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A 'guerra silenciosa' entre China e Panamá por controle de portos no Canal

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A 'guerra silenciosa' entre China e Panamá por controle de portos no Canal
Um trabalhador vestido com macacão azul e capacete de proteção laranja segura as bandeiras da China e do Panamá

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    • Author, Cristina J. Orgaz
    • Role, BBC News Mundo
  • Published Há 1 hora
  • Tempo de leitura: 8 min

A história da empresa CK Hutchison Holdings e do Panamá se transformou em um dos maiores conflitos geopolíticos ligados ao Canal do Panamá nos últimos anos.

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E a exclusão dessa empresa chinesa sediada em Hong Kong da administração de dois portos provocou o que parece ser uma dura punição por parte de Pequim, em meio à crescente disputa por influência entre Estados Unidos e China na América Latina.

"Desde, e ainda hoje, a China vem retendo navios mercantes de bandeira panamenha em um ritmo sem precedentes, justificando a medida como inspeções do Estado do porto", explica a Ambrey Analytics, divisão de inteligência da empresa britânica de segurança marítima Ambrey.

Somente em abril, a China reteve 136 embarcações registradas sob bandeira panamenha, número 6,4 vezes superior à média de 2025. Em março, foram 96 navios, cerca de 74% de todas as retenções realizadas pela China naquele mês. Somando todas as embarcações imobilizadas desde o início do ano, o total chega a 272. Leia também: Após polêmicas com Vini Jr. e Hakimi, Fifa libera espanhol em todas

Vista aérea do navio porta-contêineres One Contribution, registrado sob bandeira de Tóquio, entrando no Canal do Panamá

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, A construção do canal foi concluída em 1914 e ele permaneceu sob controle dos Estados Unidos até 1977

A situação coincide com uma decisão da Suprema Corte do Panamá que retirou da CK Hutchison a concessão de dois terminais de contêineres no Canal do Panamá.

Um deles é o porto de Balboa, o segundo mais movimentado do país em volume de contêineres. O outro é o porto de Cristóbal. Ambos ficam em áreas adjacentes ao canal.

Por sua localização estratégica, em cada extremidade das entradas do canal pelo Pacífico e pelo Atlântico, esses dois portos despertavam especial preocupação na administração Trump, que transformou o tema em prioridade de sua agenda logo após assumir a Casa Branca.

A pressão americana atingiu seu ponto máximo quando Trump ameaçou o governo panamenho com retomar à força o controle do canal— administrado pelo país centro-americano desde 1999— alegando interferência chinesa. Mais de mundo

O navio porta-contêineres Navios Constellation, registrado sob bandeira da Libéria, navega diante de uma criança que pesca na Cidade do Panamá.

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, O Canal do Panamá é importante para a China porque representa um ponto estratégico do comércio mundial

'Um ato de má-fé'

Não há evidências públicas de que o governo chinês exerça qualquer controle sobre o canal. No entanto, empresas chinesas têm presença significativa na região e, ao longo dos anos, realizaram investimentos relevantes na hidrovia e em sua infraestrutura.

O presidente do Panamá, José Raúl Mulino, afirmou repetidamente que não existe "absolutamente nenhuma interferência chinesa" no canal.

Mas, no fim de janeiro, a Suprema Corte panamenha declarou inconstitucional a concessão de 1997— e sua renovação em 2021— que permitia à Panama Ports Company, subsidiária da CK Hutchison, operar os terminais.

As autoridades da China e de Hong Kong manifestaram oposição à decisão e a classificaram como um "ato de má-fé".

Já a CK Hutchison, que administrou os portos durante quase 30 anos, acusou as autoridades panamenhas de confiscarem ilegalmente seus ativos e iniciou uma arbitragem internacional contra o país, reivindicando uma indenização superior a US$ 2 bilhões por perdas e danos.

Uma mensagem clara

O ministro panamenho para Assuntos do Canal, José Ramón Icaza Clement, gesticula durante uma coletiva de imprensa da Autoridade Marítima do Panamá.
Legenda da foto, As estratégicas vias navegáveis são administradas pela Autoridade do Canal do Panamá, órgão do governo panamenho

Ofensiva em várias frentes

Caminhão transporta um contêiner da Maersk no porto de Balboa, na Cidade do Panamá
Legenda da foto, Os tratados assinados entre Estados Unidos e Panamá estabelecem que o canal permanecerá permanentemente neutro

Disciplinar empresas

Trabalhador seleciona cerejas em uma unidade de embalagem próxima à cidade de Romeral, no Chile
Legenda da foto, A China pode utilizar controles alfandegários como ferramenta de pressão diplomática, sem impor formalmente sanções comerciais

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