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A IA está danificando seus próprios data centers — e o problema é a energia

Em alguns casos, a inteligência artificial (IA) apresenta picos de consumo de energia de até 50% acima de sua capacidade projetada

A IA está danificando seus próprios data centers — e o problema é a energia
Em alguns casos, a inteligência artificial (IA) apresenta picos de consumo de energia de até 50% acima de sua capacidade projetada. (Foto: Brian Kaiser/Bloomberg)
Em alguns casos, a inteligência artificial (IA) apresenta picos de consumo de energia de até 50% acima de sua capacidade projetada. (Foto: Brian Kaiser/Bloomberg)

As oscilações bruscas no consumo de energia dos data centers de IA estão sobrecarregando equipamentos críticos, fazendo com que baterias, geradores e sistemas de refrigeração apresentem falhas ou se desgastem muito antes do previsto.

Com a aceleração do boom da IA, esses problemas técnicos sinalizam custos adicionais e imprevistos de confiabilidade— e basta uma interrupção de poucos minutos para impactar a receita dos desenvolvedores. Isso acontece num momento em que investidores e credores já estão apreensivos com os gastos de centenas de bilhões de dólares dos hyperscalers, em meio a preocupações crescentes de que essas instalações podem estar se depreciando muito mais rápido do que o estimado.

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Os problemas também representam uma potencial fonte de instabilidade generalizada nas redes elétricas, que já estão no limite para manter as luzes acesas.

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“A IA realmente cria uma demanda de energia muito incomum”, diz Amber Villegas-Williamson, consultora principal do Uptime Institute no Reino Unido, que assessora fornecedores de eletricidade e data centers em padrões e confiabilidade. “É como acelerar demais o carro: desgasta o motor muito mais rápido do que manter uma velocidade constante.”

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Data centers existem há décadas, consumindo eletricidade em grande escala enquanto garantem que tudo— do seu streaming favorito à compra do supermercado online— funcione sem problemas. Mas as instalações projetadas para computação de IA são diferentes porque sua demanda é muito maior e oscila de forma muito mais dramática. Leia também: Sergio Moro cancela ida ao debate entre candidatos ao governo do Paraná neste

Picos de consumo equivalentes ao de fábricas, cidades pequenas ou até metrópoles podem aparecer e desaparecer em segundos, criando choques repetidos que os equipamentos conectados mal conseguem absorver.

Um data center de 1 gigawatt equivale a uma cidade do porte de Boston, e metade dessa carga pode ligar e desligar a cada poucos segundos, afirma Shannon Miller, fundador e presidente da Mainspring Energy, que trabalha com microrredes para clientes industriais e data centers. Alguns campi de IA planejados no Texas, no Meio-Oeste e em outros estados americanos são mais de cinco vezes maiores, consumindo quase tanta energia quanto a cidade de Nova York em média.

Os data centers de IA sobrecarregam ainda mais a rede elétrica durante o treinamento de novos modelos— um processo que mobiliza todas as unidades de processamento gráfico (GPUs) em uníssono. Como o equivalente digital de um enxame de abelhas ou um cardume mudando de direção, centenas de milhares de GPUs podem ligar e desligar numa escala de milissegundos.

A IA, às vezes, vê o consumo de energia disparar até 50% acima da capacidade projetada. “Então uma instalação de 1 GW pode usar 1,5 GW por uma fração de segundo”, diz Drew Baglino, ex-executivo da Tesla Inc. que fundou a Heron Power Electronics Co. A empresa está desenvolvendo equipamentos para gerenciar flutuações de energia para a próxima geração de servidores da Nvidia Corp., ainda mais intensivos em energia, prevista para 2027.

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A maioria dos equipamentos não foi projetada para oscilações tão grandes no consumo. Jon Parrella, CEO da desenvolvedora de armazenamento de energia Terraflow Energy, compara a situação a dirigir uma Ferrari e passar direto da sexta marcha para a primeira. “Você não consegue fazer essa virada tão rápido”, diz. Mais de economia

Esta reportagem é baseada em entrevistas com mais de três dezenas de especialistas em energia nos EUA e na Europa, incluindo geradores e outros fornecedores de energia, desenvolvedores de data centers, operadores de rede, concessionárias, investidores, desenvolvedores de normas, seguradoras e reguladores— quase todos afirmaram que os estresses físicos nas instalações são evidentes.

Virabrequins de pequenos motores de combustão a gás natural usados para gerar energia em data centers quebraram, disseram várias dessas pessoas. Na instalação de computação Colossus da xAI, em Memphis, Tennessee, turbinas a gás desenvolveram rachaduras, disse uma das fontes. Baterias foram instaladas no sistema para ajudar a suavizar as oscilações de energia e reduzir a tensão nas turbinas giratórias, acrescentou a pessoa.

A SpaceX, empresa-mãe da xAI, não respondeu aos pedidos de comentário. Leia também: Desembargador federal abandona ações da Lava Jato após punição do CNJ

Turbinas também racharam em data centers muito menores no Reino Unido, disse Andrew Cunningham, CEO da GeoPura, que fornece hidrogênio para células de combustível que suavizam o fluxo de energia em alguns locais.

Rachaduras ou desgaste em dispositivos podem causar arcos elétricos— quando uma corrente salta entre condutores— potencialmente danificando chips de IA, afirma Jennifer Scanlon, CEO da UL Solutions Inc., que testa e certifica novas tecnologias.

Existe um conjunto de equipamentos— como baterias, capacitores, transformadores e volantes de inércia— que pode ajudar a estabilizar o fluxo de energia. No entanto, na corrida para construir capacidade de computação de IA rapidamente, essas tecnologias não estão sendo usadas em quantidade suficiente nos novos data centers, disseram várias fontes. Baterias instaladas para essa finalidade às vezes precisaram ser substituídas em questão de meses ou até semanas devido ao alto estresse, de acordo com o Uptime Institute e outras pessoas que trabalham com operadores.

Esse problema é observado em data centers ao redor do mundo, do Oriente Médio e África à Europa e aos EUA, diz Villegas-Williamson, do Uptime Institute.

Problemas de Confiabilidade

Essas questões já estão causando atrasos ou reduzindo operações— e, consequentemente, a receita— em algumas instalações de computação de IA.

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