como nasceu o seu sonho de cruzar o Pacífico? Tom Robinson- Fui criado nas margens do rio Brisbane [na Austrália], de forma que toda a minha infância girou em torno daquele rio que serpenteava pela cidade. Todos os dias, depois da escola, eu remava no rio, pescava, vivia uma infância muito no estilo de Huckleberry Finn [personagem do livro de 1884 do escritor norte-americano, que vive aventuras pelo rio Mississippi em uma balsa].
E dali surgiu minha paixão pelos barcos e pelo mar. Todas as noites, eu lia livros sobre marinheiros, exploradores e aventureiros. Certa manhã, eu acordei muito cedo, me olhei no espelho e disse para mim mesmo: "
Tom, você será a pessoa mais jovem a cruzar o oceano Pacífico a remo e irá construir um barco para a travessia. " A partir daquele dia, com 14 anos, eu pensava todos os dias naquela viagem e na aventura.
BBC- Você também quis construir o barco para cruzar o Pacífico. Por que isso era tão importante? Robinson- Acredito que eu queria o maior desafio possível. Mais de mundo
Escolhi o Pacífico por várias razões, mas uma delas era porque é o maior oceano e cruzar o Pacífico Sul é basicamente a mais longa travessia oceânica a remo que se pode empreender. Por isso, construir o barco passou a ser uma parte fundamental da viagem. Aquele barco realmente fazia parte de mim.
Foram os meus desenhos que o transformaram em realidade. Foram as minhas mãos que o construíram. Definitivamente, toda a viagem consistiu em me expressar ao máximo e a construção do barco fez parte daquilo.
BBC- Você deu ao barco o nome de Maiwar que, em língua aborígene, significa "rio Brisbane". Robinson- Sim. O projeto foi baseado nos barcos baleeiros do século 18, que saíam pelo Pacífico para caçar baleias. Leia também: A Copa em que o Brasil foi tetra — e que mudou tudo
Eu me lembro de ler um livro certa noite, ver os planos desses barcos e pensar: " Este é exatamente o tipo de barco de que preciso para esta viagem.
" O mar e as ondas não mudaram em 250 anos e, por isso, imaginei que o barco não precisaria de alterações. BBC- Como você se preparou mentalmente para a viagem?
Robinson- Não sei como alguém pode se preparar para algo assim. Tomei certas medidas para me assegurar de que, ao sair de Brisbane, não teria saudades de casa. É claro que meus amigos e minha família sempre estarão presentes.
Mas tentei cortar laços e relações, para ter certeza de que, durante a viagem, poderia ficar totalmente em paz comigo mesmo e com o mundo ao meu redor. E que não iria pensar que deveria estar em outro lugar, por outra pessoa. BBC- Você tinha uma namorada naquele momento, não é verdade?
Robinson- Sim. E imagino que essa é uma das grandes tragédias da viagem. A travessia deveria ter prioridade sobre todo o resto.
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